Vereadores do ABC sinalizam apoio ao monotrilho para a linha 18 Bronze

Publicado em: 12 de junho de 2019

Da esquerda para a direita: vereador Edison Roberto Parra (São Caetano do Sul); gerente de implantação de obras civis do consórcio VemABC, Fábio Zahr; vereador Fábio Lopes (Santo André); vereador Adelto Damasceno Gomes (Mauá) e o secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal, Edgar Brandão. Foto e Texto: Adamo Bazani (Clique para Ampliar)

Frente parlamentar ainda vai fechar posicionamento oficial. Representantes das cidades se reuniram com Consórcio VemABC, que diz que ainda não teve nenhum contato de gestão Doria. Representantes de BRT devem se reunir com vereadores também

ADAMO BAZANI

Vereadores que integram a “Frente Paramentar” que discute qual o modal para a linha 18-Bronze sinalizaram preferência para a manutenção do modelo de monotrilho, que se trata do projeto original para a ligação de 15,7 km entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí da linha 2-Verde do Metrô e 10-Turquesa de trens metropolitanos da CPTM.

Os representantes das câmaras municipais se reuniram na manhã desta quarta-feira, 12 de junho de 2019, no Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que congrega prefeitos da região, onde assistiram à apresentação de estudos feita pelo secretário-executivo da entidade, Edgard Brandão, com simulações e dados de diferentes meios de transportes, incluindo monotrilho e Metrô.

Logo em seguida, os vereadores se reuniram com o gerente de implantação de obras civis do consórcio VemABC, responsável pelo monotrilho, Fábio Zahr, que apresentou o projeto da linha 18 e as atualizações quanto a valores e a situação do contrato que, apesar de estar vigente, ainda não teve o sexto aditivo assinado pelo Governo do Estado.

O vereador de Santo André, Fábio Lopes (Cidadania) disse que oficialmente a Frente ainda vai decidir qual modal deve apoiar, mas que alguns parlamentares já declararam preferência pelo monotrilho. A Frente quer também se reunir com o Governador Joao Doria, mas, segundo Fábio Lopes, antes disso, um grupo que defende um projeto de BRT (sistema de ônibus de trânsito rápido) deve realizar uma apresentação aos vereadores.

“Alguns vereadores aqui já declinaram posições pessoais, eu mesmo tenho minha posição pessoal pelo monotrilho, mas é o que nós falamos aqui, o grupo é que vai decidir. Vamos ver se a gente consegue marcar para a sexta-feira que vem uma reunião com o pessoal do BRT, até porque nós não temos tempo. A gente precisa definir isso até este mês, antes da conversa com o governador. Então tem um pessoal que entrou em contato comigo que diz que está defendendo a questão do BRT” – afirmou Lopes que disse que até a reunião, não pode ainda revelar qual o grupo que vai apresentar a preferência pelo sistema de ônibus rápidos.

Ouça:

O vereador de Mauá, Adelto Damasceno Gomes (Adelto Cachorrão), disse que os parlamentares devem se posicionar pelo sistema de trens leves com pneus em elevados, mas que a resposta final caberá ao Governo do Estado.

 “Pelo que eu estou sentindo daqui, o objetivo principal, a nossa luta vai ser pelo monotrilho. A diferença [de custo] não é tão grande em relação ao BRT e a qualidade do transporte é muito melhor. Nossa luta vai ser neste sentido, agora, a decisão final cabe ao governo do Estado e a gente vai aguardar” – contou o parlamentar ao acrescentar que os vereadores querem ser recebidos pelo Governo antes da decisão, prometida por João Doria para ser anunciada até o fim deste mês.

Ouça:

O secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal, Edgar Brandão, disse que, em valores não atualizados, a diferença de custos entre BRT e monotrilho não é tão alta e que o critério de escolha não deve se basear somente os valores de implantação.

“No estudo inicial, de 2015-2016, a diferença ficava em torno de 10% a 15%, não era tão alta. Uma coisa que tem de ser levada em conta é que na época o dólar tinha um valor diferente do que está hoje. Por isso que estes valores [do monotrilho] que aparecem hoje no Governo do Estado são bem maiores. Mesmo assim, a diferença não é tão grande. Foi feito estudo na época de várias formas, inclusive mista até, com propostas e alternativas. O que o estudo mostrou? O que é mais importante? Esta linha [18 Bronze] vai ter integração com 74% das linhas [de ônibus] urbanas. Eu acho o seguinte: Não pode estar pensando muito em dinheiro, precisa estar pensando em solução. É uma região [ABC e zona Sudeste de São Paulo] extremamente rica de PIB [Produto Interno Bruto], que você precisa ter, é uma linha que vai ser ao longo de grandes montadoras, inclusive de desenvolvimento econômico, então tem de pensar um pouco nisso. Se pensar só no custo de implantação, você nunca implanta nada” – disse Brandão.

Ouça:

O gerente de implantação de obras civis do VemABC, Fábio Zahr, diz que resta aguardar o posicionamento do Governo do Estado, mas afirmou que desde que Doria anunciou a possibilidade de troca de modal, até agora o consórcio não foi chamado para dialogar.

“Obviamente que a gente lê as notícias e tenta extrair informação. É uma prerrogativa do Estado até uma posição oficial. O que ele passa para a imprensa e para a população é que ele [Estado] está estudando uma alternativa de modal. Só que ele não só não solicitou nossa presença como não solicitou a presença do Consórcio Intermunicipal. Ele está fazendo um estudo interno dele, e a gente tem de aguardar. Infelizmente neste momento o que a gente pode fazer é só aguardar. Não tem outra atitude a tomar. A posição do Estado é que nosso contrato está em vigência, tem o aditivo que precisa ser assinado, que tem de estar passando pelos trâmites internos do Estado que quando forem vencidos, ele vai nos chamar para assinar o aditivo. Agora, em relação à mudança de modal, a gente não tem sinalização nem de um lado e nem de outro” – disse.

Ouça:

Na apresentação aos vereadores, Fabio Zahr apesentou aos vereadores o que o Consórcio VemABC considera como vantagens do monotrilho, como, segundo ele, maior velocidade comercial e maior capacidade em relação ao BRT e que também não seria afetado pelas enchentes que costumeiramente ocorrem na região do Córrego dos Meninos, que será servida pela linha 18.

Zahr também argumentou que começar um modal do zero necessitaria de novos estudos, novos licenciamentos e nova licitação o que, ainda segundo o executivo do VemABC, demoraria algo em torno de dois anos.

MONOTRILHO:

A Linha 18-Bronze foi projetada inicialmente para ser um sistema de monotrilho, que deveria estar pronto entre o final de 2015 e o início de 2016. O projeto chegou ao quinto aditivo e ainda não há definição sobre o início das obras e a assinatura do sexto.

O maior obstáculo é o financiamento das desapropriações para a implantação dos elevados para os trens com pneus e as estações. Nas contas do Governo do Estado de São Paulo, estas desapropriações devem custar aos cofres públicos em torno de R$ 600 milhões.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação no início do ano.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14) – sem as correções entre janeiro e junho.

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

No dia 8 de abril, durante inauguração da estação Campo Belo da Linha 5 Lilás do Metrô, o governador João Doria e secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, disseram que o modelo proposto para a linha 18 seria mudado. Doria também afirmou na ocasião que o modelo pensado para a linha “foi um erro”

Importante registrar que nós vamos modificar esse formato. Houve um erro, a nosso ver, do governo que nos antecedeu, mas ao invés de ficar aqui apenas culpando o passado, vamos tratar de encontrar soluções para o presente e o futuro. Nós teremos um outro formato que não vai exigir 600 milhões de reais de pagamento de indenizações por desapropriações, até porque isso é inviável, nós não temos recursos no orçamento para essa finalidade. Então esse planejamento que o secretário Baldy tem conduzido será apresentado em breve, para que a nova solução a ser apresentada ela seja conclusiva, e não uma opção inviável e que gere apenas expectativas e não fatos reais e concretos”, concluiu Doria na oportunidade, sem, no entanto, falar em troca de modal. – Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/04/08/linha-18-do-abc-tera-um-novo-formato-confirma-governador-joao-doria/

No dia 25 de fevereiro, o presidente do Consórcio VemABC – Vidas em Movimento, Maciel Paiva, que ganhou a licitação para o monotrilho, disse que já foram gastos R$ 5 milhões pelas empresas, antes mesmo do início da vigência do contrato da PPP – Parceria Público Privada de construção e operação do modal, para adiantar ações como levantamento das áreas a serem desapropriadas e os procedimentos necessários para posteriormente obter a licença ambiental.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/26/consorcio-vemabc-ja-gastou-mais-de-r-5-milhoes-em-linha-18-e-diz-que-pode-entregar-monotrilho-seis-meses-antes-do-projeto-original/

O Consórcio não descarta ir à Justiça contra o Governo do Estado se houver mudança de modal.

O cronograma de licitação do monotrilho foi o seguinte, de acordo com o Governo do Estado e apresentação do VemABC:

Abertura dos envelopes: 03 de julho de 2014.

– Assinatura do Contrato com o VemABC: 22 de agosto de 2014

– 1º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 22 de agosto de 2015; válido até 22 de fevereiro de 2016

– 2º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 29 de agosto de 2016; válido até 22 de novembro de 2016

– 3º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 24 de novembro de 2016; válido até 22 de maio de 2017

– 4º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 18 de julho 2017; válido até 22 de novembro de 2017

– 5º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): novembro de 2017; válido até 22 de novembro de 2018

O Consórcio VemABC tem a seguinte estrutura acionária: 55% Primav Construções e Comércio S/A (sendo que o grupo italiano Gavio tem 69% e o Grupo CR Almeida responde por 31%), 22% da Construtora Cowan S.A., 22% do Grupo Encalso Damha e 1% do Grupo Roggio, argentino.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Edgar Bradão fala besteira….passar proximo de grandes montadoras???

  2. Felipe Luchiari Velber disse:

    Tem que pegar os tais “representantes do BRT”, enfia-los dentro de um ônibus lotadíssimo e fazer eles andarem nele durante um mês seguido.

  3. Rogerio Belda disse:

    A vantagem do “e-debate” é ter tempo para ponderar sobre o que vai ser, Mas, as
    vezes esta vantagem é pouco utilizada. A capacidade do monotrilho é menor do que a de um corredor de ônibus? SIM. O efeito urbanístico sobre a vizinhança é maior e positivo? Parece que É ! (a se analisar mediante consultoria competente).
    A hipótese de substituição da estrutura já implantada deve ser considerada?
    Sinceramente não sei. A metrópole paulistana recebe visitantes em vários eventos,
    Convêm definir uma posição conjunta: Municípios + Estado SP e União, porque a capital de S.Paulo recebe visitantes do país e também do exterior. Deve-se considerar que a visão daquelas neo-ruinas são sumamente desmoralizantes,

  4. Marcos disse:

    Se o monotrilho for igual ao da zona leste…estamos ferrado..peça de trem caindo, panes eletricas…..a soluçao e o metro…..tinha um projeto de uma linha de metro que passava no rudge ramos ia pelo taboao e conectava com a linha verde….esse projeto e otimo….pois a linha verde saindo na regiao do jabacuara, saude ainda comporta conexoes…..agora uma coneçao do monotrilho com o trem que vem lotado de rio grande da serra…e a expansao da linha verde vindo da penha….vai saturar em poucos.anos a estacao tamanduatei…..outra solucao no lugar do lixotrilho seria um.ramal.da cptm..

  5. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Este já assunto já cansou; precisamos de eficiência e eficácia; aliás o Barsil todo precisa.

    Eu tenho minhas dúvidas com relação a esse itinerário seja lá qual o modal que for, afinal a “comissão” nas obras fará parte do orçamento em qualquer modal; portanto o modal é o que menos importa.

    Que tal analisar três premissas importantíssimas:

    – A demanda desse itinerário;

    – As enchentes comuns no itinerário e

    – Um itinerário que não passe por áreas de enchentes frequentes.

    Vamos produzir gente, depois não reclamem a decadência do ABC; afinal será necessária mesmo esta linha?

    MUDA OU AFUNDA BARSIL!

    Att,

    Paulo Gil

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