Interferência da gestão Covas em linhas da EMTU do Alto Tietê prejudica 70 mil pessoas por dia, diz empresa de ônibus
Publicado em: 5 de junho de 2020
Segundo Radial Transporte, para compensar foram feiras alterações em linhas municipais de Ferraz de Vasconcelos com reforço de horários e alterações em itinerários
ADAMO BAZANI/ALEXANDRE PELEGI
A extinção de linhas metropolitanas da EMTU na região do Alto Tietê, por determinação da prefeitura de São Paulo, tem prejudicado diariamente em torno de 70 mil pessoas.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 05 e junho de 2020, em nota enviada ao Diário do Transporte pela Radial Transporte Coletivo Ltda, do Consórcio Unileste, operadora de parte das linhas que foram paralisadas.
Como mostrou o Diário do Transporte, após ordem da Prefeitura de São Paulo, a EMTU paralisou 12 linhas de ônibus em 26 de maio de 2020. Os itinerários operam em Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Poá, Embu-Guaçu, Taboão da Serra e Juquitiba, na Grande São Paulo. As linhas são 282, 016, 029TRO, 009TRO, 205, 026, 328, 344, 575, 577, 595 e 460. Já as linhas 044TRO – São Paulo (Jardim Castelo) – Diadema (centro) e 377 Poá (Jd. Nova Poá) – São Paulo (Parque Artur Alvim) tiveram os trajetos reduzidos.
O Consórcio Unileste operava as linhas 377TRO e 460TRO. Em nota, a empresa afirma que os passageiros foram “deixados na mão” e o custo do trajeto aumentou devido à necessidade de seguir a viagem em ônibus municipais da capital paulista. Não há integração tarifária entre EMTU (metropolitano) e SPTrans (capital) e os cartões de transportes são diferentes: BOM (metropolitano) e Bilhete Único (capital).
“Quem depende dos ônibus das linhas 377TRO – Poá e 460TRO – Ferraz Vasconcelos para acessar a rede metroferroviária por meio do terminal Corinthians-Itaquera acabou, literalmente, na mão. Agora, para realizar o mesmo percurso, o trabalhador encontra uma série de transtornos e ainda paga mais caro por isso, pois é obrigado a usar ônibus metropolitanos e municipais da Capital sem integração tarifária entre EMTU (metropolitano) e SPTrans (municipal).”
A empresa Radial, que integra o Consórcio Unileste e que também opera linhas municipais de Ferraz de Vasconcelos, prosseguiu a nota dizendo que teve de readequar os trajetos e horários na cidade da Grande São Paulo.
Em decorrência da paralisação, a empresa Radial Transporte reforçou o atendimento das linhas municipais de Ferraz de Vasconcelos, com acréscimo de carros e alteração de itinerário para amparar a população que necessita de transporte coletivo.
Um motorista e morador da cidade de Ferraz de Vasconcelos tomou a iniciativa diante da situação e iniciou um abaixo-assinado no site change.org, pedindo o retorno dos itinerários: “Eu conheço muitas pessoas que dependem destas linhas para ir trabalhar, inclusive amigos e parentes. Agora, a situação ficou bastante complicada”, afirma.
A nota da Radial explica que a decisão de reivindicar por melhorias surgiu quando Evandro presenciou os passageiros continuando o trajeto a pé: “Eu vi, inclusive, pessoas descendo na estação Artur Alvim e caminhavam até a estação Patriarca-Vila Ré (um percurso de 2,5 quilômetros) para economizar na passagem. Isso é um absurdo e um descaso com a população”.
Em menos de 24 horas desde sua criação, o abaixo-assinado já estava com 528 apoiadores, 950 visualizações e 182 compartilhamentos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes informou que a linha 460TRO Ferraz de Vasconcelos – Parque Artur Alvim será descontinuada, também cumprindo determinação da Prefeitura Municipal de São Paulo contida na Portaria SMT.GAB nº 074/2020. Segundo pronunciamento, a EMTU teria deixado de cumprir obrigações administrativas junto a SMT, dentro do prazo previsto. A opção para os passageiros será a utilização de linha municipal de Ferraz de Vasconcelos com transbordo para a CPTM.
Recentemente, as linhas metropolitanas afetadas por determinações da prefeitura de São Paulo são:
LINHAS QUE DEIXARAM DE OPERAR
De Taboão da Serra:
– 029 Taboão da Serra (Jardim Monte Alegre) – São Paulo (Pinheiros)
De Ferraz de Vasconcelos:
– 460 Ferraz de Vasconcelos (Vila São Paulo) – São Paulo (Parque Artur Alvim)
De Guarulhos:
– 344 Guarulhos (Parque Alvorada) – São Paulo (Metrô Penha)
– 016 Guarulhos (Terminal Urbano Guarulhos) São Paulo (Metrô Armênia)
– 575 Guarulhos (Terminal Urbano) – São Paulo (Metrô Armênia
– 577 Guarulhos (Jardim Ipanema) – São Paulo (Metrô Armênia)
– 595 Guarulhos (Terminal Metropolitano Taboão) – São Paulo (Metrô Brás)
De Poá:
– 026 Poá (Term. Rod. Jd. São José) – São Paulo (São Miguel Paulista)
– 205 Poá (Terminal Rodoviário Pedro Fava Cidade Kemel) / São Paulo (Pq. D. Pedro II)
– 328 Poá (Term. Rod. Jd. São José) – São Paulo (São Mateus)
De Embu-Guaçu
– 009 Embu-Guaçu (Vila Louro) – São Paulo (Santo Amaro)
De Juquitiba:
– 282 Juquitiba (Terminal Rodoviário Metropolitano) São Paulo (Metrô Morumbi)
LINHAS COM O ITINERÁRIO REDUZIDO:
– 044TRO – São Paulo (Jardim Castelo) – Diadema (centro): A decisão exclui o percurso da referida linha na capital
– 377 Poá (Jd. Nova Poá) – São Paulo (Parque Artur Alvim), passou a ir apenas até á Estação Antonio Gianetti Neto da CPTM, em Ferraz de Vasconcelos.
Além dos abaixo-assinados, a extinção das linha gerou também dois pedidos de esclarecimentos por parte de deputados da Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, um pelo deputado José Américo (PT) e outro pelo deputado José Aprigio da Silva (PODEMOS)
Relembre:
Mais um deputado questiona extinção de 12 linhas da EMTU por determinação da prefeitura de São Paulo
O secretário de mobilidade e transportes da cidade de São Paulo, Edson Caram, afirmou que a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) não convenceu a secretaria municipal de que 12 linhas de ônibus intermunicipais extintas deveriam ser mantidas.
De acordo com o secretário da gestão Bruno Covas, não poderia continuar ocorrendo a sobreposição e o ”pinga-pinga” que estavam acontecendo dentro da cidade de São Paulo entre os ônibus metropolitanos e os municipais.
“Tinha mais de 100 linhas em estudo e análise. Em relação a essas 12 linhas, a EMTU não conseguiu nenhum tipo de justificativa que fizesse com que a SPTrans e a secretaria de transportes concordassem que essa sobreposição existisse. A população que usava essas linhas não vai ficar desatendida, pois vai ter o transporte do município de São Paulo à disposição para isso. O que não podia era continuar essa sobreposição e o pinga-pinga que estava acontecendo dentro da cidade de São Paulo”, disse o secretário.
A declaração foi feita em entrevista aos portais de mobilidade Diário do Transporte, Diário dos Trilhos e Via Trólebus. Procurada, a EMTU não se manifestou sobre a declaração.
Relembre:
Em nota, no primeiro dia da divulgação das 12 linhas extintas, a secretaria municipal informou que as alterações mencionadas são resultado de análise iniciada em setembro de 2019 e que a área de Planejamento da EMTU participou de reuniões técnicas antes da conclusão dos estudos. A pasta também informou que os passageiros não ficarão desatendidos uma vez que poderão utilizar o transporte público na capital e que, de acordo com o Decreto 57.867, de 12 de setembro de 2017, são suas atribuições estudar, planejar, gerir, integrar, fiscalizar e controlar os transportes individuais e coletivos no município de São Paulo.
Mas em uma postagem em redes sociais, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, sem mostrou insatisfeito com a postura da prefeitura.
Primeiro quero esclarecer que a Constituição Federal prevê que as Prefeituras no Brasil tem a prerrogativa das políticas públicas do transporte público. Buscamos diálogo nestas medidas, demonstramos a importância de cada operação aos gestores municipais, mas não fomos atendidos.” – escreveu Baldy.
Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes



Adamo / Alexandre, faltou citar uma segunda linha de Taboão da Serra que teve o itinerário reduzido; a linha 190 saia do bairro São Judas e ia até o metrô Conceição, passando pela região da Cidade Jardim e Av. Dos Bandeirantes. Não há nenhuma linha na região que dê acesso a Av. dos Bandeirantes ou ao seu entorno, como Vila Olímpia, Moema e região do Aeroporto de Congonhas.