Rodízio Municipal mais severo: Quase 550 mil registros de passagens a mais nos ônibus de São Paulo e só 1% de aumento no isolamento

Demanda de passageiros aumentou

Como mostrou o Diário do Transporte, algumas viagens, em especial nas zonas Leste e Sul estavam com veículos lotados. CPTM e Metrô tiveram demanda maior também

ADAMO BAZANI

O rodízio municipal de veículos mais severo, que entrou em vigor nesta segunda-feira, 11 de maio de 2020, na cidade de São Paulo, não fez o índice de isolamento subir significativamente, mas colocou nos ônibus das linhas municipais quase 550 mil registros de passagens a mais. Não significa que foram 550 mil pessoas, mas que houve 550 mil passagens nas catracas.

De acordo com dados divulgados pela SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus, na semana passada, a média diária da demanda era de 2,8 milhões de passageiros. Na segunda-feira, foi de 3,3 milhões.

A prefeitura de São Paulo disse que colocou mil ônibus a mais em circulação e 600 em bolsões para serem acionados, mas em alguns casos, o excesso de lotação não foi evitado. Leitores do Diário do Transporte relataram ônibus cheios em especial nos extremos da zona Leste e zona Sul.

As aglomerações devem ser evitadas e o transporte público é um dos ambientes de maior possibilidade de contágio, de acordo com especialistas de saúde de todo o mundo,

O rodízio tirou mais carros das ruas do que gente de circulação.

De acordo com o sistema de monitoramento por celulares do Governo do Estado de São Paulo, na segunda-feira da semana passada, o isolamento social foi de 48% e, nesta segunda-feira, 11, primeiro dia do rodízio, o índice subiu apenas 1%, indo para 49%.

Por meio de nota, a prefeitura de São Paulo, disse que a medida de deixar o rodízio mais rigoroso é necessária para aumentar o isolamento e que tirou 1,5 milhão de veículos de circulação das ruas

A Prefeitura de São Paulo informa que o rodízio emergencial, adotado por indicação dos especialistas da área de saúde, resultou em 1,5 milhão de veículos a menos circulando na capital nesta segunda-feira (11). O índice de isolamento social, que era de 46% na última sexta-feira, passou para 49%, situando-se dois pontos percentuais acima da média do Estado de São Paulo.

A demanda nos ônibus da cidade passou de 31% para 37%, o que representa um aumento de 6%. Esse percentual equivale a 540.000 embarques, totalizando 270 mil passageiros.

A Prefeitura reforça que o rodízio é uma medida necessária para ajudar a cidade a atingir índices entre 55% e 60%, marca fundamental para a curva de casos de Covid-19 ficar achatada e garantir que o sistema de saúde possa prestar o atendimento à população.

O tema foi parar na justiça.

Como mostrou o Diário do Transporte, no final da tarde desta terça-feira, 12, a juíza Celina Kiyomi Toyoshima da 4ª Vara de Fazenda Pública, do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, negou pedido de liminar movido pelo vereador Fernando Silva Bispo (Fernando Holiday) para suspender o rodízio de veículos mais severo na capital paulista.

Mas a ação não terminou e prefeitura vai ter de se manifestar.

A decisão, assim, poderá ser modificada.

“Sendo assim, prematuro o deferimento da liminar, que poderá ser revista após a vinda da contestação.” – escreveu a magistrada.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/05/12/justica-nega-pedido-de-suspensao-de-rodizio-mais-severo-na-capital-paulista/

A demanda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e do Metrô também ficou mais alta, crescendo entre 12% e 15%.

O rodízio foi divulgado pelo Prefeito Bruno Covas na quinta-feira da semana passada, após um documento ao qual a Secretaria de Mobilidade e Transportes (SMT) alegou ser falso, que definia como seria o rodízio. Menos de 24 horas depois, foi divulgado a nova medida que entrou em vigor nesta última segunda, praticamente idêntica ao documento.

A nova restrição a veículos gerou dúvida na população quanto a quem pode ou não se cadastrar, sobre multas e um “desconforto” entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo, por meio dos seus respectivos secretários de transportes, Alexandre Baldy e Edson Caram.

Baldy disse publicamente que não houve por parte do Caram comunicado que um novo rodízio seria criado, obrigando a pasta estadual a organizar o transporte, tanto trilhos como ônibus da EMTU, para receber um aumento da demanda.

No primeiro dia do rodízio a CPTM registrou aumento de 15% na demanda e o Metrô da cidade nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha um crescimento entre 12 a 13% na quantidade de pessoas transportadas.  A SPTrans registrou 10% de demanda nos ônibus municipais, o que significa 300 mil passageiros a mais.

O rodízio vale o dia todo (não somente no horário de pico) e em todas as vias da cidade.

Algumas categorias e veículos de serviços essenciais podem pedir dispensa da restrição.

Veja como neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2020/05/08/confira-quem-estara-livre-do-rodizio-de-veiculos-que-volta-mais-rigido-na-segunda-feira-11/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Gilvan disse:

    Uma viagem antes do rodizio ninguém fez pra comprovar que não foi esse rodizio que aumentou a quantidade de pessoas no transporte. Muita gente fala de da prioridade ao transporte público mas é só colocar um rodizio mais crítico que brota gente pra falar mal, tudo bem que no carro você “evita se contaminar” mas dizer que por conta do rodizio aumentou exorbitantemente a quantidade de pessoas no transporte é o maior engano.

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