Diário no Sul

Transporte coletivo de Curitiba (PR) perde quase 100 milhões de passageiros em um ano

Volume inclui passageiros pagantes e isentos, como idosos, pessoas com deficiência e estudantes. Foto: Luiz Costa /SMCS.

Queda foi de 47% com relação a 2019, segundo levantamento da Prefeitura

JESSICA MARQUES

Em 2020, o transporte coletivo de Curitiba, no Paraná, perdeu quase 100 milhões passageiros em relação a 2019 por conta da pandemia de covid-19. O levantamento foi divulgado pela Prefeitura nesta semana.

Segundo a administração municipal, a suspensão das aulas nas escolas, a necessidade de distanciamento social, a implantação do regime home office e de escalas em muitas empresas provocaram uma queda expressiva no movimento.

Ao todo, o levantamento aponta que foram transportados 107,4 milhões passageiros no transporte coletivo em 2020, 47% menos do que em 2019, com 203,9 milhões. O volume inclui passageiros pagantes e isentos, como idosos, pessoas com deficiência e estudantes.

Além disso, o movimento diário de passageiros pagantes no transporte coletivo de Curitiba está, em média, 53% menor do que antes da pandemia. Na última semana, foram 350.038 passageiros nos dias úteis. Na primeira semana de março de 2020, a média era de 744.344 passageiros, segundo a Prefeitura.

“Dez meses de pandemia tiveram um forte impacto no movimento do transporte coletivo. Essa queda chegou a ser de 80%, mas ainda estamos muito abaixo do período normal”, afirmou o presidente da Urbs (Urbanização de Curitiba), que administra o sistema, Ogeny Pedro Maia Neto.

Além da redução da receita de passageiros, o sistema precisa operar com uma frota superior à demanda para obedecer os protocolos sanitários de enfrentamento da covid-19 e evitar aglomerações. A ocupação máxima prevista nos ônibus é de 70%. A frota está em 80% (mil ônibus) e 100% nas linhas de maior demanda, que atendem mais de 60% do movimento.

REGIME EMERGENCIAL

Em meio a esse cenário, a Prefeitura de Curitiba implantou, em 2020, o regime emergencial do transporte coletivo, que foi aprovado pela Câmara Municipal e prorrogado até 30 junho de 2021.

Em nota, o Executivo informa que a medida visa manter a operação e a sustentabilidade do sistema mesmo com queda expressiva no número de passageiros.

“Trata-se de um mecanismo em que a Prefeitura reduz o repasse de recursos para as empresas e ao mesmo tempo assegura a manutenção de empregos de cobradores e motoristas. Com ele, os custos do sistema passaram de R$ 78 milhões para entre R$ 38 milhões e R$ 40 milhões por mês. Metade desse valor é bancado pela Prefeitura e a outra metade pela receita de passageiros.”

Relembre:

Prorrogação de regime emergencial do transporte coletivo de Curitiba é aprovada em primeiro turno pela Câmara Municipal

PREJUÍZO BILIONÁRIO NO PAÍS

As medidas de isolamento social para conter a propagação da doença, que persistem em todo o país, resultaram em R$ 9,5 bilhões de prejuízos acumulados pelas empresas de ônibus urbano no período de 16 de março a 31 de dezembro de 2020.

Os dados estão no levantamento “Impactos da Covid-19 no Transporte Público por Ônibus” da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos).

Relembre:

Efeito pandemia: empresas de transporte coletivo urbano somam 61 mil demissões e prejuízo de R$ 9,5 bilhões em 2020

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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