Governador do Mato Grosso diz que estuda substituir VLT de Cuiabá por outro modal

Algumas unidades do VLT de Cuiabá chegaram a ser produzidas. Foto: Governo do Estado do Mato Grosso

Troca está sendo analisada para viabilizar solução mais barata de implantação e operação. São Paulo também discute possível troca de modal de transporte em um projeto por questões de custo e tempo de construção

JESSICA MARQUES / ADAMO BAZANI

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, afirmou que o Estado avalia a possibilidade de substituir a implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Cuiabá por outro modal. O objetivo é encontrar uma solução mais barata e que também tenha eficiência.

“Uma das alternativas que está sendo estudada nesse momento é converter o VLT para outro modal, fazer outra solução que possa ser mais barata e menos custosa, não só na sua implantação, quanto na sua operação”, disse à imprensa local.

A obra estava prevista para a Copa do Mundo de 2014. De acordo com o governador, a troca está sendo analisada em função do subsídio que o Estado teria que arcar caso opte por manter a passagem de R$ 3,85, como é praticada no transporte público da Capital.

As declarações foram dadas durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Record, nesta segunda-feira, 15 de abril de 2019. Na ocasião, o governador afirmou ainda que vai cumprir a promessa de campanha eleitoral de apresentar uma solução dentro de um ano.

“Estudos preliminares que vi mostram que, para manter a tarifa atual hoje de ônibus, além de o cidadão pagar R$ 3,85, o Estado teria que desembolsar em torno de R$ 60 milhões a R$ 80 milhões ao ano como subsídio para esse transporte coletivo”, afirmou também.

O governador disse ainda que o Estado não tem condições de arcar com esse valor, por enfrentar dificuldades financeiras até mesmo com despesas básicas, como o pagamento de fornecedores.

“Como vou dizer que tem dinheiro para inventar uma despesa nova para fazer um subsídio para um transporte coletivo na cidade de Cuiabá? O Governo é dos cuiabanos, dos várzea-grandenses, mas tem que olhar para todo o Estado, incluindo aí os demais 139 municípios que não seriam atingidos pelo VLT”, mencionou o governador.

Mendes também comparou o possível modal com a situação do VLT do Rio de Janeiro, que está com a operação “em risco” e, portanto, seria inviável, na visão do governador.

“Temos visto estados como o Rio que adotou o VLT e corre o risco de parar porque a Prefeitura não está aguentando arcar com o subsídio e está faltando passageiro no VLT. Se no Rio falta passageiro, imagina aqui em Cuiabá”, comparou na entrevista à TV.

Em análise desde fevereiro de 2018, o julgamento do mérito sobre a rescisão contratual de obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá-Várzea Grande foi adiado em um mês pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso (TJ-MT).

O pedido, feito pelo Governo do MT em conjunto com o Consórcio VLT, foi aceito pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos em fevereiro deste ano.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/02/19/governo-do-mt-consegue-prazo-maior-na-justica-para-decidir-futuro-do-vlt-de-cuiaba/

SÃO PAULO

Não é apenas Mato Grosso que prevê rever um modal de transportes por causa de custo e tempo de implantação.

O Diário do Transporte tem mostrado que o monotrilho para a linha 18 Bronze, entre a capital paulista e municípios do ABC, pode ser trocado por outro modal. O governador João Doria anunciou que o formato pensado para a ligação vai ser aletrado, mas procurou não falar explicitamente sobre troca de meio de transporte.

A questão principal é o custo para dos terrenos necessários para as implantações das vigas por onde circulariam os trens leves com pneus e também para as estações. De acordo com o secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, somente as desapropriações custariam em torno de R$ 600 milhões.

A possível troca não foi ainda decidida.

Apesar de serem realidades diferentes, entre o VLT do Mato Grosso e o monotrilho do ABC, não cabendo comparações diretas, as incertezas quanto as custos de manutenção e operação dos dois modais fazem os respectivos governos admitirem que é necessário fazer as contas.

CUSTOS

O monotrilho do ABC foi prometido em 2012 para ficar pronto entre 2014 e 2015, mas uma viga sequer foi erguida. Mesmo assim, o meio de transporte já está bem mais caro.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14).

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

Atualmente, o principal entrave ao projeto é o alto custo das desapropriações para a construção das vigas dos elevados dos trens leves e estações que, segundo o Governo do Estado, estariam em torno de R$ 600 milhões.

Os estudos devem mostrar de fato quais serão os custos e a capacidade de outros modais que eventualmente podem ser considerados como alternativa ao monotrilho para a realidade da ligação e não de forma genérica.

Uma das alternativas que serão estudadas é um BRT (ônibus de trânsito rápido) em corredores, com estações no ougar de pontos que permitem pagamento de passagem antes do embarque nos coletivos.

Questionado pelo Diário do Transporte, o Consórcio VemABC, responsável pela implantação e operação monotrilho disse que “não foi notificado pelo Governo do Estado de São Paulo sobre seus planos para o prosseguimento da concessão.”

O custo para transportar cada passageiro é uma dúvida no monotrilho ainda também.

HISTÓRICO DO VLT DE CUIABÁ

Com início em 2012, as obras do VLT tinha a previsão de conclusão em março de 2014, poucos meses antes do início da Copa do Mundo de 2014.

O Consórcio VLT, responsável pelo contrato, paralisou os serviços em dezembro de 2014, sob a alegação de que não teria recebido os recursos correspondentes ao que havia realizado.

Desde então, o caso segue na justiça.

Em março de 2017, o Governo do MT anunciou que chegara a um acordo com o Consórcio VLT para a retomada das obras. Na sequência, o próprio Executivo estadual decidiu romper o contrato com o Consórcio.

A decisão tomada pelo Estado derivou da Operação Descarrilho, deflagrada em agosto passado pela Polícia Federal (PF), que apurou infrações contratuais praticadas pelo Consórcio VLT.

O Consórcio VLT recorreu, e o caso segue na Justiça.

Em fevereiro deste ano, o Governo do Estado do MT recebeu a primeira proposta de estudos do VLT grupo espanhol Acciona Construcción S.A, com sede em São Paulo.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em Governador do Mato Grosso diz que estuda substituir VLT de Cuiabá por outro modal

  1. o que esses malucos vao fazer com os diversos trens que custaram uma fabula?

  2. Luiz Carlos Marques Garcia Júnior // 16 de abril de 2019 às 02:08 // Responder

    Só que o governador não pode comparar o VLT do Rio de Janeiro com um em Cuiabá. No Rio está dando prejuízo e tendo poucos passageiros porque lá existem diversos outros meios de transporte (metrô, trem, BRT, diversos app’s de mobilidades), os ônibus são em grande número e funcionam, e o VLT de lá tem poucos passageiros porque só circula na região Central da cidade.
    Aqui funcionaria sim e ajudaria muito a população de Cuiabá e Várzea Grande, além de desinchar vários trajetos entre as 2 cidades.

    “COLOQUE UM BRT, SR GOVERNADOR MAURO MENDES!!! APROVEITARIA GRANDE PARTE DAS VIAS QUE ATÉ HOJE ESTÃO OBSTRUÍDAS E DEIXANDO AS 2 CIDADES HORROROSAS…”

  3. Corredor de ônibus e BRT são mais baratos e mais viáveis do que VLT.

  4. penso assim ja que nao tem como dar continuidade ao vlt PQ NAO FALAM NA CARA DO POVO DIGORESTE Q NAO TERAO MAIS ESSA JOSSA DE VLT

  5. Amigos, boa noite.

    O desperdício do dinheiro do contribuinte é a doença crônica e terminal que o Barsil tem e ainda continua tendo.

    E ai como fica todo o passado ?

    Pizza?

    Ninguém será responsabilizado, apenado e principalmente obrigado a ressarcir os cofres públicos.

    Pode fazer o diabo nesse Barsil, se não eliminarem com ácido sulfúrico o desperdício do dinheiro do contribuinte, nada vai melhorar.

    Escrevendo este comentário me lembrei de um dos maiores desperdícios do dinheiro do contribuinte; a compra da refinaria de Passadina.

    Essa compra até uma criança reprovaria.

    Não há solução para o Barsil; é kaka em cima de kaka, todo dia.

    Circo ou hospício? Tanto faz…

    O Barsil não vai mudar nunca; eu não tenho mais esperança e sinceramente, hoje, penso em deixar esse país, pois não dá mais para suportar tanta esculhambação e cambalachos.

    Arrrrrrrrrrrrrrrrrrghhhhhhhhhhhhhhhh

    Att,

    Paulo Gil

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: