Coronavírus: Empresas de ônibus urbanos demitem 1,5 mil, suspendem contratos de trabalho e já começam a entrar em colapso no País

Ônibus metropolitanos da Real, de Guarulhos, que deixou de operar na Grande São Paulo.

Dados fazem parte de um acompanhamento de associação nacional de viações em 106 sistemas. Queda de demanda, em grande parte das cidades, é superior a 70%

ADAMO BAZANI

Sistemas de ônibus urbanos e metropolitanos de diversas regiões do País já começaram a entrar em colapso com demissões, suspensões de contratos de trabalho, falências de empresas de transportes, quedas de demanda e faturamento superiores a 70%, atrasos em pagamentos e greves.

É o que aponta relatório de acompanhamento da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que representa mais de 500 viações, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

O documento é uma amostra de 106 sistemas de transporte de todo o Brasil, não trazendo dados totais do setor, mas reflete o que tem ocorrido de forma rotineira nas cidades e regiões metropolitanas.

De acordo com os dados, por causa da pandemia originada na China, em grande parte das cidades pesquisadas, a queda de demanda foi superior a 70%.

As medidas de isolamento social, com a restrição da movimentação das pessoas, são as únicas formas defendidas por especialistas mundiais de Saúde para conter o avanço do novo coronavírus, causador da Covid-19 que matou mais de 120 mil pessoas em todo o mundo. Os dados estão subestimados, já que todos os países estão com dificuldades em adquirir os testes de diagnósticos, sendo que muitos óbitos sequer foram testados e registrados. É justamente a China, o berço da crise de Saúde e Financeira Mundial, que fabrica quase a totalidade de testes, reagentes, máscaras e respiradores de UTI, que estão bem mais caros e são procurados por quase todos os países do mundo.

Não há vacinas ou remédios comprovados para o vírus e se o número de contágio ao mesmo tempo for maior, não haverá leitos de hospitais para todas as vítimas, que poderão morrer por falta de atendimento adequado.

Como, de acordo com os especialistas não há outro remédio além do isolamento social, os setores mais prejudicados pelo avanço do novo coronavírus pedem auxílio governamental.

Segundo os dados da amostragem da NTU, já foram quase 1,5 mil demissões e mais de 2 mil suspensões de contratos de trabalho, lembrando que os dados reais são maiores, já que o relatório é por amostragem.

Ao menos 279 sistemas tiveram suspensão de serviços parciais ou totais, sendo que 180 chegaram a paralisar completamente as atividades em alguns momentos, contando com 175 cidades de Santa Catarina, além de Araguaína (MT), Ilhéus (BA), Jaboticabal (SP), Nova Pádua (RS) e João Pessoa (PB).

O relatório ainda aponta desistências de sistemas, recolha de frotas e falências de empresas que já estavam em dificuldades financeiras e não aguentaram o baque do novo coronavírus.

Um dos exemplos, já noticiado pelo Diário do Transporte é a da Real Transportes, de Guarulhos, na Grande São Paulo, do grupo Real, do Rio de Janeiro, que em 01º de abril de 2020, deixou de prestar serviços. O grupo está em recuperação judicial.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/04/01/real-transportes-metropolitanos-de-guarulhos-deixa-de-operar-segundo-funcionarios/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta