“Outlet de Passagens” quer aproveitar horários com pouca demanda e oferece Rio – São Paulo a partir de R$ 29. Reação das “tradicionais”

Publicado em: 27 de novembro de 2019
Cometa

Viação Cometa é uma das empresas do grupo

Serviço do Grupo JCA vai ser lançado em grande escala a partir do início de dezembro. Grupo promete ofertar pelo sistema em torno de 1.500 lugares por dia. Empresas tradicionais têm reagido Buser e outras “ameaças”

ADAMO BAZANI

Na guerra pelo mercado rodoviário de passageiros, os grupos tradicionais de empresas de ônibus estão reagindo a novas opções de viagens que surgiram nos últimos três anos, como os aplicativos de ônibus Buser e 4Bus e até mesmo o de caronas “Blá,Blá,Blá Car”, além das expectativas sobre a atuação das empresas aéreas de baixo custo.

Um dos maiores e mais tradicionais grupos de empresas de ônibus do País, o JCA, que engloba gigantes como Viação Cometa, Auto Viação 1001, Viação Catarinense, e companhias como Expresso do Sul e Rápido Ribeirão Preto, em parceria com a 2 A Investimentos , anunciou o site Outlet de Passagens.

Segundo nota do grupo à imprensa, trata-se de uma “startup” que promete oferecer nestas empresas viagens com tarifas bem mais baixas que as cobradas atualmente. A rota Rio-São Paulo, por exemplo, pode sair a partir de R$ 29; a São Paulo – Belo Horizonte, a partir de R$ 65,00; e a Florianópolis – Curitiba a partir de R$ 24,00.

A Buser, por exemplo, promete passagens de 40% a 75% mais baratas que as tarifas das rodoviárias, dependendo da lotação dos ônibus.

A tática do Outlet de Passagens é oferecer viagens em horários cuja taxa de ocupação nos ônibus regulares é menor para passageiros que têm maior flexibilidade para pegar a estrada.

De acordo com o diretor do  Outlet de Passagens, Daniel Limena, trata-se do conceito de “tarifa opaca” pelo qual o cliente escolhe um intervalo de horário da viagem e após a finalização da compra, recebe a confirmação da empresa que irá operar e qual o horário exato da saída do ônibus.

Ou seja, o passageiro não escolhe a empresa e nem a hora exara de partida, mas o destino.

“O conceito de tarifa opaca concilia a disponibilidade de horário do cliente ao inventário ocioso das empresas, fazendo com que o negócio seja interessante para ambos os lados”

Na mesma nota, o diretor executivo da Unidade de Transporte de Passageiros do Grupo JCA, Fernando Guimarães, disse que o site deve ampliar a procura pelos horários de menor movimento.

“O Grupo JCA está conectado com a modernização do mercado e tem implementado diversas iniciativas que usam a tecnologia para aprimorar seus serviços e melhorar a experiência dos viajantes. A parceria com a 2 A Investimentos para o lançamento do Outlet de Passagens comprova esse movimento e garante um aumento no fluxo de viagens em horários que tradicionalmente tem menos procura”

Layout se acesso for de celular

O site esteve em testes nos meses de outubro e novembro e será lançado em larga escala no início de dezembro. O Grupo JCA promete ofertar pelo sistema em torno de 1.500 lugares por dia.

Outros grupos empresariais tradicionais de ônibus também têm realizado promoções e ampliado o uso de plataformas tecnológicas para evitar perdas de passageiros.

Grupo Águia Branca, Itapemirim/Kaissara, Grupo Garcia e Brasil Sul, Grupo Guanabara (UTIL e Sampaio, por exemplo) são exemplos dos “antigos” que estão com algum tipo de ação para recuperar passageiros, que vai desde programa de fidelidade, bilhete digital, clubes de descontos e até possibilidade de pagamento em criptomoedas.

Parte do mercado tem chamado as ações de “efeito Buser”, uma startup criada em Minas Gerais que trabalha com empresas de ônibus de fretamento e tem oferecido viagens nos mesmo trechos das viações mais antigas com valores bem mais baixos.

A Buser se tornou conhecida de duas formas: uma por trazer uma forma de escolha de viagem de ônibus até então pouco difundida no Brasil, com reservas de assentos e pagamento por aplicativo, tendo algumas semelhanças com a Uber, dos carros das cidades. Mas a Buser também coleciona polêmicas na esfera judicial, numa queda de braços com as empresas de ônibus mais tradicionais.

De um lado, a Buser se apoia na livre iniciativa e alega que faz a simples intermediação entre pessoas que não se conhecem, mas que querem ter a opção de fretar um ônibus para destinos em comum.

Do outro lado, as empresas de ônibus mais tradicionais, a maior parte representadas pela Abrati – Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestres de Passageiros, alega que a Buser vende passagens e gera uma concorrência desleal já que os preços menores são em decorrência do fato de a empresa de tecnologia e os fretados não serem obrigados a transportar gratuidades (cujo custo acaba sendo inserido nas passagens dos pagantes), a pagar taxas de terminais e de gestores públicos para a fiscalização.

Há decisões diferentes na Justiça, tanto a favor como contra a Buser.

O entendimento final deve ficar com o STF – Supremo Tribunal Federal. Manifestações da PGR – Procuradoria Geral da República e da AGU – Advocacia Geral da União foram contrários ao instrumento de ADPF – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental movida pela Abrati contra a Buser.

A então procuradora geral da República, Raquel Dodge, sugeriu a extinção do processo.

Os pareceres da AGU e da PGR não têm peso de decisão, mas podem ser considerados pela corte do STF.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/09/20/procuradoria-geral-da-republica-quer-que-processo-contra-a-buser-em-todo-o-pais-seja-extinto/

O Diário do Transporte conversou na última semana com o fundador da Buser, Marcelo Abritta, que falou que a intenção é triplicar as empresas de fretamento em sua rede, passando de cerca de 50 para 150, e passar a operar nos próximos meses em todas as capitais do Nordeste.

Segundo a Buser, por dia são transportados em média três mil passageiros e o crescimento semanal da demanda tem variado entre 5% e 10%.

Desde o início das operações, há pouco mais de dois anos, em torno de 450 mil pessoas foram transportadas, número de dar inveja a muitas empresas tradicionais de ônibus rodoviários.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/11/21/entrevista-buser-vai-operar-em-todas-as-capitais-do-nordeste-e-deve-triplicar-quantidade-de-empresas-de-fretamento/

Como mostrou Diário do Transporte, o grupo japonês SoftBank, conhecido por injetar bilhões de dólares em startups brasileiras, anunciou investimentos na Buser, uma empresa mineira que detém um aplicativo que possibilita viagens rodoviárias.

Com o aporte, a Buser promete investir R$ 300 milhões em 12 meses em ações de marketing, desenvolvimento de tecnologia e expansão pelo País.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/07/buser-anuncia-que-investira-r-300-milhoes-apos-aporte-de-banco-japones/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. VagLigeiro disse:

    Excelente resposta. Até que enfim “caiu a ficha” inclusive da ANTT (imagino – dado que política de preços também vem da agência) que é interessante criar uma política de preços mais aberta para concorrer. Inclusive, ao meu ver, incentiva também que quem teoricamente usaria uma gratuidade de forma abusada, possa pagar a passagem sem problemas.

    Depois de umas ocorrências recentes que tenho visto nas mídias sobre a Buser, comecei a ficar um pouco mais receoso de pensar em usa-lo (ainda na verdade tenho em mente experimentar o uso).

    No entanto, a JCA faz uma boa jogada usando a política de venda de horários livres. Ainda mais em início de alta temporada (as viagens de verão e férias).

    Outra coisa que a JCA, ANTT, ARTESP e outras empresas e gestoras poderiam pensar é em redistribuir as saídas dos ônibus para outros terminais em épocas de alta temporada. Provavelmente daqui a 10-15 dias, começa a movimentação para a época de férias. E dado a situação recente do fechamento da Marginal Tietê em caso de acidnetes, as empresas de ônibus e gestoras de concessão deveriam se unir para criar mecanismos tanto de redistribuição da malha de embarque – priorizando outros municípios lindeiros à São Paulo para criar atendimentos regionais. Ou até mesmo um sistema emergencial em caso de “catástrofe” – como fechamento de via, supercongestionamento, etc.

    Basta saber divulgar nas redes sociais e criar mecanismos que a pessoa entenda que ela possa usar outros equipamentos de embarque para viajar com conforto.

  2. julio cesar da Silva disse:

    meu comentário, é simples estou tentando a anos entrar na cometa é um sonho trabalhar nela já deixei vários currículo tenho mais de 20 anos transportes ,juliocesarsilver@hotmail.com

Deixe uma resposta