ÁUDIO: Transporte público será mantido em “toque de restrição” das 23h às 05h, diz Doria

Ônibus em corredor metropolitano gerido pelo Governo do Estado de São Paulo

Todavia, quem estiver circulando neste período poderá ser parado pela Polícia para justificar o motivo do deslocamento

ADAMO BAZANI/JESSICA MARQUES

Os transportes públicos, como ônibus, trens e metrô, vão continuar funcionando enquanto vigorar o “toque de restrição” do Governo do Estado de São Paulo, que vai ocorrer diariamente entre 26 de fevereiro e 14 de março, das 23h às 05h.

Carros de aplicativo e táxis também poderão operar normalmente.

De acordo com o governador João Doria, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021, quem estiver voltando do trabalho, por exemplo, não vai ser punido.

“Nós não iremos, evidentemente, punir alguém que estiver retornando para sua casa. O transporte público não será interrompido, ele será restringido, limitado, mas não interrompido, e nem vamos penalizar alguém que trabalhou até 22h, por circunstâncias pega dois transportes para chegar até sua casa e excede o horário de restrição. Ele chegará a sua casa e não será multado. É preciso bom senso. Estamos trabalhando dentro do bom senso. Essa não é a pessoa que está ferindo e rompendo o Plano São Paulo. Esse é um trabalhador ou uma trabalhadora retornando para sua casa”.

Ouça:

Todavia, quem estiver circulando neste período poderá ser parado pela Polícia para justificar o motivo do deslocamento.

A equipe do Governo do Estado explicou que as fiscalizações vão priorizar as aglomerações e atividades não autorizadas.

Poderão funcionar neste período, atividades essenciais, como supermercados, farmácias, unidades de saúde humana e animal, postos de combustíveis, ônibus, trólebus, trem, VLT (Veículos Leves sobre Trilhos), monotrilho, carros de aplicativo, táxis, ônibus rodoviários, ônibus fretados, segurança privada, entre outras.

De acordo com o Coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes, houve aumento significativo no número de internações em São Paulo nas últimas semanas, principalmente em relação a pacientes graves com COVID-19. Até o início da tarde desta quarta, havia 6.657 pacientes internados em leitos intensivos, recorde negativo desde o início da pandemia.

“Se nós olhamos para o futuro, nós temos uma previsão bastante preocupante que é poder esgotar os recursos de leitos de UTI em aproximadamente três semanas”, declarou Menezes. Ele apontou duas possibilidades para o recrudescimento da pandemia: o grande número de aglomerações e festas clandestinas desde o final de dezembro e a circulação de novas variantes do coronavírus.

O Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, reforçou a preocupação dos especialistas do Centro de Contingência. “Não adianta nós só ampliarmos leitos e distribuirmos respiradores. Se as medidas restritivas não forem feitas, teremos impacto na saúde em 22 dias”, alertou.

O diretor-executivo do Procon, Fernando Capez, disse na coletiva que juntamente com as entidades de segurança pública, o órgão vai fazer uma força-tarefa contra os estabelecimentos comerciais que descumprirem a restrição. Dependendo do caso, a multa pode chegar a R$ 10 milhões 260 mil

O secretário de segurança pública, general João Campos, disse na coletiva que a Polícia Militar fará blitz em vias públicas e usará mensagens de áudio para o cumprimento da regra.

Na última segunda-feira (22), o coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, em entrevista coletiva ao lado do governador Doria, já havia alerto para este endurecimento diante do fato de o Estado de São Paulo ter batido nesta semana recorde de internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde o início do reconhecimento da pandemia no Brasil, em março de 2020.

As medidas também impactam, mesmo que indiretamente, os transportes públicos, como ônibus, trens e metrôs.

Em 19 de fevereiro de 2021, a gestão João Doria fez a 22ª reclassificação do Plano São Paulo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/19/doria-atualiza-classificacao-das-cidades-no-plano-sao-paulo-com-presidente-prudente-e-barretos-na-fase-vermelha/

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 40%, horário reduzido para oito horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos.  Foram incluídos na atualização dos critérios as atividades de salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados com restrições. Ainda de acordo com a atualização anunciada em 08 de janeiro de 2021, todas as atividades permitidas puderam funcionar oito horas por dia (antes eram quatro horas) e a ocupação dos estabelecimentos na fase laranja passa de 20% para 40% da capacidade.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos, salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados com restrições. O governo do Estado antecipou para esta fase as academias, parques e salões de beleza e barbearias.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

TRANSPORTES: OFERTA MAIOR QUE DEMANDA E FONTES EXTRA-TARIFÁRIAS:

Toda alteração no Plano São Paulo é acompanhada de perto pelo setor de transportes.

Nos casos de flexibilização maior há impactos diretos na demanda de passageiros de ônibus, trens e metrô, e também aumento no trânsito de veículos particulares.

Em relação ao transporte público, de acordo com os especialistas, o ideal é ampliar a oferta de ônibus e composições num percentual maior que o da demanda para evitar superlotação e risco maior de contágio. Ao mesmo tempo, tem sido um desafio manter os sistemas economicamente sustentáveis com uma oferta maior que a demanda, num cenário ideal de operação neste momento.

O consenso é que os sistemas de transportes não devem depender apenas das tarifas, mas obter formas de subsídios externos para a continuidade dos serviços.

Adamo Bazani e Jessica Marques, jornalistas especializados em transportes 

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