Ministro do STF determina suspensão de investigações contra ex-secretário de transportes do Rio

Ministro Ricardo Lewandowski do STF. Foto: Rosinei Coutinho / STF

Para Ricardo Lewandowski caso deveria tramitar na Justiça Eleitoral, o que torna ilegal a participação do juiz Marcelo Bretas 

ALEXANDRE PELEGI

As investigações da operação Fim do Túnel, deflagradas no Rio de Janeiro no dia 7 de dezembro de 2020 contra o ex-secretário de Transportes Júlio Lopes, foram suspensas nesta segunda-feira, 21 de dezembro de 2020, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Sob o argumento de que o caso deveria tramitar na Justiça Eleitoral, Lewandowski considerou ilegal a decisão do juiz Marcelo Bretas, que autorizou a busca e apreensão, além de bloqueios de bens.

As informações são do jornal O Globo.

Lewandowski determina ao juiz Marcelo Bretas “suspender até o final do julgamento da presente reclamação a tramitação do Processo Cautelar (…) – e dos demais procedimentos que tenham sido instaurados para apurar os fatos relacionados ao Inquérito 4.451/DF -, em trâmite no Juízo da 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro“.

A operação Fim do Túnel é um desdobramento das operações Tolypeutes, Ponto Final e Fatura Exposta, e tem como base depoimentos de empresários a partir do acordo de leniência feito pela empreiteira Carioca Christiani-Nielsen Engenharia.

Como mostrou o Diário do Transporte, os agentes da força-tarefa da Lava-Jato cumpriram no dia 07 de dezembro passado a sete mandados de busca e apreensão. Além da residência e endereços comerciais de Lopes, havia mandados contra João Maurício Ottoni de Araújo Pinho, advogado que teria atuado como operador do ex-secretário.

Os envolvidos são investigados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a investigação, entre junho de 2010 e novembro de 2014, Júlio Lopes teria usado de seu cargo para cobrar R$ 6,4 milhões em propinas da construtora Odebrecht durante as obras de construção da Linha 4 do Metrô Rio. Relembre: PF cumpre mandados de busca contra ex-secretário de Transportes do Rio de Janeiro

Esta não é a primeira decisão do juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que é contestada no STF.

Como noticiou o Diário do Transporte na semana passada, outro ministro do STF, Gilmar Mendes, determinou que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apurasse a atuação do juiz Marcelo Bretas na condução do processo que investiga o secretário dos Transportes Metropolitanos da gestão João Doria, Alexandre Baldy, por supostos crimes cometidos antes do cargo.

Segundo Gilmar Mendes, Bretas teria se recusado por dois meses seguidos a cumprir a determinação de enviar o caso para a Justiça Eleitoral de Goiás.

Em 09 de outubro de 2020, o ministro do STF tirou o processo da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sob responsabilidade do juiz Marcelo Bretas, e transferiu a ação para Justiça Eleitoral de Goiás. Relembre: Gilmar Mendes atende defesa de Baldy e tira da Lava Jato ação contra secretário de Transportes de Doria

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Assine

Receba notícias do site por e-mail

Comentários

Deixe uma resposta