Ícone do site Diário do Transporte

Empresas de ônibus entram com ação no STF contra abertura de mercado de linhas rodoviárias

Ônibus rodoviário. Empresas querem regulamentação

Segundo Anatrip, desregulamentação vai contra natureza dos serviços

ADAMO BAZANI

A Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros – Anatrip, entidade que tem entre associadas, a Expresso de Prata, Solimões, Xavantes e Catedral, entrou com ação no STF – Supremo Tribunal Federal contra a abertura de mercado das linhas rodoviárias que tem sido realizada pela ANTT – Agência Nacional de Transportes.

Em dezembro de 2018, em primeira mão no País, o Diário do Transporte já anunciava a intenção da agência do Governo Federal de abrir o mercado para mais empresas, além das que já atuam há décadas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/12/17/antt-quer-ampliar-numero-de-empresas-de-onibus-em-linhas-interestaduais-ate-dezembro-de-2019/

Segundo a Adin – Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de medida cautelar da associação, as mais recentes normas da ANTT são baseadas nos princípios da livre concorrência, liberdade de preços, de itinerário e de frequência.

Mas, na visão da Anatrip, a desregulamentação vai contra a natureza dos serviços que não deve apenas usar conceitos de mercado, já que se trata de uma prestação de interesse público e social.

“As mudanças promovidas pela ANTT retiram a natureza pública do serviço, afastando prerrogativas dos usuários, como obrigatoriedade de manutenção da frequência mínima e de itinerário. Ou seja, as empresas terão a liberdade de realizar viagens apenas depois de se ter certeza que a lotação do veículo trará rentabilidade para a empresa, o que poderá provocar o cancelamento de viagens.” – diz nota da associação.

O Diário do Transporte também mostrou em primeira mão que a resolução 71 de agosto de 2019 e a deliberação 955/2019 abrem margem para que mais empresas possam entrar no mercado de rodoviários.

Pela resolução, passam a ser negadas todas as solicitações de transferências de linhas feitas a partir de 19 de junho de 2019.

Ou seja, uma empresa de ônibus não precisa receber a linha de outra companhia para prestar o serviço. Basta pedir a mesma linha para a ANTT direto.

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/30/antt-vai-negar-todas-as-transferencias-de-linhas-e-mercados-solicitadas-a-partir-de-19-de-junho-deste-ano/

Na semana passada, de maneira exclusiva, o Diário do Transporte noticiou que a ANTT tem concedido autorizações até mesmo para cooperativa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/11/28/antt-da-autorizacao-para-cooperativa-de-transporte-operar-linhas-interestaduais-de-onibus/

Na nota, a Anatrip diz que a possibilidade de transferência de concessões, permissões e autorizações se deve à incidência do princípio da continuidade dos serviços públicos.

“A descontinuidade causada pela perda das condições de determinado operador, até que se verifique o suposto rearranjo mercadológico, causa dano coletivo imediato porque priva os cerca de 84 milhões de passageiros transportados anualmente, com a interrupção do exercício de seu direito fundamental à locomoção”.

Assim, a ação da entidade empresarial questiona o artigo 3 da Lei 12.996, de 2014, que prevê concessão dos serviços de transporte interestadual e internacional de passageiros mediante autorização, sem necessidade de licitação.

Vale lembrar que desde 2008, a ANTT tentou licitar o sistema, mas as empresas de ônibus se queixaram da divisão das linhas e dos lotes e das exigências quanto ao total de frota prevista.

Quando o regime de autorizações foi oficializado, as empresas comemoraram.

Porém, o modelo festejado pelas viações que não quiseram a licitação, agora dá margem para a abertura que tanto temem e reclamam.

A associação diz que já houve uma abertura de mercado e que agora há muita oferta para uma demanda menor.

“Já houve abertura de mercado em 2014 e antes da implantação da mudança, o sistema era operado por 168 empresas e transportava 99 milhões de passageiros por ano. Agora, o sistema é operado por 217 empresas e transporta 84 milhões de passageiros por ano. Para a Associação, há um excedente de oferta de serviços em um mercado que está em retração e esta abertura sem regulamentação, proposta pela ANTT, poderá promover imediatamente o desmanche do sistema interestadual de passageiros.”

A entidade empresarial ainda classifica como polêmicos pontos como “ fim da exigência de idade média da frota de veículos e do controle sobre o preço da tarifa.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Sair da versão mobile