Antiga casa de engenheiro-chefe da ferrovia, Museu Castelo é reaberto após reforma, em Paranapiacaba

Reforma incluiu interior e exterior do museu. Foto: Helber Aggio/Divulgação.

Obras custaram R$ 111.885,42 ao município de Santo André

JESSICA MARQUES

O Museu Castelo, grande atração turística da Vila de Paranapiacaba, em Santo André, no ABC Paulista, foi entregue reformado neste fim de semana. O local é a antiga casa do engenheiro-chefe da ferrovia e agora está aberto para ser visitado.

A intervenção foi executada por meio de um contrato de manutenção da Secretaria de Meio Ambiente e contou com um investimento de R$ 111.885,42. A reabertura ocorreu neste sábado, 06 de abril de 2019.

Segundo informações da Prefeitura de Santo André, o museu recebeu nova pintura interna e externa, reformas na parte elétrica, no telhado e no assoalho. Também foi realizada a recuperação da lareira no quarto superior, das janelas da face sul e do mastro das bandeiras, assim como a instalação de iluminação interna e externa, além de melhorias do paisagismo e substituição de vidros quebrados.

O secretário de Meio Ambiente de Santo André, Fabio Picarelli, ressaltou a importância da obra pelo fato de o museu estar instalado na antiga casa do engenheiro chefe da ferrovia.

40585299093_bc706b884b_k

Museu conta com espaços temáticos que resgatam a história da vila e da ferrovia. Foto: Divulgação / Helber Aggio.

“É um dos maiores símbolos da vila e demonstra a imponência e o poder do engenheiro chefe da ferrovia e um testemunho do projeto de ampliação da ferrovia que trouxe o desenvolvimento de São Paulo e da região”, disse, na ocasião.

O museu conta com espaços temáticos que resgatam a história da vila e da ferrovia, como por exemplo, salas de projetos, de jantar, quarto do engenheiro, sala de tecnologia e de esportes (com referência ao campo de futebol e aos clubes da vila).

O trabalho foi realizado pela historiadora da Prefeitura, Vilma Rosa, e pelos diretores Tatiana Machado e Eric Lamarca, em colaboração com a equipe da Secretaria de Meio Ambiente.

A igreja do Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba também passou por reforma e foi entregue em março deste ano. Na ocasião, o trabalho de recuperação do prédio da igreja foi coletivo, e contou com a participação da comunidade da Vila, de ex-moradores, da Diocese do ABC e da Prefeitura de Santo André.

A obra compreendeu a troca total do telhado, da instalação elétrica, bem como a impermeabilização de todo o prédio e a pintura interna e externa. Houve ainda a recuperação da área e da pintura do altar e do sacrário, dos vidros e todo o mobiliário. Foram recuperados também a porta de madeira da entrada, a cadeira da missa, o sino e a torre, além da casa do pároco e do banheiro. As escadas da entrada voltaram a ter a estética original.

Na área externa, foi feita a recuperação do Galo dos Ventos, a manutenção do cemitério, a demolição de anexos irregulares e a requalificação das entradas e do mirante. Dentro do programa Banho de Luz, a iluminação local recebeu melhorias. Foi realizado também o conserto do corrimão acessível à escadaria que dá acesso à creche e à parte baixa da vila.

OBRAS EM PARANAPIACABA

Em 2019, as obras de restauro da Vila de Paranapiacaba foram retomadas. O município assegurou junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional) o repasse da verba federal do PAC Cidades Históricas, que possibilitará a restauração de 242 imóveis da Vila Martin Smith, além do Cine Lyra, de um imóvel incendiado na região do Hospital Velho e do campo de futebol do Clube União Lyra Serrano, que teria sido o primeiro do país.

O PAC Cidades Históricas foi aprovado em 2013, prevendo intervenções da ordem de R$ 42 milhões, contudo, as intervenções foram interrompidas para análise. O investimento previsto para as intervenções de restauro que estão sendo realizadas neste ano é de R$ 26 milhões.

Em 2017, foram entregues a adequação da fachada da biblioteca (antiga Casa do Engenheiro), o restauro do antigo almoxarifado da SPR (São Paulo Railway Company), os galpões das oficinas de manutenção e a garagem das locomotivas, que hoje é onde acontece a chegada do Expresso Turístico em Paranapiacaba.

“As demais obras não tinham começado ainda porque a Prefeitura identificou a necessidade de analisar de forma detalhada os gastos previstos, garantido assim a sustentabilidade financeira do convênio, sempre visando a utilização responsável dos recursos públicos”, justificou a Prefeitura, em nota.

O campo de futebol do Clube União Lyra Serrano tem previsão de investimentos de aproximadamente R$ 2,2 milhões. Segundo a Prefeitura, dentre as obras, o maior e mais complexo contrato é referente ao restauro de 242 imóveis, devido às diversas especificidades das casas, como, por exemplo, tipologias diferentes.

Por sua vez, a sede da Associação Recreativa Lyra da Serra (Cine Lyra), que fica na entrada da parte baixa da Vila, receberá investimento de R$ 1 milhão e a reconstrução de imóvel incendiado na região do Hospital Velho receberá investimentos de R$ 451 mil. A previsão é de que todas as licitações estejam em andamento ainda no primeiro semestre deste ano.

A restauração da réplica do Big Ben, um dos mais conhecidos pontos de Paranapiacaba, também está em curso. O relógio foi instalado na vila inglesa em 1898 para remeter aos ferroviários o clima da terra natal, a Inglaterra.

O restauro do relógio ocorre junto com a restauração da cabine de comando e de sinais. As obras ficaram a cargo da MRS Logística S.A., empresa que opera a concessão da malha ferroviária da região.

“Existia uma ação do Ministério Público para a preservação do Patrimônio Ferroviário do local da qual faziam parte a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), a Prefeitura e a MRS. A concessionária, no entanto, assinou um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) recentemente em que assume o compromisso de fazer as duas obras. Quem executará o restauro será a MRS”, explicou Picarelli.

COMO CHEGAR

O museu está aberto nos fins de semana e feriados, das 10h às 17h. As visitas durante a semana podem ser agendadas por meio do telefone (11) 4439-1313. As visitas guiadas têm o custo de R$ 3.

Duas linhas intermunicipais gerenciadas pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) atendem a região. Uma delas é a 040, que parte do Terminal Prefeito Saladino, em Santo André e custa R$ 6,75.

A outra linha intermunicipal é a 424, que liga Rio Grande da Serra a Paranapiacaba e tem tarifa de R$ 4,40. O ônibus sai de um ponto próximo à estação Rio Grande da Serra, da linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e chega à vila inglesa em cerca de 25 minutos. O intervalo entre as linhas varia de 30 minutos a 1 hora, segundo a EMTU.

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) anunciou em março a ampliação de viagens do Expresso Turístico com destino a Paranapiacaba. O trem também é uma opção para chegar à vila.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/03/07/cptm-anuncia-ampliacao-de-viagens-do-expresso-turistico-com-destino-a-paranapiacaba/

HISTÓRIA DA VILA

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading