Diário no Sul

Volvo tem queda de 24% em vendas de ônibus, mas cresce em fretamento no Brasil

Modelo B270F teve destaque com alta de 34% em relação ao ano anterior. Foto: Divulgação / Volvo.

Em 2020, foram 444 veículos emplacados no Brasil e 721 em outros países

JESSICA MARQUES

Em meio à crise no setor de transportes causada pela pandemia de covid-19, a Volvo apresentou uma queda de 24% no número de vendas de ônibus em 2020. Contudo, a fabricante de chassis informou que cresceu no setor de fretamento.

Os números foram divulgados nesta terça-feira, 09 de fevereiro de 2021, em entrevista coletiva da qual participou o Diário do Transporte. Ao todo, no ano passado, foram 444 chassis emplacados no Brasil e 721 em diversos outros países do continente.

As vendas em solo brasileiro se dividem em 157 rodoviários pesados, 71 urbanos pesados e 216 chassis semipesados. Destes, grande parte, segundo a Volvo, é composta de veículos para fretamento.

Segundo o presidente da Volvo Buses Latin America, Fabiano Todeschini, o segmento de fretamento para transporte de funcionários de grandes empresas experimentou uma expansão por causa da necessidade de promover maior distanciamento e diminuir o número de pessoas dentro dos veículos, reduzindo a possibilidade de difusão do coronavírus.

Além disso, o modelo que mais se destacou foi o B270F, o chassi semipesado da Volvo. Neste caso, a alta foi de 34% em relação ao ano anterior.

A queda de 24%, por sua vez, foi avaliada pelo presidente da Volvo Buses Latin America no contexto da pandemia e de o setor como um todo ter apresentado diminuição do número de vendas.

“Uma grande influência que a gente teve nos números de ônibus esse ano foi o Caminho da Escola, que acaba inflando esse número em uma área onde a Volvo não tem produto. Em 2020, o governo estrategicamente forçou muito essas entregas, até para manter girando toda a máquina da indústria, mas nós não participamos deste segmento. Puramente, o número aumentou por causa do Caminho da Escola, uma área onde nós não participamos, por isso que aparece uma queda maior nossa neste ano de 2020”, afirmou Todeschini.

VOLVO NO MUNDO

A Volvo informou ainda que fez vendas de grandes lotes de chassis para algumas cidades da região hispânica da América Latina e fechou contratos para outros mercados internacionais.

Em 2020, foram vendidos 153 chassis dos modelos B250R e B340M articulado para o sistema de transporte público de Luanda, capital da Angola, país localizado no Centro-Sul do continente africano, e mais 440 ônibus do modelo B270F para a República Democrática do Congo, também na África. Parte destes lotes foi embarcada em 2020 e parte seguirá este ano de 2021.

Além disso, a fabricante destacou a comercialização de 200 ônibus articulados para o sistema de transporte urbano de Santiago, capital do Chile.

O modelo entregue foi o B8RALE, articulado com entrada baixa, capacidade para 180 passageiros, motor traseiro de 8 litros e padrão de emissões Euro 6 (fabricados na Volvo Suécia).

Relembre:

Volvo e Marcopolo vendem 200 ônibus articulados para operador de transporte de Santiago, no Chile

Na Colômbia, a marca fechou negócios para entrega de mais 321 ônibus ao sistema Transmilênio, nome do BRT da capital do país. São diversos lotes com veículos dos modelos B8RLE (fabricados na Volvo Suécia) e B340M, versões articulada e biarticulada. As primeiras entregas aconteceram no final de 2020 e se estendem pelos próximos meses.

Relembre:

Volvo vende mais 321 ônibus para sistema Transmilenio, de Bogotá

DIVISÃO FINANCEIRA

As entregas dos chassis Volvo ao longo do ano tiveram forte participação da VFS (Volvo Financial Services), divisão financeira do grupo, que financiou 65% dos negócios de ônibus da marca no Brasil.

Em 2020, a VFS encerrou o exercício com R$ 2,89 bilhões em novos financiamentos, resultando em um crescimento da carteira de financiamentos de 25,7%.

“A instituição manteve boa participação nos negócios de produtos da marca, alcançando 40% do total de caminhões, ônibus e equipamentos de construção Volvo vendidos no Brasil, somadas as entregas por meio do Banco Volvo e do Consórcio Volvo”, detalhou a Volvo, em nota.

“O Consórcio Volvo também atingiu um recorde de vendas de cotas, que totalizaram no ano R$ 1,2 bilhão, uma expansão de 17% na comparação com o ano anterior, alcançando um nível histórico de carteira”, informou também.

INADIMPLÊNCIA

Além disso, mesmo em meio à crise no setor, a VFS registrou uma queda no nível de inadimplência. Com as dificuldades de caixa das empresas, geradas pela pandemia, a VFS renegociou 36% de sua carteira. A redução atingiu um dos níveis históricos mais baixos, segundo o presidente da Volvo Financial Services, região América do Sul, Carlos Ribeiro.

“Todos esses resultados são fruto de um esforço da VFS para enfrentar essa nova realidade. Tivemos muitas ações para apoiar os transportadores ao longo do último ano, inclusive com a renegociação de contratos”, explicou Ribeiro.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Natan Jr. disse:

    A queridinha dos bozologos

Deixe uma resposta