Estação do BRT do Rio tem 200 metros de fios furtados por criminosos

Publicado em: 22 de agosto de 2020

Quadro de distribuição arrombado

Estação Morro do Outeiro passou a funcionar de forma precária devido à ação. Há 21 estações fechadas desde 2018

ADAMO BAZANI

Uma ação criminosa dificulta a situação de quem precisa usar o BRT no Rio de Janeiro neste sábado, 22 de agosto de 2020.

De acordo com o Consórcio BRT Rio, criminosos furtaram cerca de 200 metros de cabos de energia da estação Morro do Outeiro, no corredor Transolímpica.

Segundo o consórcio operador, a Light já foi acionada, mas até o meio da tarde deste sábado não havia previsão de retomada da energia. A estação funciona, mas de forma precária.

Em nota ao Diário do Transporte, o BRT Rio diz que a falta de segurança pública tem sido um dos maiores problemas no sistema. Desde abril, cerca de 100 estações foram alvo de vândalos e bandidos. Há ainda 21 estações fechadas desde 2018 por causa violência.

O BRT Rio está muito preocupado com a segurança dos usuários, por causa da falta de luz na estação. A Polícia Militar já foi informada, para que reforce a presença de agentes do Programa Estadual de Integração de Segurança (Proeis) no local. O BRT Rio também avisou à Secretaria Municipal de Transportes e espera que a Guarda Municipal auxilie no patrulhamento.

Desde abril, cerca de 100 estações foram alvo de vândalos e bandidos e, atualmente, o BRT Rio tem um total de 34 estações fechadas por causa de vandalismo e/ou furtos de equipamentos. As que foram fechadas em razão da pandemia não apresentam condições para reabertura porque foram depredadas.

Há ainda 21 estações fechadas desde 2018 por conta de vandalismo e violência. São a estação Otaviano (corredor Transcarioca) e outras 20 que se localizam no eixo da Cesário de Melo (corredor Transoeste).  – diz a nota.

BRT RIO, UMA BOA SOLUÇÃO QUE SOFRE COM EXTERNALIDADES DESDE O INÍCIO:

O sistema de corredores de ônibus do Rio de Janeiro, alavancados pelas Olimpíadas de 2016, trouxe inegáveis melhorias na mobilidade da capital. Em alguns trechos, o tempo de viagem caiu até 65%.

Mas situações externas à escolha do meio de transporte têm deteriorado os serviços.

Um dos primeiros pontos foi o preparo do solo e as soluções de engenharia. Uma auditoria da gestão do prefeito Marcelo Crivella em outubro de 2018 apontou que o projeto original e o que estava previsto em contrato não foram seguidos. Em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a prefeitura, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

O solo não recebeu a compactação correta e, em alguns trechos, foi escolhido asfalto em vez de concreto, que é mais adequado para o peso dos ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/22/crivella-denuncia-irregularidades-em-outra-obra-do-brt/

Além dos problemas físicos, que interferem na manutenção dos veículos, há também as questões financeiras. O Consórcio BRT reiteradas vezes reclamou do custeio do sistema, que sofre interferências como do transporte clandestino e da evasão de receitas pelo fato de muitos passageiros não pagarem mesmo não tendo direito a gratuidades. As readequações de linhas para alimentarem o BRT também tiveram equívocos e não foram concluídas ainda.

As ações criminosas e o vandalismo também causam riscos à operação, ampliam os custos e reduzem a qualidade dos serviços. Constantemente estações são alvos de ataques, com furtos de equipamentos, depredações e até incêndios.

A Polícia Civil investiga a atuação do crime organizado em muitas destas ações.

Os ônibus dos BRTs começaram a tirar os passageiros das lotações, muitas delas ilegais, e, não generalizando, porém, não escondendo a realidade, são controladas por traficantes de drogas e milicianos, muitos dos quais ligados a policiais e até mesmo a políticos, apontam as investigações.

Desta forma, o atual estágio do BRT do Rio não pode ser usado como parâmetro nem para criticar e nem para defender este tipo de solução de transporte porque sofre com interferências de outras áreas externas ao transporte, como decisões equivocadas de engenharia, políticas tarifárias contestáveis e até de segurança pública.

O VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, outra boa solução que ajudou remodelar e qualificar as áreas onde foi instalado, não sofre com os mesmos problemas, mas não pode ser usado na comparação contra ou a favor do BRT, já que sua malha é muito pequena e atende mais as regiões central e portuária, onde há  maior infraestrutura e atuação das forças de segurança pública. O BRT, por sua vez, se estende a regiões mais afastadas do centro, cujos índices vulnerabilidade social e os indicadores de violência são bem mais desfavoráveis.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. triste. Creio que em quase todas capitais isso vem ocorrendo por causa de consumidores de drogas (maior indice), buscar dinheiro a qualquer termo para pagar o que consome fiado ás vezes, se não pagar ..morre,

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