Como motoristas de ônibus continuaram em greve em Teresina, prefeitura pede de volta R$ 600 mil que seriam para o vale-refeição

Ônibus do sistema de Teresina

Já sindicato dos trabalhadores diz que poder público e empresas querem “jogar a entidade contra a população”

ADAMO BAZANI

A prefeitura de Teresina pediu ao Setut (Sindicato das Empresas do Transporte Urbano de Teresina) que devolva os R$ 600 mil depositados pelo poder público para garantir o pagamento do vale-refeição dos motoristas e demais funcionários e, assim, terminar a greve que teve início na segunda-feira, 25 de janeiro de 2021, e entrou no segundo dia nesta terça-feira (26).

O secretário de finanças e vice-prefeito Robert Rios, disse que houve uma “quebra de acordo” por parte dos trabalhadores, já que o dinheiro era para acabar com o a greve, o que não ocorreu.

Como mostrou o Diário do Transporte, além dos atrasos nos benefícios, como o vale-refeição e plano de saúde, os profissionais se queixam que estão recebendo mensalmente menos de um salário mínimo nacional.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/01/26/greve-de-onibus-em-teresina-entra-no-segundo-dia-nesta-terca-26/

Segundo Rios, diferentemente do que a categoria disse o dinheiro seria suficiente para quitar o vale-refeição.

“Temos algo em torno de 150 ônibus. Dr. Pessoa transferiu R$ 600 mil. Ficaria R$ 4 mil por ônibus. Imagine que cada ônibus tenha um cobrador e um motorista. Seria R$ 2 mil para cada um em ticket refeição. É uma quantia altíssima”

Os trabalhadores contestam os números apresentados pelo secretário e dizem que deve ser considerada a frota total de ônibus para calcular a quantidade de funcionários e os depósitos a cada um deles, que seria em torno de 430 veículos. Por causa da queda de demanda provocada pela pandemia de covid-19, circulam atualmente em Teresina, 240 ônibus municipais.

O Sintetro (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário), que é o sindicato que representa a categoria, disse que não participou da paralisação de segunda-feira (25), mas negocia pelos trabalhadores.

Segundo ainda a entidade, prefeitura e empresas de ônibus querem “jogar a população” conta o sindicato.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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