PF cumpre mandados de busca contra ex-secretário de Transportes do Rio de Janeiro

Foto: reprodução TV Globo

Operação contra Júlio Lopes faz parte da operação Fim do Túnel, e está sendo executada por agentes da força-tarefa da Lava Jato 

WILLIAN MOREIRA / ALEXANDRE PELEGI

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) realizam nesta segunda-feira, 07 de dezembro de 2020, uma operação cumprindo mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Lopes.

A operação, denominada Fim do Túnel, é um desdobramento das operações Tolypeutes, Ponto Final e Fatura Exposta, e tem como base depoimentos de empresários a partir do acordo de leniência feito pela empreiteira Carioca Christiani-Nielsen Engenharia.

Os agentes da força-tarefa da Lava-Jato cumprem sete mandados de busca e apreensão. Além da residência e endereços comerciais de Lopes, há mandados contra João Maurício Ottoni de Araújo Pinho, advogado que teria atuado como operador do ex-secretário.

Os envolvidos são investigados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a investigação, entre junho de 2010 e novembro de 2014, Júlio Lopes teria usado de seu cargo para cobrar R$ 6,4 milhões em propinas da construtora Odebrecht durante as obras de construção da Linha 4 do Metrô Rio.

Outra propina, já em investigação do MPF, aponta que entre julho de 2010 e março de 2015 o ex-chefe da pasta de transportes pode ter recebido R$ 7,6 milhões da Fetranspor em troca de ressarcimentos de valores do Bilhete Único para as empresas envolvidas.

Ainda existe uma terceira investigação em separado, mas tratando do período entre 2016 e 2017 quando Lopes era deputado federal. Neste caso, ele teria recebido três pagamentos de R$ 250 mil cada para favorecimento de uma empresa em contratos na área da saúde.

Em nota enviada ao Portal UOL, os advogados que tratam da defesa de Júlio Lopes dizem estar perplexos com a busca e apreensão, definida como desnecessária e abusiva.

Veja abaixo a nota:

“A defesa de Júlio Lopes vem expressar a sua perplexidade com a busca e apreensão, desnecessária e abusiva, realizada na data de hoje. Ao longo de quatro anos de investigações, Júlio Lopes sempre se colocou à disposição das autoridades para explicar qualquer fato. Júlio Lopes não praticou nenhum crime ao longo de sua gestão na Secretaria de Transportes e, não por outra razão, as afirmações caluniosas de delatores nunca foram levadas a sério. A esdrúxula medida, que versa sobre fatos requentados, sequer poderia ter sido decretada pelo juízo da Sétima Vara Federal do Rio de Janeiro, por ofender a competência da Justiça Eleitoral, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal.”

 

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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