Após testar ônibus elétricos da BYD, Transwolff decide incorporar 15 veículos à frota

Publicado em: 21 de outubro de 2019

Com 12,945 metros de comprimento, três portas de acesso e lotação total para 81 pessoas, os ônibus elétricos possuem piso baixo. Foto: Jessica Marques.

Coletivos, com carrocerias Caio e Marcopolo devem entrar em operação nas próximas semanas

JESSICA MARQUES

Após testar ônibus elétricos da BYD, a Transwolff, empresa de ônibus que opera na Zona Sul da Capital Paulista, decidiu incorporar 15 veículos à frota. Doze unidades possuem carroceria Caio Millennium e três Marcopolo Torino Piso Baixo e devem entrar em operação nas próximas semanas na região de Santo Amaro.

A informação foi divulgada ao Diário do Transporte pelo diretor de marketing, novos negócios e sustentabilidade da BYD, Adalberto Maluf, durante o evento BusPress com a imprensa especializada em transportes e influenciadores digitais.

Todos os ônibus já estão prontos. As primeiras unidades já estão na garagem da Transwolff e as demais vão ser entregues também nas próximas semanas.

Com 12,945 metros de comprimento, três portas de acesso e lotação total para 81 pessoas, os ônibus elétricos possuem piso baixo e assentos destinados a pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos.

Equipados com tomadas USB, ar-condicionado, preparação para acesso à internet por Wi-Fi, monitoramento por câmeras e itinerários eletrônicos em LED, os novos veículos contam ainda com sistema multiplex, que visa identificar possíveis falhas na parte operacional e elétrica dos veículos.

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“A gente tem uma primeira venda de 15 ônibus, os detalhes para entrada em operação estão sendo finalizados, em função de alguns atrasos que tivemos com a infraestrutura de recarga. Pelo que a gente ouve, a SPTrans e a Transwolff estão nos últimos detalhes, finalizando, para entrar em operação nas próximas semanas”, disse Maluf.

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Na última semana, a BYD realizou um dia de treinamento com 50 motoristas da Transwolff, que passaram um dia inteiro na empresa, treinando desde questões técnicas associadas aos chassis, powertrain, todo o sistema de tração, até técnicas para dirigir os novos ônibus da melhor forma.

“O ônibus elétrico médio tem autonomia de 250 quilômetros, mas se você souber utilizar bem ele pode chegar a até 300 quilômetros, porque a gente tem que usar cada vez mais freio regenerativo. Então, em vez de usar o freio para reduzir a velocidade, o motorista tem que aprender a tirar o pé do acelerador para o freio regenerativo poder funcionar”, exemplificou Maluf.

Durante o treinamento, também foram abordadas questões econômicas, de pós-venda, envolvendo todas as áreas da empresa.

O secretário de Mobilidade e Transportes da cidade de São Paulo, Edson Caram, já havia adiantado ao Diário do Transporte, em primeira mão, no dia 01º de outubro, que os ônibus devem ser apresentados ainda neste mês.

Para Caram, um dos destaques do projeto com estes ônibus elétricos é que a energia para o veículos terá geração solar numa fazenda em Araçatuba, da BYD, no interior de São Paulo. Essa energia será lançada no ONS – Operador Nacional do Sistema, que a reverterá em créditos para uso na capital paulista.

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TESTE

Antes de a Transwolff comprar os ônibus elétricos, a empresa testou os veículos da BYD, junto com a SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o transporte coletivo da capital paulista.

“Depois de ter tido vários testes aprovados em todos os nossos relatórios, os ônibus entraram para uma fase de teste operacional. Fizemos questão de escolher uma linha muito difícil, uma linha que tivesse vários relevos, uma operação muito pesada, com cargas de passageiros alta durante a manhã, no entrepico, no horário de almoço, à noite”, explicou Maluf.

“Nos relatórios, em especial na parte com a Transwolff, foi muito positivo, os resultados foram muito bons. Isso deu confiança para a empresa comprar o primeiro lote de 15 ônibus”, afirmou também o diretor.

Segundo Maluf, a Transwolff e outras empresas da capital paulista têm planos de renovação de frota para o ano que vem. A BYD tem expectativa de vendas nestas oportunidades para 2020.

LEASING DA BATERIA

Apesar de os ônibus terem sido comprados pela Transwolff, as baterias são alugadas, por meio de um modelo de negócio chamado leasing. Desta forma, os componentes continuam pertencendo à BYD, que também instala na garagem da empresa a infraestrutura necessária para o carregamento.

“Nesse modelo, a SPTrans tirou a bateria da depreciação do ônibus para colocar como custo operacional. Então, hoje você tem em tese dois contratos, um associado ao ônibus outro à bateria, que é feita com um leasing, como um aluguel, para que a própria economia de combustível pague esse valor da bateria”, explicou Maluf.

Entretanto, a SPTrans não oferece subsídio para ônibus elétrico ou algum benefício para auxiliar no pagamento do aluguel da bateria, que é de responsabilidade da empresa e, neste caso, pago pela Transwolff.

“O que a SPTrans fez foi mexer nos parâmetros do cálculo da tarifa, para que se possa incorporar o elétrico, mesmo sendo mais caro, sem encarecer a tarifa. Acreditamos que é um modelo interessante porque ele permite que a própria economia do combustível financie a compra do ônibus novo”, explicou Maluf.

ELÉTRICO RODOVIÁRIO

Imagem divulgada em primeira mão pelo Diário do Transporte no início da tarde de sábado, 19 de outubro de 2019.

Como mostrou em primeira mão o Diário do Transporte, na tarde do último sábado, 19 de outubro de 2019, a BYD vai lançar em parceria com a Marcopolo um modelo de ônibus rodoviário elétrico.

O veículo, com carroceria Viaggio 1050, da Geração Sete (G 7) é indicado para fretamento e linhas intermunicipais. Com possibilidade de recarga rápida, o modelo pode ter uma autonomia de 400 km.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/19/byd-lancara-onibus-eletrico-rodoviario-com-carroceria-marcopolo/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Continuo com a mesma ideia, não e ruim que tenhamos em definitivo esses modelos elétricos em SP, o problema e que as empresas de todas as áreas já testaram esse modelo da Caio, e não parecem interessadas em comprar, estão renovando a frota com ônibus a diesel na cor cinza pelo que vejo, uma vergonha nesse sentido, pois uma ex cooperativa e quem esta tendo a iniciativa, e não as empresas consideradas grandes, em partes do Sr Ruas pra variar, espero que o ano quem vem ao menos a Ambiental que já possui ônibus elétrico cabeado tome vergonha e adquira alguns pelo menos, e as outras empresas também, algo que tenho dúvidas se ocorrerá, veremos.

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