Gírias e expressões da estrada por um motorista de ônibus profissional

Motoristas também têm seus "dialetos" . Gírias podem mudar de acordo com as regiões

Condutor da Itapemirim, Gustavo Monteiro, em seu canal do Youtube, relembra alguns dos termos comuns que fazem parte do “dialeto” das rodovias e rodoviárias

ADAMO BAZANI

“Ele primeiro mafiou. Aceitou pegar o mulão e saiu correndo. Para chegar logo, ele até balançou o banheiro. Quase o tempo todo não andou no cano cheio. Mas no caminho deu ruim. A ansiedade era grande que ele mesmo tirou do prego. Tanta correria era para tear na chegada. Fazer o quê?  Ele era poluído mesmo e nem tinha medo que alguém soltasse a correia. E olha que ele nem era pombo, mas queria que alguém fosse no bambu com ele.”  

Não entendeu nada?

Então provavelmente você não é um motorista profissional de ônibus rodoviário.

Como toda profissão e categoria, os motoristas têm suas gírias e expressões próprias.

Algumas são quase autoexplicativas e têm uma lógica. Outras parecem que não tem nada a ver, mas se popularizaram.

Em seu canal do Youtube, chamado “Gustavo Interestadual”, o motorista da Viação Itapemirim, Gustavo Monteiro, citou algumas gírias.

O profissional advertiu que algumas delas são regionais, não sendo conhecidas no País todo e que para os mesmos significados podem existir outras expressões.

Mesmo assim, é bem curioso e vale a pena conferir.

 – Pinóquio: o motorista dirigindo com sono

– Tear: namorar, paquerar.

– Rosca-grossa: pessoa bruta, “ignorante”.

– Balançar o banheiro: fechada em outro veículo (normalmente é a parte do ônibus que mais se aproxima do outro veículo numa fechada).

– Tirar do Prego: quando o ônibus quebra e o motorista consegue consertar, mesmo que provisoriamente até a próxima parada.

– Horário no morro: Quando tem um horário sem motorista escalado.

– Soltou as correias: ficou bravo.

– Cano cheio: quando o ônibus está na marcha, pressão e torques corretos.

– Carro: ônibus

– Corujão ou Bacural: dirigir de noite

– Rolando pneu ou pé de pano: andando devagar, pé leve, pé em cima

– Mafiar: querer trocar a escala para tentar pegar um horário melhor, mesmo que já tenha outro motorista escalado.

– Poluído: motorista que tem manias negativas e vícios de direção e trabalho

– Pombo: motorista novato na empresa de ônibus (não necessariamente  na profissão).

– Ir no Bambu: Viajar apoiado no pega-mão dos degraus da porta

– Mulão: Para designar os ônibus mais antigos. Veio da gíria dos caminhoneiros ao designar o Mercedes-Benz 1935

– Jogar na Grota: Tombar o ônibus, entalar no canteiro.

Veja o vídeo:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Paulissandro lurL disse:

    Gustavo interestadual excelente canal, sigo ele bem do inicio, venho aprendendo muito com as dicas dele. Exemplo de profissional. Tenho muita vontade de conhecê-lo pessoalmente algum dia.

  2. Wilson disse:

    Faltou um outro termo do dialeto dos motoristas : Tá no chinelo / sapato – Significa andando / correndo muito

    1. Alexandre disse:

      Aqui na cidade do Rio de Janeiro diz-se “andando na mola”,motorista correndo muito.
      Motorista”deitão”,que anda muito devagar.
      “Furar barco”, começar a trabalhar mais cedo no horário de alguém que se atrasou.
      “Andar no cabide”,é quando o carro(ônibus )está cheio.
      “Catar todo mundo “,significa parar em todos os pontos.
      Etc

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Ótima matéria para ler no domingão, valeu Adamo!

    Já assisti o canal do Gustavo Monteiro e obrigado por compartilhar com todos as expressões dos rodoviários do buzão.

    Monteiro, siga em paz no trecho!

    Att,

    Paulo Gil

  4. Luciano Pereira Fernandes disse:

    Gustavo esqueceu de citar…dar um dente..um outro proficional da mesma empresa que estiver de pasageiro uniformizado,ajudar a dirigir algum trecho..kk é oq muitos gostam

  5. Niko disse:

    Demora-se tanto, talvez uma vida na busca por aprimorar a linguagem formal e alguns círculos de convivência reduzem de forma vulgar a comunicação falada e escrita onde somente o próprio grupo sabe do que se trata. Coisas da cultura ou subcultura. Também sou motorista rodoviário. Cinesíforo !

Deixe uma resposta