Acordo com governo de Goiás devolve Eixo Anhanguera para a prefeitura de Goiânia, primeiro passo para a privatização

Publicado em: 18 de abril de 2019

Foto: Adamo Bazani (Clique para ampliar)

Com devolução da concessão do Estado para o município, linha mais deficitária do sistema de transporte coletivo deverá passar para a operação da iniciativa privada

ALEXANDRE PELEGI

O governador Ronaldo Caiado e o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, fecharam acordo permitindo que o Estado devolva da concessão do Eixo Anhanguera para a Prefeitura.

As duas autoridades assinaram nesta quarta-feira, 17 de abril de 2019, uma carta de intenções, que foi apresentada pelo prefeito Íris Rezende durante reunião da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC).

O acordo formaliza o interesse do poder público na privatização da Metrobus, empresa estatal responsável pela operação do Eixo Anhanguera.

O Corredor, chamado de “eixão”, será privatizado com o objetivo de garantir qualidade na prestação do serviço para os usuários, afirmaram Iris e Caiado.

O Diário do Transporte, em outubro de 2018, esteve na capital de Goiás. Na ocasião, Iris Rezende defendeu a participação da iniciativa privada na operação do corredor de ônibus que atende a capital com linhas que se estendem por municípios da região metropolitana. Para o chefe do executivo municipal ou Estado melhorava a operação ou deixava o caminho livre para empresas privadas que, segundo Rezende, já haviam mostrado interesse no sistema.

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O documento assinado por Iris e Caiado propõe a efetivação de estudos para indicar os meios adequados para a continuidade da prestação do serviço de transporte público na região de Goiânia com vistas a melhorar o sistema.

A privatização da Metrobus é citada explicitamente no documento, que afirma “a necessidade da melhoria da prestação do serviço do Contrato de Concessão nº 001/2011 […] uma vez que a METROBUS não tem conseguido prestar o serviço para o qual foi contratada de forma eficiente, segura, de qualidade e continuidade que atendam à demanda que a atualidade exige“.

Ainda segundo a carta de intenções assinada pelo governador e prefeito, a Metrobus não vem desempenhando “adequadamente o serviço de transporte público coletivo de passageiros“, enfrentando “problemas financeiros” e que atualmente possui “déficit mensal de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais).

A privatização, segundo o documento, preserva o interesse público e vai zelar pelos princípios constitucionais que “regem os atos da Administração Pública“.

Íris defendeu o acordo, afirmando que o Estado “não conseguiu garantir o atendimento eficaz aos passageiros” e por isso se faz necessário “um estudo para privatização”. Segundo o prefeito, o processo de privatização “será iniciado com objetivo de garantir um maior número de ônibus novos e, consequentemente, mais rapidez e qualidade na prestação deste serviço”.

Além do Eixo Anhanguera, que concentra atualmente grande parte do problema do sistema de transporte coletivo da capital de Goiás, Iris destacou que fará um estudo amplo incluindo também as linhas alimentadoras e “priorizando a população que utiliza cada uma”, segundo declarações no site da prefeitura.

O presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Kennedy Machado, destacou que uma das questões a serem saneadas até o final diz respeito às desonerações. Segundo Kennedy, medidas nesse sentido permitiriam reduzir o valor da tarifa, reajustada para R$ 4,30.

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Kennedy descreve o problema: gratuidades e meia passagem representam 23% da tarifa, valores que são pagos pelos outros usuários. Segundo ele, tais recursos não podem sair da receita do sistema, mas sim ser custeados por receitas extratarifárias, criadas para financiar o transporte público.

“Com a criação das receitas poderemos fazer o custeio das gratuidades, da operação e manutenção dos terminais de integração, implantação e reforma de abrigos. Hoje simplesmente é o usuário do transporte que paga todo o bolo do sistema e nós entendemos que isso não é justo com o usuário”, destaca.

EIXO ANHANGUERA

O Eixo Anhanguera foi expandido na região metropolitana: a partir do Terminal Padre Pelágio, no lado Oeste, o trajeto passou a contar com mais 16 quilômetros até o município de Trindade.

Já entre a capital Goiânia e o município de Aparecida de Goiânia, foram mais 19 quilômetros pela rodovia GO-070, formando o lado Noroeste do eixo.

No extremo do Leste, foram implantados mais de 15 quilômetros de faixas e corredores entre Goiânia e Senador Canedo.

O Eixo Anhanguera hoje tem 64 quilômetros no total.

A concessão é explorada pela Metrobus, empresa de economia mista cujo acionista majoritário é o Governo de Goiás.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Alfredo disse:

    Aposto que vai dar muito lucro para os empresários e prejuízos aos funcionários, que terá mais seus salários reduzidos, como aconteceu com a CMTC em São Paulo, governador e prefeito que não sabem governar

  2. Rodrigo Dutra disse:

    Não houve a criação de corredores entre Goiânia e as cidades para as quais o serviço foi estendido. Tudo ocorreu de forma improvisada mesmo, utilizando vias comuns das cidades e o leito das rodovias. E há um equívoco na reportagem. Onde consta que houve a ligação a noroeste, seguindo pela Rodovia GO-070, com Aparecida de Goiânia, na verdade, foi com o município de Goianira. Aparecida está ao sul da Capital e não é atendida diretamente pelo Eixo Anhanguera, que opera o tramo leste-oeste.

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