EDITORIAL: A importância do Trabalhador que ama sua missão e cuida de vidas

Publicado em: 1 de maio de 2020

Neste momento tão desafiador, os bons profissionais fazem a diferença, mas nem sempre recebem a proteção que precisam

ADAMO BAZANI

Nesta sexta-feira, 01º de maio, é comemorado o Dia Internacional do Trabalho.

Agora, em época de pandemia, a data, que já tão especial, ganha novas visões e significados.

Neste momento, destacam-se atributos como delicadeza, o detalhe, o amor pela missão, a coragem e o cuidado pelas vidas.

É assim que atuam diariamente os trabalhadores de serviços essenciais que não podem parar no momento em que o mundo luta contra o avanço do novo coronavírus. São médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de exames, policiais, guardas, porteiros, bombeiros, funcionários de supermercados, de farmácias, feirantes, jornalistas, caminhoneiros, motoboys, entregadores, padeiros, cozinheiros, faxineiros, mecânicos, funileiros, borracheiros, atendentes, técnicos de informática, cobradores de ônibus, motoristas, maquinistas, ferroviários, metroviários, taxistas, socorristas, pilotos, estoquistas, veterinários, secretárias, fiscais, frentistas, técnicos de manutenção, metalúrgicos, bancários, coletores de lixo, carteiros, entre tantos outros; todos numa só missão: fazer a vida não parar até que tudo volte ao normal.

Os ídolos do Brasil e de todo o mundo deixam de ser os jogadores, lutadores, atores e cantores. No lugar dos holofotes; os jalecos, crachás, uniformes e gravatas tornam-se as roupas dos heróis.

Mas e, como estes heróis estão sendo cuidados?

Pelo que o Diário do Transporte vem noticiando sobre o pessoal do setor de mobilidade urbana e outros órgãos de imprensa sobre profissionais de outras aéreas, o trabalhador em grande parte das vezes não tem encontrado o respaldo necessário.

Nesta semana, a reportagem noticiou que a Justiça do Trabalho obrigou as empresas de ônibus a fornecerem máscaras e álcool em gel para os motoristas, cobradores e demais funcionários dos transportes da capital paulista.

A pergunta que fica é: Por que precisou a Justiça obrigar algo tão óbvio? Porque uma parte das empresas não estava fornecendo o básico para dar segurança a quem atua na linha de frente junto ao público.

As máscaras para profissionais dos transportes não precisam ser aquelas especiais destinadas aos trabalhadores da Saúde, que são fabricadas na China, local de origem da Covid-19, e que hoje é procurada pelo mundo todo e vende bilhões e bilhões de dólares em máscaras, testes, respiradores e outros insumos de saúde. As máscaras para motoristas e cobradores podem ser de pano, feitas por qualquer vozinha que costura, está em confinamento e precisa de renda extra.

Mesmo assim, a Justiça teve de obrigar as empresas da capital paulista a fazer o óbvio.

Agora, por decreto estadual e municipal de São Paulo, ninguém pode entrar nos ônibus da capital paulista, da EMTU, trens e metrô sem as máscaras a partir de 04 de maio de 2020.

No entanto, há exemplos positivos de empresas de transportes que se destacaram na proteção aos seus trabalhadores e também aos seus clientes. O Diário do Transporte noticiou que a Radial Transporte, que atua nas cidades de Suzano e Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, distribuiu máscaras para os passageiros, com um detalhe importante; todas confeccionadas por  moradores das cidades de Suzano, Poá e Ferraz de Vasconcelos, no Alto Tietê, região onde atua. A medida, assim, além de proteger as pessoas do novo coronavírus, também gera renda para estas famílias neste momento de crise sanitária, mas também crise econômica.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/30/radial-transporte-distribui-mascaras-para-passageiros-em-suzano-e-ferraz/

Em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, a empresa de ônibus municipais, BR7 Mobilidade, anunciou que começa nesta segunda-feira, 04 de maio de 2020, a distribuição de máscaras para os passageiros. Os equipamentos foram confeccionados de forma voluntária pelos funcionários e os tecidos, linhas, elásticos, agulhas foram comprados pela empresa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/30/empresa-de-onibus-de-sao-bernardo-do-campo-dara-mascaras-para-passageiros-a-partir-desta-segunda-feira-04/

Se é lamentável faltar máscaras e álcool em gel para profissionais de transportes, o que dizer então sobre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, socorristas e outros trabalhadores que estão sem a quantidade necessária de EPIs – Equipamentos de Proteção Individual? Há profissionais morrendo e as famílias estão sendo privadas até de se despedir dos corpos por causa de risco de infecção.

Essa pandemia, cuja origem real do vírus ainda levanta dúvidas, é dura, é cruel, não perdoa a ninguém. Já colocou de joelhos potências mundiais. Desmentiu e continua desmentindo arrogantes chefes de Estado. Presidentes, primeiros-ministros, formadores de opinião…todos contra o isolamento social tiveram de calar a boca. E tão outros, já estão se calando, vão se calar ou ainda vão ficar esbravejando sozinhos. Eles vão ficar isolados, não o isolamento para conter o vírus, mas o isolamento moral.

Essa doença provoca lágrimas, depressão, ranger de dentes. As pessoas estão tristes, estão com medo umas das outras. O abraço, o beijo, o gesto de carinho hoje podem representar colocar a vida em risco de quem mais amamos.

Vai passar, é verdade, e para passar mais rapidamente e com menos destruição, todos têm de fazer sua parte. Não tem vacina, não há remédio comprovado. O isolamento, a humildade e a informação correta são as armas que a humanidade dispõe.

O novo coronavírus não lê mensagens de WhatsApp, não acessa o Facebook, não tem conta no Instagran, não é de esquerda, não é de direita, não se importa com “fake news”, não respeita ninguém. Ele avança e é justamente  recuando que a humanidade pode fazer com que esse vírus deixe de ser tão avassalador.

A pandemia é perversa, mas nos trás lições.

Lição de que o mundo não deve depender de um ou dois países na produção de insumos básicos. Lição de que chefe de Estado arrogante não é líder, é só chefe. Lição de exemplos de solidariedade. Lição de que a vida já não estava tão boa e justa, porque pessoas vivem amontoadas em moradias em péssimas condições, trafegam amontoadas em transportes em péssimas condições. Lição de que nunca o mundo se preocupou com a Saúde: onde já se viu uma potência como os EUA não terem vagas em hospitais? Uma região como a Grande São Paulo, com 22 milhões de habitantes ver a Saúde quase entrar em colapso porque duas mil pessoas precisam de UTI ao mesmo tempo? Lição de que o maior bem de uma Nação é o seu trabalhador.

Por isso, neste 1º de maio tão especial, o Diário do Transporte faz questão de dizer a todos os trabalhadores, principalmente os da linha de frente: MUITO OBRIGADO!

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Parabéns a todos os trabalhadores.

    Parabéns e muito obrigado ao DT que também faz um trabalho essencial e trabalha no dia do trabalhador.

    Muito legal as lições trazidas do no texto.

    O DT contribui para tornar nossa quarentena menos entendiante e continua a nos dar ânimo para comentar do nosso querido BUZÃO.

    E não esquecendo de dar um VIVA ao COVID-19, o único que foi capaz de fazer limpar o buzão internamente, só o COVID-19 me ouviu a fiscalizadora nunca ouviu, ou melhor ouviu sim; FINGIU DE SURDA.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

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