Diário no Sul

Transporte escolar rural completa frota durante greve de ônibus em Cascavel

Foto: Felipe Dn/Ônibus Brasil

Transitar afirma que fez contratação emergencial para cumprir medidas sanitárias de distanciamento social

ALEXANDRE PELEGI

O transporte público de Cascavel, no Paraná, segue em greve desde 13 de outubro.

Para complementar a frota e garantir distanciamento social à população, a Transitar, autarquia que cuida do transporte e trânsito na cidade, informa que a partir desta quinta-feira, 29 de outubro de 2020, passará a fornecer um serviço complementar com ônibus que operam no transporte escolar rural da cidade.

Em nota, a autarquia afirma que a contratação é emergencial e necessária para cumprimento das medidas sanitárias de distanciamento social, necessárias para prevenção ao coronavírus e impossibilitada pela redução dos ônibus em decorrência da greve.

“O reforço será priorizado nas linhas com maior demanda e conta com quinze veículos adicionais, que irão atender em horários de pico, de segunda a sexta-feira”, diz a nota.

Alguns veículos serão incluídos em linhas e horários definidos e outros ficarão nas proximidades dos terminais, sendo liberados pelos agentes de transporte conforme a demanda.

Como não são equipados com validador para leitura dos cartões do sistema, os carros extras farão embarque de passageiros somente dentro dos terminais e, ao longo do percurso, somente desembarques, completa a nota da Transitar.

GREVE

A greve dos trabalhadores do transporte coletivo de Cascavel, interior do Paraná, teve início em 05 de outubro deste ano, mas foi suspensa com a normalização dos serviços no dia 06 por determinação judicial.

Como mostrou o Diário do Transporte, o desembargador do Trabalho Célio Horst Waldraff determinou uma frota de 65% e multa de R$ 70 mil por dia ao sindicato em caso de descumprimento, mas a categoria decidiu retomar integralmente as escalas atuais. Relembre: Transporte em Cascavel opera normalmente nesta terça (6) após liminar da justiça

No dia 13 de outubro, no entanto, a greve foi retomada, com 65% dos ônibus prestando serviço. Segundo a entidade trabalhista, os veículos que saíram às ruas estavam escalados já pelas tabelas de acordo com a pandemia.

Sem acordo ainda com as empresas que detêm a concessão do transporte municipal, a Pioneira e a Capital do Oeste, o movimento de protesto persiste.

Os trabalhadores reivindicam o recebimento do vale-alimentação, que está suspenso desde fevereiro, e o reajuste de 2,55% no salário.

O Sindicato dos Trabalhadores informa que a prefeitura fez a parte dela, autorizando o reajuste da tarifa no início do ano. Mas as empresas não repassaram para os funcionários.

As empresas, por seu lado, consideram a greve ilegal e inconsequente, com motivação política.

Com uma frota de 140 ônibus, as empresas Pioneira e Capital do Oeste atendem 72 linhas.

As empresas reclamam que as restrições por causa da pandemia derrubaram o número de passageiros a 40% do total, o que provocou prejuízo e impediu os aumentos para os trabalhadores.

Como mostrou o Diário do Transporte, em março os motoristas cruzaram os braços, mas no dia 17 daquele mês, o sindicato que representa os trabalhadores da categoria decidiu suspender a mobilização em função da necessidade de prevenção do contágio do novo coronavírus.

Na ocasião, os trabalhadores pediam reajuste de 33% no Vale-Alimentação, que foi negado pelas empresas que operam na cidade e correção dos índices inflacionários. Relembre: Sindicato suspende greve do transporte coletivo em Cascavel

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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