Ar-condicionado em trens é mais eficiente contra Covid-19 que janelas abertas, segundo presidente da CPTM

Publicado em: 25 de maio de 2020

Segundo Moro, filtros ajudam na proteção contra a Covid-19. Foto: Adamo Bazani.

Pedro Moro afirmou ainda que medir temperatura de passageiros é ‘bastante complexo’

JESSICA MARQUES

O uso de ar-condicionado em trens é mais eficiente contra a propagação do novo coronavírus do que janelas abertas. A informação foi dita pelo presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Pedro Moro, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2020, em entrevista a portais de mobilidade, dentre os quais o Diário do Transporte.

“Os trens com as janelas lacradas têm ar-condicionado, que possuem diversos filtros muito mais eficientes na renovação do ar do que a janela aberta, uma vez que o vírus pode se espalhar de uma maneira mais fácil com a circulação do ar livre. O ar-condicionado com os filtros ajuda a situação do ar de uma maneira mais eficaz”, explicou Moro.

Além disso, o presidente da CPTM afirmou que medir a temperatura dos passageiros em um sistema em que se transporta milhares de pessoas diariamente, com um movimento concentrado nos picos, pode ser “bastante complexo”.

“Você precisa ter uma normatização muito específica disso vindo do estado para saber o que fazer com uma pessoa que apresente febre, por exemplo. Tudo isso precisa de protocolo balizado pelo Governo do Estado e Secretaria de Saúde para ser feito”, explicou.

“Todos os protocolos que temos utilizado e vamos utilizar a gente faz em conjunto com o Comitê de Prevenção ao Coronavírus. A gente não pode fazer nada da nossa cabeça, temos que estar embasados cientificamente para termos efetividade na resposta”, completou.

Leia também: Live: Os 28 anos da CPTM e o “pós-pandemia”

QUALIDADE DO AR

Em nota, a ABRAVA (Associação Brasileira de Ar Condicionado, Refrigeração, Ventilação e Aquecimento) informou recentemente que o vírus se propaga pelo ar por meio de gotículas suspensas no ar.

Assim, ambientes sem climatização, sem ventilação, ou mesmo sem manutenção adequada dos equipamentos são fatores insalubres, prejudiciais à saúde e improdutivos.

Intensificar serviços de manutenção preventiva conforme indicado no PMOC – Plano de Operação, Manutenção e Controle é uma das ações que visa garantir a segurança das pessoas. Em 2018, foi aprovada a Lei 13.589 referente ao PMOC do ar condicionado que apresenta parâmetros para a Qualidade do Ar, determinados pela Resolução do Ministério da Saúde – ANVISA, a RE-09/2003, que apresenta os níveis máximos de concentração dos poluentes mais conhecidos e de fácil detecção, entre eles, o índice de CO2 e quantidade de fungos”, explicou a associação.

“A resolução também apresenta os níveis aceitáveis de temperatura, umidade, velocidade do ar e fator de renovação. Entretanto, não há estudos ou evidências científicas de que estas medidas sejam suficientes para conter ou minimizar os efeitos da pandemia”, detalhou também.

Confira abaixo itens considerados pela ABRAVA como determinantes para que se garanta a qualidade do ar a ser respirado:

Renovação do Ar – ação que garante a ventilação e circulação do ar, além da diluição do ar no interior do ambiente, desta forma não permitindo a concentração de poluentes, fator que provoca agravos à saúde dos ocupantes;

Filtragem – ação que tem por objetivo reter partículas e micro gotículas, que podem carregar poluentes ou microrganismos como o SARS-CoV-2 (coronavírus);

Controle de temperatura e umidade – fatores de necessidade física que contribuem com a saúde das pessoas, assim como, também podem inibir a proliferação de determinados organismos como o coronavírus;

Monitoramento da qualidade do ar –   manter o nível de CO2 (dióxido de carbono) dentro dos índices determinados para ambientes é uma das formas de garantia da qualidade do ar respirado em ambientes.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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