Sistemas de ônibus urbanos no Brasil vão entrar em colapso no dia 05 de abril e empresas querem seis meses de suspensão de impostos, diz NTU

Publicado em: 25 de março de 2020

Ônibus em Santo André, no ABC Paulista, uma das cidades que voltou atrás na decisão de paralisar todas as linhas

Viações alegam que não terão dinheiro para pagar salários e que 184 cidades já paralisaram linhas

ADAMO BAZANI

A NTU, associação que representa mais de 500 empresas de ônibus urbanos e metropolitanos de todo o País, prevê que a partir de 05 de abril, os sistemas públicos de transportes podem entrar em colapso com paralisação dos serviços.

Em nota, a entidade diz que essa parada não será por determinação de prefeitos e governadores, mas porque não as viações não terão dinheiro para pagar salários de motoristas, cobradores e demais funcionários do setor de transportes.

Com as medidas de restrição a circulação de pessoas, recomendadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde como a maneira mais eficaz até agora de conter o avanço do coronavírus, a demanda de passageiros tem caído. Além disso, a entidade de empresários de ônibus calcula que 184 cidades já foram obrigadas a suspender o serviço de transporte por decisão do poder público.

“As empresas hoje estão operando com a redução de mais de 50% dos passageiros em média desde o início das medidas de isolamento social, em função do Covid-19, e isso afetou drasticamente a receita do setor”, explica Otávio Cunha. Entre os casos mais críticos, ele destaca reduções da ordem de 85% em Goiânia (GO), 75% nas cidades do interior de São Paulo, 79% em Porto Alegre (RS), 75% em Salvador (BA) e 70% na região metropolitana de Belo Horizonte (MG)” – disse, em nota enviada na noite desta quarta-feira, 25 de março de 2020 ao Diário do Transporte, o presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbanos – NTU, Otávio Cunha, que defendeu a manutenção dos serviços de ônibus, mesmo que com frota reduzida.

O Diário do Transporte mostrou que algumas cidades que tinham pensado em paralisações totais já estão mudando de ideia.

Por exemplo, os sete prefeitos do ABC decidiram não mais suspender a operação de todas as linhas municipais após uma reunião nesta terça-feira, 24, com a STM – Secretaria dos Transportes Metropolitanos.

Nesta quarta-feira, o secretário Alexandre Baldy disse ao Diário do Transporte e à Rádio ABC que técnicos da pasta estadual e dos municípios do ABC vão tentar criar esquemas operacionais para compatibilizar os horários dos ônibus municipais, ônibus da EMTU, trólebus e ônibus da Metra no Corredor ABD e os trens da linha 10-Turquesa da CPTM.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/03/25/emtu-metra-e-cptm-devem-ter-operacao-coordenada-com-onibus-municipais-do-abc-diz-baldy/

Também nesta quarta-feira, o Diário do Transporte informou que Guarulhos, na Grande São Paulo, também desistiu de proibir a circulação de todas as linhas de ônibus a partir de 01º de abril, mas a redução de frota continua.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/03/25/prefeitura-e-empresas-de-onibus-de-guarulhos-descartam-paralisacao-total-de-onibus-mas-frota-e-reduzida/

INCENTIVOS ECONÔMICOS:

As empresas de ônibus, por meio da NTU, mandaram um ofício ao ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, pedindo socorro financeiro a fundo perdido.

A entidade calcula que seria necessário um aporte de R$ 2,8 bilhões mensais para manter o serviço em funcionamento nos 2.901 municípios que dispõe de transporte coletivo por ônibus.

A NTU ainda pede isenção fiscal de seis meses para empresas de ônibus, renegociação de financiamentos dos veículos que ainda estão sendo pagos e suspensão temporária dos contratos de trabalho de motoristas e cobradores.

Conforme o ofício entregue ao Ministro da Economia, o socorro financeiro, a fundo perdido, permitiria o reequilíbrio entre custos e receitas das empresas mesmo com a atual redução da demanda. Com esse apoio do Poder Público as empresas conseguiriam colocar 70% da frota em operação, número ideal para evitar aglomeração nos ônibus.

No ofício ao Governo Federal o setor também solicita a supensão, por seis meses, da cobrança de tributos federais que incidem sobre as empresas, tais como encargos sociais sobre o faturamento e PIS/COFINS sobre o óleo diesel; renegociação das linhas de financiamento usadas para renovação de frotas; e a possibilidade de suspensão temporária dos contratos de trabalho em caso de paralisação total ou parcial dos serviços. – diz nota da associação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Cristiano Avelar disse:

    Ganham rios de dinheiro a vida inteira. Na primeira crise que enfrentam pedem ajuda ao governo. Já o pobre trabalhador vive na miséria a vida toda, quando tem a crise o que fazem?!? Cortam os salários pela metade. País de canalhas.

  2. HENRIQUE disse:

    Em Cotia/SP, reduziram as frotas e devido a isso, os poucos ônibus que circulam estão super lotados e consequência disso chegamos atrasados aos nossos trabalhos diariamente…

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