Empresas de ônibus de fretamento de São Paulo podem ter seu próprio aplicativo, diz novo presidente da Fresp

Publicado em: 11 de novembro de 2019
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Ônibus exposto no evento de fretamento da Fresp e da ANTTUR em Atibaia. Veículos estão mais modernos, mas formas de atendimento vão ter de fazer uso das novas tecnologias. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)

Milton Zanca, da Zanca Transportes, assume cargo por três anos. Já a diretora-executiva da entidade, Regina Rocha, explica que a legislação engessa o setor, que pode ficar para trás enquanto outros serviços surgem

ADAMO BAZANI

O empresário Milton Zanca, da Zanca Transportes, de Campinas, no interior paulista, assumiu neste sábado, 09 de novembro de 2019, a presidência da Fresp – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento e Turismo do Estado de São Paulo.

O mandato é de três anos e o executivo substitui no cargo, o empresário Silvio Tamelini, da Ipojucatur, de Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte, logo após a transmissão de cargo que ocorreu no evento promovido pela Fresp e pela ANTTUR – Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento, Milton falou sobre um dos maiores desafios do setor: os aplicativos de transportes e a velocidade das mudanças com as novas tecnologias.

“Não se pode ficar no rudimento antigo. Tem de se entrar no novo segmento, na nova era e em novas gestões de fretamento. E quem tentar se blindar no antigo, vai ficar fora do mercado” – disse.

Zanca revelou ainda ao Diário do Transporte que as empresas de ônibus e vans de fretamento do Estado de São Paulo já iniciaram as tratativas para terem seu próprio aplicativo para captar mais clientes, compartilhar esforços e oferecerem serviços diferenciados. Um exemplo de aplicativo desenvolvido por companhias de fretamento registradas no Sul do País, a 4Bus, pode ser uma das inspirações para o Estado de São Paulo.

“Já tem algumas empresas no Sul que já possuem este tipo de aplicativo, a gente vai tentar se unir porque demora muito tempo para entrar no mercado e desenvolver o sistema para colocar em prática isso. E não temos mais este tempo, o que é hoje novidade pode estar obsoleto para amanhã. Precisamos pegar algo já andando para não perder o tempo e o foco, que são os aplicativos que vieram para ficar” – revelou.

Ouça:

Silvio Tamelini (de amarelo), Regina Rocha (diretora executiva da Fresp) e Milton Zanca (novo presidente)

Assim, uma das possibilidades é que a própria plataforma da 4Bus seja aproveitada.

De inciativa de empresas de ônibus de Santa Catarina, a plataforma deve ter uma expansão em 14 de novembro, dois dias após do lançamento oficial previsto no Estado.

O foco maior é o fretamento eventual e de turismo, com viagens compartilhadas em destinos selecionados tanto dentro do estado como interestaduais. A forma de contato com o passageiro é muito semelhante ao do aplicativo Buser, que hoje coleciona uma grande polêmica na justiça com a definição prevista após julgamento do STF – Supremo Tribunal Federal.

No site da 4Bus, já existem viagens interestaduais em destaque

As companhias de ônibus fretados de São Paulo estudam a possibilidade do uso da plataforma, mas não necessariamente o mesmo modelo de oferta de serviços.

LEGISLAÇÃO QUE AMARRA:

Enquanto as empresas de ônibus de fretamento de São Paulo estudam formas de não serem engolidas pelas novas formas de transportes, o engessamento da legislação, que permite pouca margem para criatividade, pode fazer com que muitos planos sejam frustrados.

A diretora-executiva da Fresp, Regina Rocha, conta que as empresas podem atender muitas das novas demandas do mercado, mas dependendo de cada caso, têm medo de punições por parte do poder público.

“Nós entendemos as novas necessidades dos clientes, temos condições de atender, mas existe uma grande barreira que é a legislação. Como nossas empresas são tradicionais, cumprem as normas, têm todos os registros, elas se sentem oprimidas neste momento porque elas veem empresas novas, os aplicativos, fazendo e elas não querem fazer porque sempre têm esta tradição de cumprir a norma, sempre são fiscalizadas, não querem ter problemas com os poderes públicos, com os clientes de terem um veículo apreendido e tudo mais” – disse Regina Rocha.

Regina Rocha diz que empresários temem inovar com atual legislação que possui diversas amarras

Uma das maiores necessidades do mercado hoje, de acordo com Regina Rocha, é a desburocratização, o que nem sempre é possível por causa da forma de atuação do poder público.

“O cliente hoje quer agilidade. Não quer mais ficar esperando assinar um contrato para começar o serviço, enquanto não se leva ao poder público o contrato, não se autoriza fazer o serviço. Hoje as relações são mais rápidas, por um e-mail poderia se autorizar o serviço. O e-mail vale, você vai me cobrar e eu pagar. Aí, você chega ao órgão público que diz que o e-mail não serve, tem de ter o contrato assinado, com firma reconhecida, carimbado.”

Para a diretora executiva da Fresp, o poder público tem de entender que o fretamento não é inimigo do transporte regular

“Tudo o que o cliente pede, nós temos condições de atender, não tem nada hoje que as empresas de fretamento não poderiam atender, mas a gente tem a dificuldade de convencer o poder público de que ele pode nos permitir que a gente faça os atendimentos que não vão ‘devastar’ o mercado e nós vamos pegar todos os passageiros do mundo para o fretamento e deixar os outros serviços descobertos. Sempre a legislação tem essa coisa de engessar para proteger os outros sistemas, o sistema público. Só que nós não somos a ameaça para o setor público, sempre trabalhamos em composição com eles, complementação a muitos serviços públicos, nos horários que não atuam, no pico estamos ajudando.” – complementou.

Ouça:

As declarações foram feitas na 20ª edição do Encontro das Empresas de Transportes de Passageiros de Turismo e o Brasil Fret 2019, em que ocorreu entre os dias 08 e 10 de novembro, no Resort Tauá, em Atibaia, interior de São Paulo, com cobertura do Diário do Transporte.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Demorou.

    Até que enfim pensaram nesta possibilidade das próprias empresas de fretamento se unirem, padronizarem e criarem mecanismos de captação de passageiros.

    Lógico que há o dilema da concorrência com linhas concessionadas, mas aí é questão de conversar de forma política a criar mecanismos que evitem o conflito entre ambas. Nada que conversar com grupos políticos de deputados e senadores que estão estudando a área (comissão de transportes) não ajude também.

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