Governo de São Paulo assina financiamento de R$ 1 bi para monotrilho 17-Ouro e detalha modelo de empréstimo

Publicado em: 8 de outubro de 2019

Da esquerda para a direita: Secretário executivo da Secretaria de Fazenda e Planejamento, Milton Santo; Representante do CAF, Jaime Manuel Holguin Torres; presidente da Companhia do Metrô, Silvani Pereira. Foto: STM

Como mostrou o Diário do Transporte, na última semana, Senado aprovou negócio. Empréstimo terá como base quatro componentes

ADAMO BAZANI

Com atraso de mais de cinco anos para estar pronto e com trajeto menor do que era estimado no projeto original, o monotrilho da linha 17-Ouro, previsto atualmente para ligar o Aeroporto de Congonhas à região Morumbi, na zona Sul da capital paulista, vai receber financiamento internacional de pouco mais de R$ 1 bilhão.

Os recursos de U$ 296 milhões para o primeiro trecho da linha virão do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina.

A assinatura do empréstimo ocorreu nesta segunda-feira, 07 de outubro de 2019.

Como mostrou o Diário do Transporte, na última semana, o Senado aprovou negócio, que integra um pacote de empréstimo de R$ 4 bilhões, (equivalente a US$ 933 milhões), incluindo também a despoluição do rio Tietê, obras de saneamento e modernização da gestão fiscal.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/03/governo-de-sao-paulo-garante-emprestimo-de-r-12-bilhao-para-implantacao-da-linha-17-ouro/

Segundo nota da STM – Secretaria dos Transportes Metropolitanos, o empréstimo está estruturado em quatro componentes principais: “obras, sistemas operacionais, material rodante e gestão. Quando estiver pronto, o monotrilho terá 7,7 quilômetros, ligando o aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As estações contempladas são: Congonhas, Brooklin Paulista, Jardim Aeroporto, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e o pátio Água Espraiada.”

O monotrilho não vai servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas, sem previsão de retorno.

Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo projeções do próprio Metrô, quando estiver pronto, o primeiro trecho de monotrilho atenderá 171 mil passageiros por dia.

HISTÓRICO

(Adamo Bazani, Alexandre Pelegi e Jessica Marques)

A Companhia do Metropolitano de São Paulo decidiu rescindir o contrato de construção do monotrilho da Linha 17-Ouro em março de 2019. O governo do estado de São Paulo alegou que o Consórcio responsável vem atuando com lentidão na condução das obras.

As obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro estavam sob responsabilidade do Consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi (que faliu) e MPE.

O grupo é responsável pela implantação de itens como vias, portas de plataformas, sistemas de sinalização, material rodante e CCO – Centro de Controle Operacional do trecho que vai das estações Jardim Aeroporto a Morumbi.

O governo informou ainda que buscou acelerar o ritmo da obra, mas com a falência da fábrica dos trens, a Scomi da Malásia, ficou inviável concluir o projeto.

Uma nova licitação foi feita para a retomada da Linha 17-Ouro, cujo traçado prevê a ligação do aeroporto de Congonhas até a estação Morumbi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

No dia 27 de maio de 2019, o Metrô publicou o edital de licitação para conclusão das obras de estações da linha 17-Ouro de monotrilho.

A entrega das propostas foi marcada para 02 de agosto de 2019. A concorrência envolveu as estações Congonhas, Brooklin Paulista, Jardim Aeroporto, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Pátio Água Espraiada.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/05/24/metro-anuncia-licitacao-para-concluir-estacoes-da-linha-17-de-monotrilho/

Além do acabamento, paisagismo, instalações hidráulicas e comunicação visual, as intervenções contemplam implantação de ciclovia, recapeamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho, construção de um centro comunitário e esportivo e a construção das vigas pré-moldadas dos elevados dos trens leves de média capacidade.

O prazo de vigência contratual é de 36 meses e o critério de julgamento da licitação foi o menor preço.

Já no dia 12 de julho de 2019, o Metrô publicou a abertura de licitação internacional para a compra de 14 trens e dos sistemas de sinalização para a linha 17-Ouro do monotrilho, no que chamou de última etapa para a conclusão da linha que deveria ter sido entregue em 2014.

A Scomi, empresa da Malásia que iria fabricar as composições, entrou em processo de falência.

A concorrência englobou também a instalação de portas de plataforma nas oito estações da linha e os equipamentos para o sistema de alimentação elétrica, aparelhos de mudança de via e de manutenção dos trens.

Em nota, o Metrô explica que o novo contrato vai substituir a contratação do Consórcio Monotrilho Integração (CMI)

Essa nova contratação vai substituir o Consórcio Monotrilho Integração (CMI), cujo acordo foi rescindido este ano pela atual gestão do Metrô, após constantes atrasos e redução no ritmo dos trabalhos pelo consórcio. Os problemas também levaram a aplicação de multas no valor de R$ 88 milhões, além da suspensão das empresas integrantes do consórcio de novas licitações e contratos com a administração estadual de São Paulo pelo período de dois anos.

Em 27 de julho, a Companhia do Metrô de São Paulo publicou o aviso de adiamento do dia 02 de agosto para o dia 16 a data da entrega das propostas para obras de conclusão de estações do monotrilho (trens leves com pneus que trafegam em elevados de concreto) da linha 17-Ouro, da zona Sul da capital paulista.

A estatal recebeu uma série de questionamentos de possíveis interessados na concorrência.

De acordo com comunicado do Metrô, as respostas a estes questionamentos no dia 31 de julho.

A licitação envolve as obras remanescentes das estações Congonhas, Brooklin Paulista, Jardim Aeroporto, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Pátio Água Espraiada.

PROMESSA PARA 2020 DEVE FICAR PRONTA EM 2021

As obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro estavam previstas para terminar em 2014, ano da Copa do Mundo, mas prosseguem até hoje.

Em meados de janeiro deste ano, o vice-governador Rodrigo Garcia, em entrevista à rádio Jovem Pan, garantiu que o Monotrilho da Linha 17-Ouro estará funcionando até o final de 2020.

Relembre: Vice de Dória promete Monotrilho da Linha 17 até 2020

No dia 16 de fevereiro de 2019, em reportagem do Diário do Transporte realizada no canteiro de obras da estação Campo Belo, da Linha 5 Lilás de Metrô, o atual presidente da Companhia, Silvani Alves Pereira, disse que no próximo mês deve ser lançada uma licitação para o restante das intervenções do Monotrilho da Linha 17-Ouro, caso o consórcio responsável pela implantação da linha não sinalize o retorno aos trabalhos.

Sobre a linha 17, estamos tomando algumas decisões para que seja retomada de forma segura. Existe um consórcio que está cuidando de todo o processo de construção de via, material rodante [trens], sinalização e que não está conseguindo executar o que foi pactuado.  A decisão já é, caso o consórcio não solucionar nos próximos dez dias,  abrir um processo de licitação daquilo que falta até o final do mês de março. Tem um edital para a contratação de todos os serviços e agilizar a entrega da linha 17” – disse Silvani.

Relembre: Estação Campo Belo da Linha 5 está 95% pronta e Metrô deve lançar licitação para concluir linha 17

No dia 15 de março o Metrô de SP publicou no Diário Oficial do Estado a prorrogação dos prazos de vigência contratual e de execução dos serviços das obras da Linha 17-Ouro de Monotrilho com o Consórcio TIDP, formado pelas empresas Tiisa e DP Barros. O prazo foi estendido até 10 de janeiro de 2020.

Relembre: Metrô de SP prorroga contrato de obras do monotrilho da linha 17 Ouro

A concorrência envolve as estações Congonhas, Brooklin Paulista, Jardim Aeroporto, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Pátio Água Espraiada.

Além do acabamento, paisagismo, instalações hidráulicas e comunicação visual, as intervenções envolvem implantação de ciclovia, recapeamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho, construção de um centro comunitário e esportivo e a construção das vigas pré-moldadas dos elevados dos trens leves de média capacidade.

A OBRA

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões, sem valores futuros referente aos reajustes contratuais, aditivos e novas contratações necessárias para implantação dos empreendimentos.

O custo então passou para R$ 3,17 bilhões – cifra que não inclui as estações previstas no primeiro trecho, com extensão de 7,7 quilômetros.

Em junho de 2018, o valor para conclusão das obras foi projetado em R$ 3.74 bilhões, com previsão para a entrega de oito estações até dezembro de 2019, o que pode ser reformulado com a eventual saída da Scomi.

O monotrilho não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas.

Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417,5 mil passageiros por dia. Já segundo projeções atualizadas pela Companhia do Metrô, quando estiver pronto, o primeiro trecho de monotrilho atenderá 171 mil passageiros por dia (2022)

CONCLUSÃO DAS OBRAS E FORNECIMENTO DE TRENS:

Conforme noticiado pelo Diário do Transporte, a Companhia de Metrô de São Paulo divulgou que selecionou a Constran Internacional Construções S.A. para concluir as obras de estações do monotrilho da linha 17 – Ouro, previsto para servir uma parte da zona Sul da cidade de São Paulo.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/09/11/metro-seleciona-constran-para-concluir-obras-de-estacoes-do-monotrilho-da-linha-17-ouro/

As estações contempladas são: Congonhas, Brooklin Paulista, Jardim Aeroporto, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e o pátio Água Espraiada.

Como mostrou o Diário do Transporte em 17 de agosto, as obras tiveram 11 propostas, sendo que a da Constran foi a mais barata: R$ 494,9 milhões.

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 02 de outubro de 2019, que o Estado de São Paulo receba R$ 1,2 bilhão (US$ 296 milhões) em empréstimos da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina, antiga Corporação Andina de Fomento) para a implantação do monotrilho da Linha 17 – Ouro.

No dia 07 de agosto de 2019, o Governo do Estado e o CAF assinaram o financiamento aprovado pelo Senado. No mesmo dia, o Consórcio Signalling ofereceu a melhor proposta na licitação da para o fornecimento dos trens leves com pneus, equipamentos como portas de plataforma e de sinalização e controle da linha.

O consórcio, liderado pela T´TRANS (Trans Sistemas de Transportes Ltda), ofereceu a melhor oferta (R$ 982,177 milhões) diante dos concorrentes CQCT Golden Phoenix (R$ 1,332 bilhão) e BYD Skyrail São Paulo (R$ 988,985 milhões).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Demorou mais saiu algo finalmente.

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