HVO pode estar em tanques dos ônibus em três anos após regulamentação, diz diretor da Mercedes-Benz

Sérgio Magalhães disse que a Mercedes-Benz pensa também em ônibus elétricos para o Brasil. Foto: Adamo Bazani.

Montadora integra uma campanha em prol do combustível que é inédito no País

ADAMO BAZANI
Colaborou Jessica Marques

Apresentado como alternativa na busca por transportes menos poluentes o HVO – Hydrogenated Vegetable Oil, um biodiesel hidrogenado, pode já estar abastecendo ônibus e caminhões no Brasil em três anos após a regularização.

A projeção é do diretor geral de ônibus América Latina da Mercedes-Benz, Sérgio Magalhães.

O executivo participou do painel de inovação tecnologia para mobilidade urbana promovido pelo 7º Congresso de Inovação Brasil-Alemanha, na zona Sul de São Paulo, com cobertura do Diário do Transporte.

Ao final do painel, Sérgio Magalhães falou com a reportagem. Segundo ele, passadas as etapas da legislação, o início da comercialização deve ser rápido.

O executivo disse ainda que existe uma campanha por diversos agentes da indústria e da mobilidade urbana para mais esta opção.

Segundo Magalhães, o HVO trata-se de um biodiesel que é submetido a um processo de hidrogênização. Com isso, ele deixa de ser corrosivo para as peças de um veículo a diesel, um dos fatores que limita hoje a mistura em proporções maiores que 15% do biodiesel no diesel.

O diretor da Mercedes-Benz ainda disse que uma das vantagens é que o HVO pode reduzir a zero as emissões de CO2, caso abasteça 100% do tanque, sem a necessidade de nenhuma alteração na mecânica dos ônibus.

Outra vantagem destacada pelo diretor da Mercedes-Benz é que o combustível pode ser usado em ônibus de qualquer ano de fabricação. Assim, até mesmo um modelo mais velho poderia trazer vantagens ambientais.

ELÉTRICOS DAMERCEDES-BENZ PARA O BRASIL

Muitos no mercado se perguntam o motivo pelo qual a Mercedes-Benz investe em mobilidade elétrica na Europa, lançando inclusive a geração comercial do modelo e-Citaro e o Citaro Híbrido e no Brasil, a empresa adere à campanha pelo HVO.

Segundo Magalhães, o modelo Elétrico para o Brasil está em desenvolvimento e deve aproveitar muito da tecnologia já utilizada na Europa, com adaptações à realidade operacional brasileira.

Contudo, o executivo diz que a montadora entende que não é o momento do início da eletrificação plena dos ônibus brasileiros, mas que será necessária uma transição, sendo que o HVO pode participar desta fase de mudança.

Magalhães citou ainda a necessidade de subsídios para a aquisição dos ônibus elétricos, que são mais caros que os a diesel, e para a infraestrutura, embora admita que, mesmo que em menor proporção, para o biodiesel hidrogenado possa haver também necessidades de subsídios.

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

Qual é a perspectiva em relação a prazos?

A partir do momento em que a gente conseguir uma regulamentação e a gente conseguir aprovação, em torno de dois a três anos a gente conseguiria ver esse biocombustível nos postos e nas garagens, em todos os nossos ônibus e caminhões.

Qual o andamento dessa regulamentação?

Existe uma campanha que, não a Mercedes em si, mas associações em conjunto realizam. Estamos trabalhando forte com todas as entidades no sentido de viabilizar essa regulamentação e o uso do HVO no Brasil, usando isso como uma forma de promover empregos, virar um hub de exportação desse produto e assim a gente consegue melhorar bastante a condição climática do país.

Porque a Mercedes-Benz não desenvolve para o Brasil o ônibus elétrico?

O veículo está em desenvolvimento. Estamos aguardando o momento certo para fazer o lançamento desse produto, em função das características do mercado. A gente acredita que vai ter espaço no mercado para o ônibus elétrico, porém a gente acredita muito mais que o país tem muitas outras prioridades em relação a Saúde, Educação, Infraestrutura de forma geral.

Como a gente vem de uma crise muito grande, como realocar recurso público para subsidiar um pouco mais essa questão do elétrico não é uma tarefa fácil nesse momento. Nossa preocupação é com o ecossistema como um todo. A gente acredita que esse momento do biocombustível é um espaço intermediário e a eletrificação vai chegando aos poucos e a gente vai ter, com certeza.

A questão não é disponibilidade tecnológica, de produto. Eu diria que o problema maior está em toda a infraestrutura e em todo o plano diretor que é necessário ser feito nas cidades para viabilizar o uso de um veículo elétrico. Não é na indústria que está o gargalo, mas nas grandes capitais, de modo a se poder usar esse produto com muita confiança e levar esse benefício à população.

O biodiesel também não vai necessitar de subsídio?

Provavelmente sim, mas quando a gente vê o que está acontecendo hoje no mundo do petróleo, de forma geral, a comodity do biodiesel tende a ser menos vulnerável que a do petróleo.

Com isso, o Brasil tem todos os recursos, pela dimensão do país, pela agricultura local, experiência no biodiesel, de fazer com que, em eventuais momentos, o biodiesel tenha até o mesmo valor do que seria um diesel e, com isso, a gente viabiliza o uso desse combustível no país.

As empresas de ônibus em São Paulo parecem estar otimistas com o HVO e devem integrar a campanha para o combustível .

Como mostrou o Diário do Transporte, no congresso Arena ANTP, da Associação Nacional de Transportes Públicos, o presidente do SPURBANUSS, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, Francisco Christovam, definiu a oportunidade do uso do HVO na frota de ônibus da capital paulista.

“São 14 mil ônibus, que consomem 1,5 milhão de litros de óleo diesel por dia. E temos o compromisso, com os novos contratos assinados, de reduzir a emissão de CO2 em 50% em dez anos”, afirmou Francisco
Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/09/24/hvo-pode-ser-uma-das-grandes-solucoes-para-o-transporte-coletivo-da-capital/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Jessica Marques

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

Deixe uma resposta