Mesmo em reforma, estação Rede Sarah do BRT Rio é vandalizada pela segunda vez

Publicado em: 15 de setembro de 2020

Reabertura de estação será adiada

Foram roubados alumínios das portas de vidros e tampas de inox do piso. Outras estações foram atacas e venezuelanos foram presos furtando passageiros. Desde abril, mais de 100 estações foram atacadas

ADAMO BAZANI

As ações criminosas contra o sistema de BRT no Rio de Janeiro não param, colocando em risco a imagem de uma boa solução de mobilidade (corredores de ônibus de maior velocidade e capacidade) não pelo meio de transporte em si, mas por ações externas à operação.

Bandidos furtaram da estação Rede Sarah na madrugada desta terça-feira, 15 de setembro de 2020, alumínios das portas de vidros e tampas de inox do piso.

O detalhe é que a estação estava em reforma porque tinha sido alvo de outro ataque.

Com isso, a reabertura da parada foi adiada.

O BRT Rio informou, por meio de nota, que também houve furto de luminárias, câmeras do circuito de TV na estação Morro do Outeiro, no corredor Transolímpica. Além disso, a porta do banheiro da bilheteria foi quebrada. No trecho Transoeste, foram furtados 200 metros de cabos elétricos.

Como mostrou o Diário do Transporte, no último final de semana, bandidos que foram às praias invadiram os ônibus que paravam nos semáforos da região do Recreio dos Bandeirantes e deram calotes nas estações Gilka Machado e Recreio Shopping, situadas no corredor Transoeste.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/09/14/articulados-do-brt-rio-tem-invasao-e-calote-de-banhistas-na-volta-da-praia/

Para completar o fim de semana tumultuado para o sistema BRT, na manhã desse domingo, 13 de setembro de 2020, um incêndio destruiu completamente a estação Arroio Pavuna, no corredor Transcarioca

MAIS DE 100 ESTAÇÕES ATACADAS:

Segundo o BRT Rio, desde abril, mais de 100 estações foram atacadas e atualmente, o sistema tem 35 estações fechadas por causa de vandalismo e/ou furtos de equipamentos. As que foram fechadas em razão da pandemia não apresentam condições para reabertura porque foram depredadas.

“Nos últimos meses, o BRT Rio iniciou um cronograma de reforma e melhorias. Ao todo, 18 estações já passaram por intervenções nos últimos meses. As obras incluem o fechamento do acesso ao forro e à cobertura, pintura, nova rede elétrica, reforço na iluminação e sinalização. A nova estrutura que vem sendo utilizada na revitalização impede que ambulantes e moradores de rua guardem objetos na parte superior da estação, além de proteger o cabeamento elétrico. A iluminação também é reforçada com mais refletores.” – diz o consórcio em nota.

VENEZUELANOS PRESOS:

O Consórcio BRT-Rio informou também na nota que na manhã desta terça-feira, 15, dois venezuelanos que praticavam furtos de celulares e carteiras foram detidos na estação Madureira (Manaceia).  A ocorrência foi conduzida pelo 9º BPM(Rocha Miranda).

De março até agora, agentes do Programa Estadual de Integração de Segurança (Proeis)  realizaram 59 detenções nas estações do BRT Rio.

BRT RIO, UMA BOA SOLUÇÃO QUE SOFRE COM EXTERNALIDADES DESDE O INÍCIO:

O sistema de corredores de ônibus do Rio de Janeiro, alavancados pelas Olimpíadas de 2016, trouxe inegáveis melhorias na mobilidade da capital. Em alguns trechos, o tempo de viagem caiu até 65%.

Mas situações externas à escolha do meio de transporte têm deteriorado os serviços.

Um dos primeiros pontos foi o preparo do solo e as soluções de engenharia. Uma auditoria da gestão do prefeito Marcelo Crivella em outubro de 2018 apontou que o projeto original e o que estava previsto em contrato não foram seguidos. Em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a prefeitura, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

O solo não recebeu a compactação correta e, em alguns trechos, foi escolhido asfalto em vez de concreto, que é mais adequado para o peso dos ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/22/crivella-denuncia-irregularidades-em-outra-obra-do-brt/

Além dos problemas físicos, que interferem na manutenção dos veículos, há também as questões financeiras. O Consórcio BRT reiteradas vezes reclamou do custeio do sistema, que sofre interferências como do transporte clandestino e da evasão de receitas pelo fato de muitos passageiros não pagarem mesmo não tendo direito a gratuidades. As readequações de linhas para alimentarem o BRT também tiveram equívocos e não foram concluídas ainda.

As ações criminosas e o vandalismo também causam riscos à operação, ampliam os custos e reduzem a qualidade dos serviços. Constantemente estações são alvos de ataques, com furtos de equipamentos, depredações e até incêndios.

A Polícia Civil investiga a atuação do crime organizado em muitas destas ações.

Os ônibus dos BRTs começaram a tirar os passageiros das lotações, muitas delas ilegais, e, não generalizando, porém, não escondendo a realidade, são controladas por traficantes de drogas e milicianos, muitos dos quais ligados a policiais e até mesmo a políticos, apontam as investigações.

Desta forma, o atual estágio do BRT do Rio não pode ser usado como parâmetro nem para criticar e nem para defender este tipo de solução de transporte porque sofre com interferências de outras áreas externas ao transporte, como decisões equivocadas de engenharia, políticas tarifárias contestáveis e até de segurança pública.

O VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, outra boa solução que ajudou remodelar e qualificar as áreas onde foi instalado, não sofre com os mesmos problemas, mas não pode ser usado na comparação contra ou a favor do BRT, já que sua malha é muito pequena e atende mais as regiões central e portuária, onde há  maior infraestrutura e atuação das forças de segurança pública. O BRT, por sua vez, se estende a regiões mais afastadas do centro, cujos índices vulnerabilidade social e os indicadores de violência são bem mais desfavoráveis.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Eduardo disse:

    Será que esses ataques não são uma ação orquestrada pelo crime organizado que controla o transporte clandestino no Rio? Pq é difícil imaginar uma centena de ataques em 04 meses ser por pura coincidência.

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