Crivella denuncia irregularidades em outra obra do BRT

Má qualidade do pavimento é sinal de que obra foi superfaturada – Foto: Prefeitura Rio de Janeiro/Clique para ampliar

Desta vez, segundo prefeito, foram encontrados problemas no Transoeste. Na semana passada, administração disse que havia sinais de superfaturamento no Transcarioca

ADAMO BAZANI

Mais um BRT – Bus Rapid Transit pode ter sido alvo de irregularidades na construção.

Nesta segunda-feira, 22 de outubro de 2018, a administração municipal divulgou uma nota dizendo que o prefeito Marcelo Crivella vai apresentar ao Ministério Público o resultado final de dez inspeções feitas ao longo dos 56 quilômetros do corredor de ônibus de trânsito rápido.

Na semana passada, o prefeito havia apontado problemas no BRT Transcarioca. (Ver abaixo)

As análises do Transoeste ocorreram nos dias 19 e 20 de outubro e há indícios de que o projeto original e o que estava previsto em contrato não foram seguidos.

O corredor Transoeste custou mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 864 milhões do projeto original e um aditivo de R$ 174 milhões.

Em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a prefeitura, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

O município foi lesado profundamente. Se um dia forem escrever um livro sobre corrupção no Brasil, essa obra da Transcarioca merecerá um capítulo, com destaque. A intenção nossa é ressarcir o município. Há um dever de dignidade e consciência para com a população do Rio de Janeiro, de dar a ela a obra que pagou. É nisso que estamos interessados. A imprensa e a Prefeitura devem se focar nisso. Meu dever como prefeito, diante de uma delação como foi feita pelo ex-secretário de Obras da gestão passada, punido com 23 anos de sentença, é de fiscalizar. Sou engenheiro civil, tenho 105 obras registradas e nunca imaginei que uma obra pública pudesse ser realizada com tamanha desfaçatez, com tamanha falta de volume e de qualidade de serviços e que acabasse em tanto prejuízo para a população – afirmou Crivella, em nota divulgada pela prefeitura.

No mesmo comunicado, o secretário municipal de Infraestrutura e Habitação, Sebastião Bruno, citou alguns dos erros mais graves cometidos na obra

“Em todas as inspeções, encontramos material encharcado, o que não pode acontecer, porque vai propiciar deformações. A drenagem cai para dentro da pista, o que é um equívoco, porque a água acumulada da chuva vai criar rachaduras e comprometer a estrutura do pavimento. Essa estrutura estava com espessuras abaixo do determinado no projeto. Isso demonstra a realização de uma obra sem critério técnico, sem fiscalização, sem qualidade e sem obedecer ao projeto” – disse.

Já, o secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Roberto Nascimento, destacou, segundo a mesma nota, o uso de material inadequado pelas empresas que executaram o serviço no BRT Transoeste

“Encontramos os mais variados problemas. A deformação na calha do BRT é resultado de um pavimento flexível executado fora das especificações, o que gera trincas e outras deformações na pista. Os agentes externos, responsáveis pela degradação do pavimento, são as cargas, o tráfego e as intempéries. Os agentes internos são a concepção errada do projeto, a má execução, o uso de materiais inadequados e a falta de conservação. Tudo isso pode ocasionar esses problemas que constatamos nas inspeções”

O cálculo do possível prejuízo ainda vai ser realizado no caso no BRT Transoeste.

As inspeções ocorreram nos seguintes pontos:

  1. Estação Cetex – pista sentido Santa Cruz;
  2. Estação Embrapa – pista sentido Santa Cruz;
  3. Estação Magarça – pista sentido Santa Cruz, próximo ao Posto Shell;
  4. Estação Pingo D´Água – pista sentido Alvorada;
  5. Estação Magarça – pista sentido Alvorada;
  6. Estação Magarça – Avenida Dom João VI, sentido Alvorada, próximo ao Bar 280;
  7. Estação Magarça – Avenida Dom João VI, sentido Alvorada, próximo ao nº 35.425 – trecho sem deformação, com sinais de desgaste em asfalto;
  8. Estação Pontal – pista sentido Alvorada, próximo à Kia Motors;
  9. Estação Pontal – pista sentido Santa Cruz, próximo à Kia Motors;
  10. Estação Américas Park – após a estação, sentido Santa Cruz, próximo ao Condomínio Mundo Novo.

TRANSCARIOCA:

No dia 16 de outubro, a prefeitura do Rio de Janeiro já havia anunciado que encontrou irregularidades nos 39 km do BRT Transcarioca.

Segundo a gestão Crivella, o prejuízo com o Transcarioca supera R$ 500 milhões, dos quais R$ 110 milhões em serviços e materiais e R$ 400 milhões referentes aos aditivos do contrato, feitos sem que a obra estivesse de acordo com o previsto.

Tanto o Transcarioca como o Transoeste foram construídos na gestão do antecessor e rival político de Crivella, Eduardo Paes, que disputa o governo do estado do Rio.

Os locais inspecionados no Transcarioca foram:

  1. Estação Ibiapina – pista sentido Madureira;
  2. Estação Otaviano – pista sentido Madureira;
  3. Estação Capitão Menezes – pista sentido Taquara;
  4. Estação Integração UFRJ – Av. Brigadeiro Trompowisk – Ilha do Governador;
  5. Estação Terminal Alvorada – pista entre a Cidade das Artes e o Bosque da Barra;
  6. Estação Pedro Correa – pista sentido Barra da Tijuca, próximo à Academia Vittoria Crossfit e Lutas e ao número 1.175;
  7. Estação Pedro Correa – pista sentido Barra da Tijuca, próximo à Estrada dos Bandeirantes;
  8. Estação Pedro Correa – pista sentido Taquara, próximo ao Posto BR da Av. Embaixador Abelardo Bueno;
  9. Estação Vaz Lobo – Av. Ministro Edgard Romero, em frente ao número 852, sentido Estação Vaz Lobo;
  10. Estação Pastor José Santos – Av. Brás de Pina, sentido Madureira.

Segundo a nota, a prefeitura determinou as inspeções nos BRTs após ação na Justiça das empresas que operam os corredores cobrando da administração municipal o prejuízo gerado na manutenção dos ônibus por causa das quebras constantes devido às más condições de pavimento.

A gestão Crivella também levou em conta o depoimento do ex-secretário municipal de Obras da gestão Eduardo Paes, Alexandre Pinto, que admitiu ao juiz Marcelo Bretas, no âmbito da Operação Lava-Jato, o recebimento de propina no valor de 3% em diversos contratos da Prefeitura, entre eles o do corredor Transcarioca. Alexandre Pinto foi condenado a 23 anos, cinco meses de prisão e dez dias de prisão.

Na nota, a prefeitura ainda diz que vai cobrar explicações e a realização de reparos das empreiteiras OAS, Carioca Engenharia e Contern (responsáveis pelo Transcarioca) e das construtoras responsáveis pelo Transoeste: EIT Engenharia, substituída depois pela Globo Construções e Terraplanagem LTDA (no Lote Zero); Odebrechet Engenharia Ltda (Lotes 1 e 2); SaneRio Construções Ltda (Lote 3); SaneRio Construções Ltda e Mascarenhas Barbosa Roscoe S/A Construções (Lote 4).

Veja a nota:

As investigações nos corredores Transcarioca e Transoeste foram determinadas pelo prefeito Crivella após o consórcio do BRT ter entrado na Justiça contra o município, alegando prejuízos nos ônibus por problemas nas pistas. E também depois de ser divulgado na mídia o depoimento do ex-secretário municipal de Obras da gestão anterior Alexandre Pinto. Ao juiz Marcelo Bretas, Pinto admitiu ter recebido 3% de propina em diversos contratos da Prefeitura, entre eles o do corredor Transcarioca. Na última segunda-feira (15/10), Alexandre Pinto foi condenado a 23 anos de prisão, dentro das investigações da operação “Mãos à Obra”, desdobramento da operação “Lava Jato”. bO prefeito determinou a convocação das empreiteiras envolvidas na construção do BRT Transcarioca, para que o município seja ressarcido. São elas: Andrade Gutierrez e Consórcio Transcarioca, formado por OAS, Carioca Engenharia e Contern. No caso do BRT Transcarioca, a obra ainda está na garantia, situação diferente do BRT Transoeste. Mesmo assim, as empresas responsáveis pela obra também serão convocadas pela Prefeitura a se explicar e a apresentar um plano de ressarcimento ao município. As empresas do Transoeste são as seguintes: EIT Engenharia, substituída depois pela Globo Construções e Terraplanagem LTDA (no Lote Zero); Odebrechet Engenharia Ltda (Lotes 1 e 2); SaneRio Construções Ltda (Lote 3); SaneRio Construções Ltda e Mascarenhas Barbosa Roscoe S/A Construções (Lote 4). As empresas serão chamadas a refazer a obra dentro das especificações corretas. Caso se recusem, a Procuradoria Geral do Município poderá entrar com ação na Justiça para cobrar dos responsáveis pela obra ressarcimento aos cofres públicos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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