Licitação de Vila Luzita terá menos exigências quanto à redução de poluição e no próximo lote virão ônibus com ar condicionado no Consórcio União Santo André

Da esquerda para a direta: jornalista Adamo Bazani, secretário de mobilidade de Santo André, Ajan Marques de Oliveira, e comunicador Ricardo Leite, em estúdio da Rádio ABC na manhã desta quarta-feira, 07 de agosto de 2019. Foto: Janete Ogawa (Clique para Ampliar)

De acordo com secretário de mobilidade urbana da cidade do ABC Paulista, Ajan Marques de Oliveira, infraestrutura também influencia em valor da tarifa dos ônibus andreenses, mas limitação de recursos é obstáculo para novos corredores municipais. Viações do Consórcio União Santo André não serão punidas por descumprirem idade mínima de frota prevista em contrato

ADAMO BAZANI

Ouça na íntegra:

A licitação do sistema de ônibus de Vila Luzita, em Santo André, que geograficamente reúne a maior demanda de passageiros na cidade do ABC Paulista, deve continuar com metas de redução das emissões de poluentes pelos coletivos, mas com exigências mais flexíveis.

O edital, depois de diversos adiamentos, deve ser lançado ainda neste mês de agosto e vai contemplar, além da concessão da operação dos ônibus, a modernização do terminal de integração de Vila Luzita e do pavimento e estações do corredor da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo.

De acordo com o secretário de mobilidade urbana de Santo André, Ajan Marques de Oliveira, dúvidas sobre a viabilidade de uma frota 100% limpa e o alto custo destes ônibus, fizeram com que a prefeitura reformulasse as exigências. Este foi um dos pontos contestados ao TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que chegou a determinar a suspensão da concorrência.

“A solicitação de frota limpa é necessária e indispensável no nosso ponto de vista, mas existem algumas dificuldades. Nós não temos ainda no Brasil, do ponto de vista comercial, nenhum veículo que rode ininterruptamente com essa qualidade de frota limpa. Se fala em alguns ônibus que existem fora do País, mas são outras condições. Alguns destes ônibus, em função do tipo de bateria, por exemplo, têm de andar num terreno como se fosse um tapete. Aquelas baterias não suportam trepidação e, em havendo trepidação, elas podem pegar fogo. Então, já começa pelo nosso sistema viário”- disse o secretário.

A informação foi trazida pelo secretário durante entrevista ao Programa Bom Dia ABC, na Rádio ABC, apresentado pelo comunicador Ricardo Leite, com participação do jornalista Adamo Bazani, produção da jornalista Janete Ogawa e trabalhos técnicos de Victor Andujar.

Ajan ainda acrescentou que o custo de aquisição de uma frota 100% limpa poderia elevar a tarifa.

“Esses ônibus hoje estão custando cerca de 150% mais caros do que os ônibus tradicionais. Como isso tem de ser pago pela tarifa, então hoje estamos com R$ 4,75, não vai aumentar todo os 150%, obviamente, mas vamos dizer que aumente mais 50%, vai passar de R$ 6 a tarifa.”- exemplificou o secretário.

Segundo Ajan, os ônibus serão menos poluentes, mas com regras mais tolerantes.

“A gente está adotando um tipo de veículo não com zero de poluição, mas com poluição reduzida em função da modernização das próprias montadoras. O desejo do prefeito [Paulo Serra], inclusive, em consonância até com o Ministério Público era de colocar [ônibus 100% não poluentes na operação],mas ela se mostrou inviável economicamente e também, eu pesquisei, por exemplo, montadoras daqui da região [do ABC], que me deram um prazo de entrega de dois anos[destes ônibus menos poluentes].”- contou

De acordo com a versão do edital barrada pelo TCE em 18 de dezembro de 2018, no primeiro ano de concessão, a frota deveria reduzir em 20% as emissões de poluição e ao final de 20 anos, a emissão de CO2 deveria ser zero.

O contrato era de 20 anos prorrogáveis por cinco mais cinco anos e estipulava um total de 82 ônibus à disposição, entre frota total e reserva.

Logo no início das operações, ainda segundo o edital barrado, os 14 ônibus articulados de linha troncal teriam de ser elétricos ou híbridos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/06/onibus-articulados-da-vila-luzita-terao-de-ser-hibridos-ou-eletricos-e-em-20-anos-frota-deve-ter-zero-emissao-de-co2/

Desde outubro de 2016, após a saída da Expresso Guarará do sistema, a Suzantur opera de forma provisórias as 15 linhas do sistema, sendo três troncais e 12 alimentadoras.

ÔNIBUS COM AR-CONDICIONADO FICA PARA A PRÓXIMA:

Nenhum ônibus do Consórcio União Santo André tem ar-condicionado e, mesmo com a renovação recentemente anunciada, os passageiros não vão contar com o equipamento de refrigeração nos coletivos neste primeiro lote.

Os 30 ônibus da Viação Guaianazes e os cinco da Viação Vaz, que devem ser entregues em setembro, não têm ar-condicionado, apesar do anúncio do prefeito Paulo Serra.

Na entrevista à Rádio ABC e ao Diário do Transporte, Ajan falou que ar-condicionado impacta nos custos de operação dos serviços, mas que no próximo lote de renovação devem vir algumas unidades com o equipamento.

“A gente está pedindo e, em alguns casos vai ser atendido, para colocar wi-fi, ar-condicionado, mas isso é uma negociação porque não tem renumeração para isso. Vão vir outros e pelo menos uma parte da frota com ar condicionado. Este impacto [financeiro] a gente tem de medir em função do custo eventual disso e também do número de passageiros. Às vezes, o número de passageiros garante uma remuneração mínima que é da ordem de 8%, se essa renumeração mínima for inferior a 8%, daí a gente tem de complementar.”- disse também citando os impactos das gratuidades no custo do sistema de ônibus de Santo André.

LIMITAÇÕES PARA PRIORIDADE AO TRANSPORTE COLETIVO:

Ajan também citou que a falta de infraestrutura suficiente para o transporte coletivo na cidade de Santo André interfere no valor da tarifa de ônibus. Sem espaços exclusivos na quantidade que precisam, os ônibus ficam menos produtivos: fazem menos viagens, transportam menos gente e gastam mais tempo, diesel e horas trabalhadas.

O secretário concorda que são necessários mais corredores exclusivos, mas com a cidade altamente adensada, qualquer obra vai necessitar de muitas desapropriações, o que vai elevar os custos e, atualmente, os recursos públicos são limitados.

“Acabamos de contratar um plano de mobilidade, junto do financiamento do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e também um plano para os corredores centrais para ver algum remanejamento. Mas hoje não temos condições de fazer uma obra tipo Perimetral. Em épocas passadas a receita municipal tinha superávit, hoje tem déficit.”  – explicou.

Para o secretário, diante deste quadro, a prefeitura deve criar soluções de engenharia e de gestão de tráfego para ampliar a eficiência dos ônibus da cidade.

“Nós fizemos uma alteração na Avenida Lino Jardim com a Adolfo Bastos, fizemos um binário, uma sobe e outra desce. Reduzimos o tempo de transporte naquela linha em dois minutos. Isso foi comemorado como uma festa. Você soma isso em todos os ônibus no fim do dia, dá duas ou três viagens a mais e desgasta um pouco menos o veículo.”- exemplificou

EMPRESAS NÃO FORAM PUNIDAS POR OPERAREM ACIMA DA IDADE:

Conforme mostrou o Diário do Transporte, por mais de dois anos, as empresas que formam o Consórcio União Santo André estão operando com idade média de frota acima de cinco anos, descumprindo assim o contrato de concessão.

Apesar do descumprimento, estas viações não serão punidas. Ajan disse que as empresas foram notificadas para apresentarem um cronograma de renovação.

Neste ano, serão 50 coletivos que começam a circular a partir de setembro. Para o ano que vem, mais 100 novos ônibus, e em 2021, outros 100, totalizando 250 veículos novos.

Fazem parte do Consórcio União Santo André:

Lote 01: Viação Guaianazes/Viação Curuçá (Ronan Maria Pinto)

Lote 02: Viação Vaz (Ozias Vaz)

Lote 03: TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações (Carlos Sófio)

Lote 04: ETURSA – Empresa de Transporte Urbano Rodoviário de Santo André (Ronan Maria Pinto)

Lote 05: EUSA – Empresa Urbana Santo André (Baltazar José de Sousa)

O sistema de Vila Luzita é operado provisoriamente pela Suzantur, cujo principal sócio é Claudinei Brogliato. A empresa opera com idade abaixo da média exigida.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    O que podemos entender sobre “exigências mais fleíveis”????

    As empresas tudo?

    Aos passageiros nada?

    A PMSA está em qual século?

    A PMSA não luta pelo interesse público?

    O mundo eliminando buzão movido a combustível fóssil e a PMSA flexibilizando ?

    PODER PÚBLICO, SAIA DO JURASSISMO, ATUALIZE-SE, MODERNIZE-SE, SIMPLIFICA, SEJA PRÁTICO, ECOLÓGICO, EXTIRPE O DESPERDÍCIO DO DINHEIRO DO CONTRIBUINTE, SEJA EFICIENTE, EFICAZ E GERE RESULTADOS.

    Mas flexibilizar no buzão verde NUNCA.

    TRABALHEM E ARRECADEM MAIS.

    Política ultrapassada e umbiguista.

    Att,

    Paulo Gil

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