Mais um deputado questiona extinção de 12 linhas da EMTU por determinação da prefeitura de São Paulo

Publicado em: 3 de junho de 2020

Passageiros dizem que por não haver integração, custo de viagem ficou maior

Já é o segundo requerimento com base em reportagem do Diário do Transporte e em reclamações de passageiros que se sentiram prejudicados

ADAMO BAZANI

A extinção de 12 linhas gerenciadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos por determinação da prefeitura de São Paulo continua gerando insatisfações e contestações.

As linhas são as 282, 016, 029TRO, 009TRO, 205, 026, 328, 344, 575, 577, 595 e 460. Os trajetos partiam de cidades como Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Poá, Embu-Guaçu, Taboão da Serra e Juquitiba, na Grande São Paulo. A paralisação ocorreu no dia 26 de maio de 2020.

Mais um deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo propôs um requerimento questionando o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Blady, sobre os cortes.

Desta vez, foi deputado José Américo (PT).

E novamente, uma das dúvidas é sobre a competência da prefeitura para  interferir em linhas metropolitanas.

“O Município tem poder absoluto para determinar a extinção das linhas intermunicipais? O Estado não tem competência concorrente para dirimir questões atinentes à continuidade das linhas intermunicipais? Haverá ônus estatal com a interrupção destas linhas. Encaminhar relatório documental que comprove a resposta”

Os passageiros atualmente estão sendo obrigados a usar ônibus metropolitanos e depois os municipais da capital paulista. Mas não há integração tarifária entre EMTU (metropolitano) e SPTrans (municipal) e os custos dos trajetos aumentaram.

O deputado quer saber se haverá alguma espécie de compensação tarifária para estes passageiros.

Está prevista alguma compensação tarifária para os usuários das linhas paralisadas? Em caso positivo o Estado garantirá algum tipo de integração em outra linha a ser utilizada para esses usuários? Remeter acervo documental que garanta a comprovação das informações prestadas.

O Diário do Transporte mostrou que, com o mesmo entendimento, o deputado José Aprigio da Silva (PODEMOS) propôs requerimento a Baldy também questionando o corte de linhas. Na ocasião, o parlamentar chegou a usar o link de umas das reportagens do Diário do Transporte sobre o tema.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/05/29/alesp-questiona-secretario-de-doria-sobre-extincao-de-linhas-metropolitanas-por-determinacao-da-prefeitura-de-sao-paulo/

Nesta terça-feira, 02 de junho de 2020, em entrevista a portais de mobilidade, entre os quais o Diário do Transporte, o secretário municipal de mobilidade e transportes, Edson Caram, disse que a EMTU não demonstrou que as sobreposições destas linhas metropolitanas com as da SPTrans tinham necessidade de continuar.

Em nota, no dia da divulgação dos cortes, a secretaria municipal informou que as alterações mencionadas são resultado de análise iniciada em setembro de 2019 e que a área de Planejamento da EMTU participou de reuniões técnicas antes da conclusão dos estudos. A pasta também informou que os passageiros não ficarão desatendidos uma vez que poderão utilizar o transporte público na capital e que, de acordo com o Decreto 57.867, de 12 de setembro de 2017, são suas atribuições estudar, planejar, gerir, integrar, fiscalizar e controlar os transportes individuais e coletivos no município de São Paulo.

Mas em uma postagem em redes sociais, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, sem mostrou insatisfeito com a postura da prefeitura.

Primeiro quero esclarecer que a Constituição Federal prevê que as Prefeituras no Brasil tem a prerrogativa das políticas públicas do transporte público. Buscamos diálogo nestas medidas, demonstramos a importância de cada operação aos gestores municipais, mas não fomos atendidos.” – escreveu Baldy.

As linhas extintas foram:

De Taboão da Serra:

– 029 Taboão da Serra (Jardim Monte Alegre) – São Paulo (Pinheiros)

De Ferraz de Vasconcelos:

– 460 Ferraz de Vasconcelos (Vila São Paulo) – São Paulo (Parque Artur Alvim)

De Guarulhos:

– 344 Guarulhos (Parque Alvorada) – São Paulo (Metrô Penha)

– 016 Guarulhos (Terminal Urbano Guarulhos) São Paulo (Metrô Armênia)

– 575 Guarulhos (Terminal Urbano) – São Paulo (Metrô Armênia

– 577 Guarulhos (Jardim Ipanema) – São Paulo (Metrô Armênia)

– 595 Guarulhos (Terminal Metropolitano Taboão) – São Paulo (Metrô Brás)

De Poá:

– 026 Poá (Term. Rod. Jd. São José) – São Paulo (São Miguel Paulista)

– 205 Poá (Terminal Rodoviário Pedro Fava Cidade Kemel) / São Paulo (Pq. D. Pedro II)

– 328 Poá (Term. Rod. Jd. São José) – São Paulo (São Mateus)

De Embu-Guaçu

– 009 Embu-Guaçu (Vila Louro) – São Paulo (Santo Amaro)

De Juquitiba:

– 282 Juquitiba (Terminal Rodoviário Metropolitano) São Paulo (Metrô Morumbi)

O Diário do Transporte mostrou também que um grupo de moradores de Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, fez um abaixo-assinado online contra o corte de uma linha da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).

O protesto é contra a extinção do itinerário 029 Taboão da Serra (Jardim Monte Alegre) – São Paulo (Pinheiros). A linha deixou de operar em 26 de maio de 2020, assim como outras 11.

De acordo com o abaixo-assinado, o itinerário da linha 068, apontada como alternativa pela EMTU, não contempla os moradores da região.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/06/02/moradores-de-taboao-da-serra-fazem-abaixo-assinado-contra-corte-de-linha-da-emtu/

Os questionamentos do deputado José Américo são:

1 -Em relação às linhas mencionadas, encaminhar estudos técnicos e normativos que comprovem documentalmente a conclusão da necessidade de alteração dos itinerários e quais as metas concretas que se pretende atingir para compensar a supressão das linhas e adequação nos trajetos por parte dos usuários. Quanto aos usuários, estes ficarão desatendidos pelo uso das linhas alternativas? Favor remeter a esta Casa Legislativa documentação detalhada que comprove a informação

2 – Quais são os estudos que fundamentam a utilização de linhas alternativas? Esses estudos contemplam a contento seus usuários?

3 – Quais as medidas adotadas para a devida comunicação aos usuários? E qual prazo de antecedência foi obedecido?

4 – É possível que a Secretaria Metropolitana de Transporte juntamente com a Prefeitura do Município de São Paulo apresente os estudos acerca da manutenção da mencionada linha de transporte metropolitano?

5 – O Município tem poder absoluto para determinar a extinção das linhas intermunicipais? O Estado não tem competência concorrente para dirimir questões atinentes à continuidade das linhas intermunicipais? Haverá ônus estatal com a interrupção destas linhas. Encaminhar relatório documental que comprove a resposta

6 – Quais foram os estudos e planejamentos que comprovaram a necessidade absoluta e imediata da suspensão? Quais as consequências que a não suspensão acarretaria? Remeter estudos técnicos, planejamentos e dados concretos que justifiquem a resposta 6 – Quais são os critérios operacionais adotados que fazem parte da rotina da Secretaria ao acompanhar diariamente a movimentação da demanda de passageiros no que diz respeito à manutenção da atualização do sistema nas mudanças decretadas e que atenda aos seus usuários?

7 – Está prevista alguma compensação tarifária para os usuários das linhas paralisadas? Em caso positivo o Estado garantirá algum tipo de integração em outra linha a ser utilizada para esses usuários? Remeter acervo documental que garanta a comprovação das informações prestadas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. JOAO LUIS GARCIA disse:

    Tratam-se de readequações de linhas devido as demandas, apenas isso

  2. vagligeiro disse:

    Se fosse “apenas isso”, não teria reclamações. Existem reclamações pois linhas de ônibus são serviços públicos dimensionados. O custo de um serviço público, se encarecido, dificulta a mobilidade da população. E toda redução ou retirada DEVE EXISTIR UMA COMPENSAÇÃO.

  3. vagligeiro disse:

    Se fosse parar pela lógica de a prefeitura tirar linhas devido a uma suposta “sobreposição”, então todas as prefeituras da RM deveriam fazer isso. A EMTU deixaria de existir e a operação de linhas seria apenas municipal. O Edson Caran (feio) fez uma feia desassociação.

    Se retira-se uma linha, ao menos deveria compensar com integração ao sistema de pagamentos municipal (BOM-BU) e também criar adequar as linhas municipais para atender a demanda outrora reprimida pelo corte.

    Noto a propósito que a cada corte de linha, a EMTU demonstra desinteresse no atendimento. Em partes entendo também que os empresários de transporte público – que ainda operam de forma “cartelizada” – estão perdidos nesta pandemia e interferem demais nas decisões públicas.

    A falta de uma maior transparência dos corpos públicos que DEVERIAM participar das conversas sobre tais interferências também soa estranho.

    Que nestas eleições municipais, as pessoas entendam (e votam) em pessoas que pensem no coletivo, na soma das pessoas nas cidades e regiões. Que os prefeitos futuros se unam para evitar situações como esta, e com isso pensem em projetos de transporte público que atendam sem perda de demanda.

  4. Diego da Rocha jandre disse:

    Eu não entendo o que o governo, tem tanto medo do prefeito da capital, sobre a retirada da linhas Sr governador está errado e deveria cobrar a EMTU, invés de tirar deveria tentar agilizar e organizar seria melhor.

    Uma sugestão seria criar um cinturão metropolitano de transporte, e criar integrações entre elas, igual ao modelo da Sptrans.

  5. Anselmo Souza Rosa dos Santos disse:

    Até que enfim alguém se mexeu contra o desmonte do transporte metropolitano intermunicipal. Infelizmente há uma rivalidade que não existe ao meu ver entre os ônibus intermunicipais e municipais quando o principal objetivo de ambos os sistemas deveria ser atrair o pessoal que usa carros/motos para seus deslocamentos. Foram excluídas da região de Poá/Ferraz (205. 328, 026 e 460) sem nenhuma contrapartida ao passageiro (integração gratuita seja com a SPTrans ou CPTM/Metrô) que deverá desembolsar mais dinheiro pros deslocamentos ou partir pro transporte individual.

  6. Tiago disse:

    que bom que alguém com algum poder teve o bom senso de questionar quela patifaria que tem sido feito em SP desde 2016. Várias e várias e várias “readequações” para obrigar os ônibus intermunicipais a terem ponto final nas imediações das fronteiras da cidade e quem vem de fora tem que pagar pelo ônibus municipal.
    Isso vem desde o primeiro dia dessa gestão. Isso é plano de governo.

    Para eles o ônibus da EMTU é invasor. Se o ônibus tem que cortar a cidade de SBC ao meio para vir para o centro de SP…problema de SBC. Mas em SP só pode vir até o sacomã.
    Qual a grande diferença?
    Sacanagem
    totalmente contrário ao conceito de região metropolitana

    mesma coisa as palhaçadas no metrô butantã e agora SPFW Morumbi

  7. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    Acho que a Prefeitura de São Paulo não deveria ter tanto poder assim sobre essas questões! Ha diferenças nas tarifas inclusive! E até hj, não existem integrações Físicas e Tarifárias entre Linhas da SPTrans e da EMTU! A nao ser no Terminal da SPTrans – SACOMÃ e no da EMTU – SÃO MATHEUS! Controlados respectivamente pela Prefeitura e pelo Estado.

  8. Alfredo disse:

    O atual prefeito de São Paulo já demonstrou sua incapacidade para administrar uma cidade como a nossa, medidas polêmicas e sem apoio provam que o prefeito e o governador são um pesadelo para nós pagadores de pesados impostos, a omissão do PSDB que ignora essa administração desastrosa será relembrada na próxima eleição

  9. Juliana Alves disse:

    As linhas de Guarulhos precisam voltar a circular, tiraram 5 linhas só daqui, vocês precisam rever isso precisa ser revisto precisamos dos ônibus inclusive no parque Cecap que vocês tiraram 3 linhas isso tá totalmente desproporcional a um bairro, é necessário para o nosso trabalho de ida e vinda, é necessário pois temos o hospital geral de Guarulhos, e depende desses ônibus. A necessidade desses ônibus são essenciais não é luxo. Precisamos que volte o 016, ao menos. Precisamos de um retorno positivo.

  10. RODRIGO S. disse:

    Olha já a anos que ocorre essa interferência da PMSP sobre as linhas intermunicipais e, que claramente é difícil entender o pq disso. Todos sabemos que os empresários de ônibus da capital eles vêem os ônibus intermunicipais como invasores mais afinal de onde que vem mesmo os trabalhadores pra movimentar essa cidade??? A anos não se faz um estudo de verdade sobre o transporte da capital e o que é mais estranho só a capital paulista que tem problemas nesse nível. Chega em Campinas a um consenso no transporte lá que é da Emtu, que a meu ver é uma péssima administradora assim com a SPTrans, e veja que gozado em várias capitais do país, e que sa do mundo, e regiões metropolitanas do estado a uma certa união no transporte, pq só na capital temos esse problema? Má administração com toda certeza, descaso da população e infelizmente falta de vontade pois afinal cm diz nas laterais dos ônibus da capital, transporte dever do estado e direito do cidadão. Falta integração da RMSP solicitada a anos por todos que utilizam transporte na capital e me desculpa organiza linha por sobreposição? Na capital o que mais tem é sobreposição de linha e nada se faz. Acorda povo tão querendo cagar na nossa cara e por a culpa na gente mesmo.

  11. agnaldo amaral disse:

    prefeitura de sp bruno covas se permanecer 2 mandatos a populacao paulista vai ter que se locomover de jegue tirou varias linhas da capital que davam muitos passageiro e deixou as que carregavam quase ninguem

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