Como “contrapartida” a decreto de Zema, Buser diz que vai investir R$ 100 milhões em Minas Gerais

Ônibus com plotagem da Buser em Juiz de Fora (MG)

Governador derrubou obrigatoriedade de circuito fechado para fretamento, beneficiando aplicativos. Empresas de linhas regulares falam em quebra de contato

ADAMO BAZANI

A empresa de aplicativo de ônibus Buser anunciou na manhã desta quinta-feira, 14 de janeiro de 2021, que vai investir em torno de R$ 100 milhões nas operações no estado de Minas Gerais.

Segundo nota da Buser, a “medida vem em contrapartida a um decreto do governo do estado que, na prática, libera a circulação de ônibus fretados via aplicativos colaborativos.”

Como mostrou o Diário do Transporte, nesta quarta-feira, 13 de janeiro de 2021, o governo criou o decreto 48.121/2021 que traz, entre outras medidas, o fim da exigência do circuito fechado para o fretamento.

Circuito fechado é a obrigatoriedade de o mesmo grupo de passageiros estar na viagem da ida e da volta.

O novo decreto também acaba com a exigência da lista de passageiros que precisava ser enviada ao DER-MG com 12 horas de antecedência.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/01/13/minas-gerais-derruba-exigencia-de-circuito-fechado-em-fretamento-e-beneficia-onibus-de-aplicativos/

Destes R$ 100 milhões anunciados pela empresa de aplicativo,  R$ 15 milhões em infraestrutura de pontos de embarque e desembarque, R$ 25 milhões em financiamentos de veículos e capital de giro para os fretadores parceiros, R$ 20 milhões em itens tecnológicos de segurança, obrigatórios para a frota de parceiros Buser, R$ 20 milhões em ações de divulgação e educação dos consumidores quanto à nova alternativa de transporte e R$ 20 milhões em descontos e passagem para usuários na primeira viagem.

“Essa é uma maneira de retribuirmos Minas Gerais, fomentando a economia e contribuindo com a geração de emprego e renda, tão necessárias ao nosso estado”, afirmou um dos donos da Buser, Marcelo Abritta, na nota.

Empresas de linhas regulares:

As empresas de linhas regulares que operam no Estado de Minas Gerais classificaram como “quebra de contrato” o novo decreto do governador Romeu Zema que flexibiliza a atividade de fretamento e benefícios aos aplicativos de ônibus.

Por meio de nota, a Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais), além de classificar a medida de Zema como quebra de contrato, diz que será gerada uma concorrência desleal e “que é ilegal que determinadas empresas, sem prévia concessão, escolham as rotas, dias e horários mais rentáveis, sem qualquer responsabilidade ou obrigação em manter seus serviços em cidades, dias e horários onde a rentabilidade não é atrativa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/01/14/empresas-de-onibus-de-minas-gerais-dizem-que-liberacao-de-circuito-aberto-para-aplicativos-representa-uma-quebra-de-contrato-com-as-concessionarias/

Os fretados e aplicativos continuam sem obrigação de transportar passageiros com gratuidades, realizar viagem independentemente da ocupação do ônibus, cumprir rotas e horários, além de pagar taxas em terminais e operar linhas sem atratividade econômica.  Já as empresas regulares continuam submetidas a todas essas obrigações.

As novas normas só valem para viagens feitas dentro do Estado de Minas Gerais. De Minas para outro estado e de outro estado para Minas Gerais, valem as regras federais, da ANTT (Agência Nacional de Transportes) que só permite fretamento em circuito fechado, mesmo que por aplicativo.

O governo estadual alegou, também em nota, que com a medida, será possível ampliar a concorrência e reduzir os preços.

“Com o novo decreto, a maior oferta do serviço de transporte fretado vai trazer aos usuários preços mais acessíveis. Além do benefício da economia, isso será mais um incentivo para que o passageiro escolha uma empresa legalizada ao invés do transporte clandestino”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. João Luis Garcia disse:

    Esse decreto do Governador não pode ser aceito
    Trata-se de quebra de contrato com os concessionários existentes
    Ele Governador está cometendo um crime e sua atitude poderá leva-lo até a um processo de cassação

  2. JOAO LUIS GARCIA disse:

    Esse é um típico caso de improbidade administrativa.

  3. Wellington disse:

    Parabéns ao Governador. Menos estado interferindo é ótimo! Não preciso dele para me proteger, se pegar o Buser e for ruim, volto pros tradicionais ou troco de app. Simples assim!

    Parabéns ao Buser que vai investir (!!!!) agora que o estado está saindo da frente.

    As empresas tradicionais, recomendo pararem de chorar, juntem-se ao Buser ou façam seu próprio aplicativo, parem de pagar impostos altíssimos, e deixem de serem reféns do estado (mas eu entendo vocês… o Estado protege-os da concorrência) e entrem na competição para serem melhores, mais eficientes, baratos e atrativos para nós!

  4. Gilmar disse:

    Boa noite.
    Esse e o problema do nosso país,grandes fortunas estão concentradas nas mãos de poucos,e muitos não aceitam que sejammtiradas das mãos deles,acaba assim o povo sofrendo com monopólios.

  5. vagligeiro disse:

    Acho que foi em 2017 ou 2018 que vi uma matéria sobre a falta de linhas de ônibus em Minas Gerais e o excesso de serviços clandestinos existentes – e as falhas dos serviços concessionados.

    Nesta mesma época surgia a Buser com a ideia de operar inicialmente dentro de Minas Gerais, quando que com o começo das operações, a mesma foi combatida pelo serviço de fiscalização do Estado de Minas.

    Desde então acabei não acompanhando tanto matérias sobre a questão das operações de transporte público em Minas, admito.

    Mas noto que se há uma tentativa do Buser de operar neste mercado que ele tanto tentou almejar desde os primórdios de sua operação,e a mesma foi aceita, é interessante pensar nos porquês.

    A Buser, ao meu ver, falhou muito nos últimos tempos – com regras estúpidas sobre o sigilo de seus serviços, um marketing problemático e principalmente, com os abusos que aconteceram nos casos da fiscalização da ANTT, onde a mesma fez uso de difamação para tentar combater a mesma. Uma falha que o Uber tinha cometido da mesma maneira no começo, falhou e agora ainda ao lado da política.

    Parece que desta vez o Buser aprendeu e sabe que tem que agir de forma política para ganhar mercado.

    Que as empresas de ônibus concessionadas se perguntem – inclusive ao Zema – do porquê da permissão e saibam agir políticamente.

    Que a Buser desta vez aprenda a lição e opere de uma forma agradável aos usuários, e principalmente, saiba como agir politicamente.

  6. Marcelo disse:

    Transporte por aplicativo já e uma realidade no mundo todo, e com o Ônibus não poderia ser diferente…
    A Buser caiu no gosto do povo, por oferecer um serviço de ótima qualidade com Ônibus relativamente superiores aos da maioria das empresas de linhas no Brasil, Empresas essas que por muitos anos trataram o cliente como gado, pois os mesmo não tinham opções de escolha na maioria das linhas do País…
    Com um formato totalmente novo, a Buser veio em meio a polêmicas fazendo seu nome entre os Brasileiros que em sua maioria adotaram a empresa como queridinha do momento…
    Cabe agora as donas do antigo monopólio se adequarem a nova realidade, e tentarem superar a Buser, para angariar novamente seis antigos clientes…

  7. Carlos Maldonado disse:

    Para competir com a Buser só se transportar de graça pois a Buser mal frota própria tem e comete concorrência desleal e aplicativo todas empresas podem implantar realmente , o problema é que a Buser está fazendo lavagem de dinheiro , Ministério Público Federal investigue …as contas não fecham .

  8. DIEGO disse:

    LEGAL, será que a Urubuser também vai disponibilizar por viagem 2 assentos gratuítos, mais 2 com 50% de desconto, mas assento pra pessoa carente, fazer a viagem mesmo que tenha apenas 4 passageiros num ônibus com 40 lugares? Se for fazer parabéns, do contrário, o certo era as empresas de transporte rodoviário fazerem igual ela, não lotou o ônibus, manda um recadinho via zap zap duas horas antes da viagem cancelando o embarque por não ter lotação suficiente de passageiros.

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