Gestão Doria confirma que edital de concessão das linhas 8 e 9 da CPTM será publicado no primeiro trimestre de 2020

Publicado em: 24 de agosto de 2019

Uma das possibilidades é de concessão por 30 anos e contrapartida de R$ 11,5 bilhões. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para ampliar

Linhas são apontadas como as mais lucrativas do sistema de trens metropolitanos. Juntas, transportam 1 milhão de passageiros por dia, quase 1/3 da demanda de todas as sete linhas da rede de trens

ADAMO BAZANI

Colaborou Alexandre Pelegi

A gestão João Doria confirmou que até o final do primeiro trimestre do ano que vem vai lançar os editais para a concessão à iniciativa privada das linhas 8 Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) e 9-Esmeralda (Osasco Grajaú, com extensão prevista à Varginha, no extremo sul da capital paulista) da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

O cronograma de concessão destas ligações foi apresentado na reunião do CDPED Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização e do CGPP – Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas, que ocorreu em 13 de agosto de 2019.

A ata foi publicada neste sábado, 24 de agosto.

O Secretário Executivo de Transportes Metropolitanos, Paulo José Galli, disse, segundo a ata oficial, que ainda neste mês, o governo do Estado vai terminar a contratação da IFC –  International Finance Corporation para validar e fazer a avaliação final da modelagem de concessão.

A IFC é uma instituição global que oferece serviços de investimento, consultoria e administração de ativos para incentivar desenvolvimento do setor privado em países menos desenvolvidos. A IFC é membro do Grupo do Banco Mundial e está sediado em Washington, nos Estados Unidos.

Segundo ainda Galli, as previsões de concessão das linhas 8 e 9 são as seguintes: audiência pública da concessão em novembro de 2019, divulgação das minutas dos procedimentos de licitação em dezembro de 2019 e publicação do edital no final do primeiro trimestre de 2020.

Como mostrou o Diário do Transporte no dia 20 de agosto de 2019, a CPTM publicou nesta semana o extrato de contrato com a empresa Marca Planejamento Técnico e Corretagem de Seguros Ltda  para fazer  consultoria e avaliar as cláusulas do edital de concessão relativas aos seguros necessários para delegação da prestação de serviços públicos de transporte sobre trilhos das linhas 8- Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) e 9 – Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/20/cptm-assina-contrato-com-empresa-de-seguros-para-avaliar-clausulas-em-edital-para-concessao-das-linhas-8-e-9/

Em reunião com portais de mobilidade, entre os quais o Diário do Transporte, o presidente da CPTM, Pedro Moro, já havia dito no dia 20 de julho que a audiência pública de concessão das linhas 8 e 9 poderia ocorrer nos próximos meses. Moro ainda disse que uma das possibilidades é a abertura de um PDV – Programa de Demissão Voluntária de ferroviários e técnicos que atuam nestas duas ligações.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/30/concessao-das-linhas-8-e-9-tera-audiencia-publica-nos-proximos-meses-diz-presidente-da-cptm/

A linha 8-Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) tem uma demanda aproximada de 480 mil passageiros por dia e uma estimativa de registar nos próximos anos um crescimento para 530 mil passageiros diários. A extensão da linha é de 41,6 km.

Já a linha 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital) tem 36 km, contando o trecho até Varginha. A demanda atual é próxima de 575 mil passageiros por dia útil, mas a estimativa é que cresça para 611 mil passageiros.

Ambas são consideradas as mais lucrativas da CPTM.

Um dos cenários estudados pelo Governo do Estado é que a concessão seja de 30 anos, com contraprestação máxima de R$ 397 milhões por ano da concessionária e de R$ 11,5 bilhões ao longo de todo este período.

A concessionária, ainda de acordo com a perspectiva inicial do Estado, deverá ainda ter de investir R$ 3 bilhões em via permanente (renovação dos trilhos), acessibilidade de estações, pátio de manutenção, construção de passarelas, em sistemas de drenagem, construção e reforma de muros, modernização dos sistemas de controles de trens e de energia e implantação de novos equipamentos de manutenção.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    É com muita tristeza que leio esta matéria.

    Depois que a CPTM melhorou (apesar do vão e a altura entre o trem e a plataforma continuarem os mesmos há mais de 50 anos); vão privatizar o FILET.

    Privatizem a NATIMORTA Linha 13 JADE, essa eu quero ver privatizar.

    Vender FILET MIGNON é fácil, quero ver é vender carne de segunda.

    Façam a EMTOSA, os 2 Aerotrens e a linha laranja funcionar, isso sim.

    Nestas questões é que se tem de trabalhar, agora entregar o FILET é demais.

    Lembrem o FILET tem dono O CONTRIBUINTE.

    Façam uma PPP para fazer os trilhos SANTOS – RIBEIRÃO PRETO, isso sim.

    PENSEM GRANDE E NÃO PEQUENO.

    O que o EGO não faz…

    Att,

    Paulo Gil

    1. William de Jesus disse:

      Paulo Gil, se essa concessão fizer com que as linhas 8 e 9 tenham uma operação melhor que a de hoje (que na minha opinião são patéticas), será mais do que bem vindo. A Linha 5 só não está 100% ainda porque a CCR teima em achar que 26 trens são conta. Precisa de pelo menos mais 10 ou 15 composições, aí sim vai ser um trem a cada minuto. Não da pra entender como linhas com tais demandas tem intervalos tão grandes e operações tão ineficazes

      Veja o que a CPTM fez com a linha 10. O que custava trazer trens mais novos, ou ao menos locar os da série 8000 para lá. Aí colocam trens de mais de 10 aos de uso e vibram como se fosse uma vitória..

      1. Paulo Gil disse:

        William de Jesus, boa tarde.

        Como vai tudo bem? Bom ler você de novo por aqui.

        Concordo com você; mas no caso da CPTM a malha e os quipos de linha são velhos, carecem de muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitos investimentos e, na minha opinião, a iniciativa privada não vai investir tanto; pois não haverá lucro.

        Pode até assinar o contrato; mas depois de um tempo de operação vai pular fora.

        Quanto a linha lilas, eu tenho minhas dúvidas, pois já devia estar funcionando a contento faz tempo; mas pra mim tem coelho nesse mato.

        O problema das PPP é o segundo “P” (PÚBLICO); infelizmente no Barsil o poder público é muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito Jurássico e onde ele coloca a mão IMPACA.

        Mas como quem tem o poder da caneta faz o que quer e não faz o que é tecnicamente e economicamente correto, vamos aguardar a reprise da novela, a qual muiiiiiiiiiitos de nós já assistiu.

        “FEPASA O RETORNO”

        Abçs,

        Paulo Gil

  2. Manoel Aparecido Santana disse:

    Bazani, o assunto é outro mas é transporte, por isso se possível me ajude. Tem algum projeto de ao menos uma das linhas 10 ou 11 interligar o centro indo direto á Barra Funda? Ou a linha 7, até o Brás? É um absurdo ter que fazer três transferências (três X de formigueiros) de trem ou sobrecarregar/sofrer ainda mais no metrô durante o horário de pico para fazer um percurso de apenas três estações, 8 minutos se transformam em quase 40, e uma infinidade de desconforto/transtorno… Eu por exemplo tive câncer, e ainda tenho um catéter no tórax, para embarcar e desembarcar nestas estações diariamente, tenho que pôr a mão sobre o catéter, com medo de um empurrão, queda, uma cotovelada etc….
    Obrigado e se não houver leve isso ao governador, porque a CPTM, já perguntei no passado, mas as respostas padrões, como sempre são ridículas, porque encerram as questões sem responder nada…

    1. blogpontodeonibus disse:

      Olá.
      Vamos tentar verificar com a assessoria de imprensa também.
      Obrigado
      Abraços

    2. Ivo disse:

      Há o projeto da Linha 11 chegar na Barra Funda mas para isso a CPTM depende de mais trens, energia elétrica (construção de subestações) e sinalização (sistema CBTC). Obras nesse sentido foram contratadas e paralisadas por falta de recursos causados pela Crise econômica que afeta o Brasil desde 2014.

  3. Wagner disse:

    Ou seja, vão entregar as mais lucrativas e não as que mais precisam de melhorias. Significa apenas transferir os lucros para empresas particulares que vão financiar as próximas campanhas sem nenhuma preocupação efetiva com a melhoria do serviço.

    E outra coisa: qual é a lógica de vender algo que está dando lucros?

    1. Rodrigo Zika! disse:

      Isso que também reparo, vender a linha 11 ninguém quer né, que precisa modernizar e melhorar os intervalo, piada.

  4. Daniel Zavagna disse:

    Vão fazer uma privatização extraoficial, como fazem com as escolas. Se estão dando lucro, por que se desfazer? Além disso, eu queria saber quando a linha 10 terá alguma melhoria? Moro em Santo André há 13 anos, utilizo a linha há bem mais tempo e, de lá pra cá, a linha só foi reduzida. Até 2001, ela seguia de Rio Grande da Serra até a estação Barra Funda; esse acesso foi fechado, devido às obras do projeto Integração Centro, que nunca foram concluídas. Quando a linha 4 do metrô começou a ser construída, a linha 10 deixou de circular até a estação da Luz. Na duas ocasiões, a situação foi apresentado como temporária, mas foi permanente.
    Agora não acredito que privatizando linhas os problemas na qualidade do sistema vão melhorar. Um exemplo disso é a linha 4- amarela, que vive com problemas e o famigerado monotrilho.

  5. F disse:

    Pessoal que tá falando que a privatização vai melhorar o serviço… Vamos esperar uns 5 anos e ver se melhorou mesmo…

    O que eu prevejo que vai acontecer: várias pessoas sem emprego; um serviço que dificilmente vai melhorar (não tem nem motivo pra empresa melhorar o serviço, a demanda pelo transporte vai ser a mesma); e o lucro indo pro bolso de algumas poucas pessoas já ricas (ao invés do dinheiro ser reaplicado no sistema).

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