Diário no Sul

Greve do transporte em Maringá entra no terceiro dia. Liminar proíbe motoristas de impedirem saída de ônibus das garagens

Foto: Rodrigo Matheus

No início da manhã desta quarta-feira (10) funcionários da TCCC continuavam de braços cruzados

ALEXANDRE PELEGI

Até o início da manhã desta quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021, os motoristas do transporte coletivo de Maringá, no Paraná, continuavam com os braços cruzados.

Começava assim o terceiro dia da greve do transporte coletivo na cidade.

Até por volta das 8h nenhum ônibus havia deixado as garagens da Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC).

No fim da tarde dessa segunda (08), primeiro dia de greve, a TCCC quitou os 50% restantes do salário dos motoristas, um dos principais fatos que motivou a paralisação. Mas os trabalhadores decidiram continuar sem trabalhar.

Ontem no início da noite uma liminar da Justiça Trabalhista atendeu as empresas TCCC e Cidade Verde, e proibiu o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Maringá (Sinttromar) de impedir ou dificultar o acesso às garagens e ao terminal central de ônibus e pessoas.

A liminar assinada pela juíza Adelaine Aparecida Pelegrinello ressaltou que a medida “abrange atos de ameaça e mesmo de constrangimento físico aos que pretendam adentrar o ambiente (sejam empregados ou clientes/usuários), permitindo, inclusive, a circulação dos ônibus”.

No entanto, o texto garante o direito de greve ao destacar que a proibição vale apenas para o impedimento ao acesso e circulação, e “não de não utilização dos meios de coerção próprios e legítimos do movimento paredista”.

O Sinttromar afirma que o movimento é espontâneo da categoria, e que cabe à entidade apoiá-lo. Mas se nega a confirmar que tenha qualquer liderança ou poder sobre a greve.

Mesmo com o pagamento efetuado na segunda (08), os motoristas decidiram manter a paralisação, condicionando o término do movimento ao atendimento de outras reivindicações, como o pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR), reposição salarial e horas extras.

Nesta manhã os motoristas continuaram impedindo a saída dos ônibus, alegando que a liminar dizia respeito ao Sinttromar, que não tem ligação alguma com a greve, segundo os grevistas.

Ainda segundo os trabalhadores, a liminar não definiu a quantidade de ônibus que deveriam ser liberados.

PREFEITURA DETERMINA FROTA MÍNIMA

A prefeitura, em entrevista coletiva na manhã de segunda-feira, notificou a TCCC para que a empresa colocasse ao menos 30% da frota de ônibus para atender a população.

Além disso, a TCCC teria que justificar detalhadamente sua situação financeira atual.

O secretário de Inovação, Aceleração Econômica, Turismo e Comunicação, Marcos Cordiolli, que participou da entrevista em lugar do prefeito, disse não haver por enquanto previsão de notificação para rescisão de contrato, mas que a empresa teria que comprovar que tem capacidade para cumprir o restante do tempo de concessão.

Marcos Cordiolli ressaltou que a TCCC já está no décimo ano do contrato de concessão, e tem mais dez anos ainda, e a notificação é fundamental que a gestão financeira seja eficiente para honrar o que foi concessionado com o município.

PREFEITO DISSE QUE NOTIFICARIA TCCC PARA RESCISÃO DE CONTRATO

Como mostrou o Diário do Transporte, no domingo (7) o prefeito Ulisses Maia afirmou que notificaria a TCCC para rescisão de contrato, caso a empresa não pagasse os salários dos motoristas de ônibus. A informação foi divulgada pelo prefeito por meio do Twitter.

“Como vocês sabem, sempre estive ao lado dos funcionários e passageiros do transporte coletivo. Dessa vez, não será diferente. Espero que a TCCC cumpra sua obrigação e pague o salário dos motoristas. Caso contrário, tomaremos mais providências contra a empresa”, disse o prefeito.

“Faremos notificação para rescisão do contrato de concessão. Entendo que dificuldades financeiras por conta da pandemia muitas empresas têm. Por isso, muitos estão se adequando, inovando e mudando os serviços. Porém, nem por isso deixaram de pagar salário ou pressionaram os trabalhadores para pedir que a prefeitura resolva, quando a obrigação é da empresa. Se fosse assim, teríamos que disponibilizar recurso público para toda empresa em dificuldade. É inviável e injusto com a população”, completou.

Relembre:

Maringá (PR) vai notificar TCCC para rescisão de contrato caso motoristas não recebam salário

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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