SPTrans diz que remuneração maior às empresas de ônibus apontada por TCM se deve a efeitos da pandemia, como oferta superior à demanda

Publicado em: 28 de julho de 2020

Demanda caiu, diz SPTrans

Órgão de contas mostrou que, em alguns casos, valores recebidos chegaram a ultrapassar em 500% a tarifa técnica prevista inicialmente em contratos. Frota parada é remunerada também. Gerenciadora fala ainda em manutenção de empregos

ADAMO BAZANI

A SPTrans – São Paulo Transporte informou no início da noite desta terça-feira, 28 de julho de 2020, que a pandemia da Covid-19 provocou impactos no financiamento e manutenção do sistema de ônibus da capital paulista.

Em resposta ao Diário do Transporte, sobre a matéria que trouxe análise do TCM – Tribunal de Contas do Município apontando que, em alguns casos, a remuneração às empresas de ônibus ultrapassou 500% os valores das tarifas-técnicas previstas inicialmente nos contratos, a SPTrans diz que a demanda está inferior à oferta para manutenção do distanciamento social seguro. Além disso, a frota parada está sendo remunerada, para que possa ser usada a qualquer momento, o que manteria também empregos na categoria dos transportes.

Além disso, a gerenciadora diz que a análise pela remuneração por passageiro pode causar distorção porque a demanda está baixa e que se coloca à disposição do TCM. (Veja abaixo na íntegra).

A reportagem mostrou na tarde desta terça-feira, 28, nota técnica oficial do TCM que revela que a remuneração às empresas de ônibus da cidade de São Paulo, em alguns casos, superou 500% a tarifa-técnica inicial prevista em contrato no primeiro trimestre deste ano, pressionando os subsídios para o segundo trimestre.

Segundo a análise do TCM, em geral, os valores de remuneração superaram em mais de 100% a tarifa-técnica, mas foram registrados pagamentos 500% maiores.

Os ajustes foram automáticos, com base em regras de contrato.

De acordo com a nota técnica do órgão de contas, informada nesta terça-feira, 28 de julho de 2020, os principais motivos de os valores subirem nestas proporções são:

– a diminuição de passageiros provocada pela pandemia e a consequente queda na arrecadação tarifária,

– regras de transição previstas nos novos contratos (que foram assinados em setembro de 2019),

– subvenção econômica estabelecida pela PMSP (Prefeitura Municipal de São Paulo) para os transportes devido à redução da frota de ônibus em circulação.

Mesmo assim, segundo a análise do TCM, a despesa liquidada para o setor de transporte no 1º trimestre foi 41% inferior ao mesmo período de 2019. Foram liquidados R$ 689 milhões nos três primeiros meses deste ano ante R$ 973 milhões no primeiro trimestre do ano passado Quadro este que deve mudar no 2º semestre por causa do aumento dos subsídios.

Veja a matéria com o documento oficial do TCM neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2020/07/28/valores-de-remuneracao-as-empresas-de-onibus-de-sao-paulo-chegaram-a-superar-500-a-tarifa-tecnica-contratada-diz-relatorio-do-tcm/

A SPTrans informa que a pandemia de Covid-19 resultou em expressiva redução da demanda transportada pelo sistema municipal de transporte público coletivo, enquanto a frota disponibilizada para o serviço não foi reduzida na mesma proporção, como forma de manter o nível adequado de ocupação, atendendo os protocolos sanitários recomendados pelas autoridades.

Além disso, o Poder Público buscou preservar os empregos e o sistema de transporte público, remunerando custos fixos da frota parada, que deve estar disponível para o restabelecimento da oferta de serviços, inclusive custos de pessoal. Diante disso, a análise pela perspectiva de remuneração por passageiro fica distorcida, pois configura situação de baixa demanda com oferta de serviços acima do nível de demanda, além dos custos adicionais com a frota parada.

Ainda assim, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e a SPTrans seguem à disposição do TCM para prestar os esclarecimentos que julgarem necessários.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. RodrigoZika disse:

    Transporte que se diz publico, que e operado por empresas privadas que visam lucro, onde isso faz sentido?

  2. Jorge Henrique Balsalobre disse:

    Pagar para uma parte da frota ficar parada?
    500% de remuneração?
    Isso me parece no mínimo um absurdo.

  3. Pedro disse:

    Se a frota parada esta sendo remunerada porque não poem pra rodar?, esse governo so visa o lucro dos empresários, a marca deste governo e menos ao povo e mais aos empresários, pagar ônibus parada não me parece uma coisa legal.

  4. Marcos disse:

    O contrato das empresas com a prefeitura não paga por passageiro, ela paga pelo trabalho, e o trabalho envolve todo o custo do transporte!
    Ela paga pela frota e manutenção (desvalorização dos ônibus por ano) pelo combustível (por viagem feita) por hora de trabalho dos motoristas, pela garagem e vários outros itens tudo que envolve o custo do transporte + 9,1 porcento de lucro!
    Isso implica dizer que quanto mais passageiro a empresa transportar mais barato fica a passagem, quanto menos mais cara!
    O preço do passageiro transportado, pela quantidade normal hoje vira em torno de R$2,15!
    É uma faca de dois gumes, quando tem muito passageiro ela ganha, quando diminuí o numero de passageiros ela perde, no caso ela perdeu, mas ela teve que honrar o contrato!
    A frota parada foi economia para a prefeitura, pois se a frota estive se rodando ela teria que pagar por todos os custo, com ela parada ela só pagou pela desvalorização e manutenção da frota parada, que é muito mais barato!

  5. Marcos disse:

    Faz sentido quando é operado por funcionários privados, pois se fossem funcionários públicos custaria muito mais caro, e também dessa forma a prefeitura diz quanto custa e o empresario é preciso rebolar para trabalhar dentro ou abaixo desse custo, e eu tenho um ônibus no sistema ex cooperativa, e esses custos estão muito enxutos!

  6. Daniel disse:

    Mais dinheiro para as empresas… motoristas sem trabalhar, e outros com jornada reduzida…ou seja… só lucro…

  7. Luiz gonzaga Neto disse:

    Se a prefeitura está pagando pra frota ficar parada, a spttrans deveria obrigar a cooperativa pagar o salário justo para os motoristas que trabalhão muitas vezes 12 horas por dia sem ganhar nada mais por isso.

  8. Marcos disse:

    E as vezes ficava uma semana parado recebendo, sem nem um desconto! kkkk

  9. Sergio Moreira disse:

    É verdade sou motorista estou trabalhando numa jornada que só aos fins de semana trabalho e o salário vai vir uma beleza bem reduzido assim como o vale que veio só 30 % do valor .
    As contas não baixam o valor né

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