Cachoeirinha (RS) antecipa compra de VT para socorrer concessionária do transporte municipal

Publicado em: 6 de julho de 2020

Ônibus da Transbus, que atua no transporte urbano de Cachoeirinha. Foto: Gabriel da Silva Ristow

Número de passageiros caiu 75% durante pandemia de coronavírus

ALEXANDRE PELEGI

A prefeitura de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, fez na prática o que empresas do setor de transporte coletivo urbano vêm sugerindo como medida emergencial para evitar um colapso do sistema diante da queda de passageiros verificada após a pandemia de coronavírus.

O município adiantou a compra de Vale-Transporte do funcionalismo no valor de R$ 110 mil referente ao mês de agosto. Mas apesar de importante, o movimento pouco ajudará no médio prazo, apenas adiará o problema por algumas semanas.

A empresa Transbus, que atua no transporte municipal, usará o dinheiro para completar o pagamento dos funcionários.

Como o valor total da folha salarial alcança R$ 240 mil, a empresa terá de recorrer a um empréstimo.

A solução, por ser paliativa e não resolver o problema, leva a empresa a pleitear a concessão de um subsídio mensal para compensar os prejuízos acumulados em função das gratuidades e das medidas restritivas determinadas pela prefeitura e pelo Estado diante do enfrentamento ao coronavírus.

Ações emergenciais vêm se repetindo em várias cidades brasileiras. Em alguns casos, a Câmara tem aprovado o pagamento de subsídio ao transporte em caráter emergencial durante a pandemia.

Recentemente, como divulgado pelo Diário do Transporte, a prefeitura de Santo Antônio da Patrulha, no interior do Rio Grande do Sul, conseguiu aprovação da Câmara Municipal para a concessão de subsídio para as 07 empresas de ônibus que atendem o transporte local. Relembre: Santo Antônio da Patrulha (RS) aprova projeto de subsídio ao transporte público

Segundo relatado ao Diário do Transporte por Clíferson Pelisson, gerente operacional da Transbus, a empresa perdeu cerca de 75% do número de passageiros transportados. De 12 mil/dia, a média caiu para 3 mil/dia, com o agravante de que cerca de 700 desses passageiros não pagam a tarifa.

Com um sistema operado predominantemente pelo setor privado, mas financiado exclusivamente com a tarifa paga pelos usuários pagantes, todas as empresas de transporte urbano estão sofrendo uma crise jamais vista no setor.

Ainda segundo Clíferson Pelisson, o dinheiro arrecadado com as passagens sequer cobre os custos básicos da folha e do óleo diesel, que somam R$ 310 mil mensais.

Como tem mostrado o Diário do Transporte, há algumas propostas que vêm sendo encaminhadas ao Governo Federal para evitar um colapso certo no transporte urbano. Há desde medidas encaminhadas pelo Congresso Nacional, até sugestões feitas por associações de prefeitos e entidades representativas do setor. Leia mais:

Relembre: Projeto de Lei no Senado reforça pedido de criação do Programa Emergencial de ajuda ao transporte público

Frente Nacional de Prefeitos reforça proposta emergencial para o Transporte Público

NTU, Fórum de Secretários e ANTP propõem ao Governo Federal compra imediata de passes de ônibus na ordem de R$ 2,5 bilhões/mês

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Patrique Pocharschi disse:

    Não só por decorrência da pandemia, mas tbm pelo péssimo serviço prestado a comunidade. Cansei de ficar mais de uma hora na parada esperando ônibus, e sem falar no valor absurdo da passagem. Vale muito mais a pena chamar um motorista de aplicativo do que andar de ônibus em Cachoeirinha.

  2. Alexandre disse:

    O indigesto STF deu poder a este bando de irresponsáveis dos gestores estaduais e municipais decidirem sobre o isolamento social, não poderia ser diferente, mataram a economia, destruíram empresas, tudo com o objetivo de manter este estado de pandemia, caos social e o terreno propício para a corrupção, assunto notório no país inteiro, bandidos eleitos e com um povo idiota como o brasileiro só podíamos ser a República das bananas.

  3. DENIS ROLLOS disse:

    Mas é obvio que iria diminuir o movimento, afinal tiraram 70% dos ônibus de circulação. Ninguém quer ficar mofando nas paradas.

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