Sem acordo, greve na Viação São Roque continua

Publicado em: 10 de outubro de 2019

Rodoviários completaram 20 dias de braços cruzados nesta quinta-feira. Foto: Divulgação / Sindicato.

Segundo o sindicato, a empresa não apresentou nova proposta de forma de pagamento dos atrasados

JESSICA MARQUES

Sem acordo, a greve na Viação São Roque continua. A terceira audiência de conciliação foi realizada nesta quinta-feira, 10 de outubro de 2019, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, no interior de São Paulo.

A Viação São Roque, cujos funcionários estão em greve, é responsável pelo transporte intermunicipal de passageiros de São Roque, Alumínio, Mairinque e Ibiúna, na Região Metropolitana de Sorocaba, no estado de São Paulo. Os trabalhadores estão de braços cruzados desde 21 de setembro.

Segundo informações do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, a empresa não apresentou nova proposta de quitação da dívida trabalhista.

“A proposta de parcelar o pagamento do tíquete-refeição, das férias e da participação nos lucros e resultados (PLR) que estão em atraso já havia sido rejeitada pela categoria em assembleia realizada na segunda-feira, 7”, informou a categoria, em nota.

Diante disso, os trabalhadores continuam em greve e a desembargadora que presidiu a audiência, dra. Tereza Aparecida Asta Gemignani, abriu prazo processual para o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região apresentar a defesa da greve e encaminhou o processo para a relatoria do Tribunal.

Os trabalhadores informaram que não aceitam parcelar o pagamento dos atrasados porque a Viação São Roque tem histórico de não cumprimento de acordos firmados.

“O último acordo dessa natureza que o Sindicato dos Rodoviários firmou com a empresa foi no mês de maio deste ano e a Viação São Roque teria que começar a pagar as férias e a PLR atrasadas em agosto, o que não ocorreu e culminou na atual paralisação”, informou o sindicato.

“A empresa não apresenta nenhuma garantia real de que irá fazer diferente desta vez e pagar corretamente os atrasados. Por isso, os trabalhadores não têm segurança em aceitar esse parcelamento. Esse é o impasse”, explicou o diretor Adalberto de Souza Carvalho, Dadá.

O Sindicato dos Rodoviários reafirmou ainda que está acompanhando de perto a movimentação da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo) que permitiu que a empresa Rápido Luxo Campinas (RLC) colocasse oito veículos para complementar a operação do transporte intermunicipal entre São Roque e os municípios de Alumínio, Mairinque e Ibiúna.

OPERAÇÃO EMERGENCIAL

O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, representando os trabalhadores da Viação São Roque, publicou uma nota afirmando que “se outra empresa assumir linhas, terá que contratar trabalhadores”.

A afirmação foi feita pelo sindicato da categoria após a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) convocar a Rápido Luxo Campinas para operação emergencial na região.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/10/08/emtu-convoca-rapido-luxo-campinas-para-operar-emergencialmente-durante-greve-na-viacao-sao-roque/

A Viação São Roque, cujos funcionários estão em greve, é responsável pelo transporte intermunicipal de passageiros de São Roque, Alumínio, Mairinque e Ibiúna, na Região Metropolitana de Sorocaba, no estado de São Paulo. Os trabalhadores estão de braços cruzados desde 21 de setembro.

Em nota ao Diário do Transporte nos primeiros dias de greve, a EMTU informou que, devido a condições dos veículos e à situação trabalhista, pode tirar a Viação São Roque do sistema.

“A Viação São Roque se comprometeu a regularizar as pendências trabalhistas e a situação de conservação e manutenção da frota o mais breve possível. Se não atender as determinações, a EMTU/SP adotará as medidas cabíveis para a substituição da empresa no transporte metropolitano da região de Sorocaba”, informou a EMTU, em nota, na época.

Com a inclusão da Rápido Luxo Campinas no sistema de forma emergencial durante a vigência da greve, os trabalhadores temem que a empresa seja retirada permanentemente e os rodoviários fiquem sem emprego.

“Nós estamos em uma dura luta para garantir aos trabalhadores o recebimento correto de seus direitos e em nenhuma hipótese iremos permitir que eles sejam prejudicados com a perda de emprego. Todas as empresas que atuam em nossa base sabem que, se assumir as linhas de outra, tem que assumir os trabalhadores também. Por isso, estamos acompanhando de perto essa movimentação da EMTU para preservar o emprego que é o bem mais precioso do trabalhador”, esclareceu o presidente do Sindicato dos Rodoviários Paulo João Estausia, Paulinho.

INÍCIO DA GREVE E FROTA MÍNIMA

A Viação São Roque possui 88 trabalhadores, todos estão em greve há 20 dias. A paralisação ocorre para cobrar o pagamento do tíquete-refeição, das férias e da participação nos lucros e resultados (PLR) que estão em atraso.

O sindicato informou estar cumprindo corretamente a liminar que determina 70% da frota em circulação em horário de pico, das 5h às 8h e das 16h às 20h, e 50% nos demais horários, desde que a empresa disponibilize ônibus em condições adequadas para operar no sistema.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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