Metrô de São Paulo teve retração de investimentos e pequena queda de demanda em 2018, segundo relatório da Companhia

Sistema tem diversos projetos de expansão indefinidos . Foto: Adamo Bazani - Diário do Transporte / Clique para Ampliar

Ônibus são essenciais para faturamento da empresa, mostra documento. Grande parte das entradas na rede do Metrô de São Paulo se refere a passageiros que também usam ônibus: 29,9% dos acessos à rede metroviária, superando até mesmo integrações e com CPTM e rede privada de metrô, que somaram 25,2%.

ADAMO BAZANI

O Metrô de São Paulo vem sofrendo reduções nas verbas destinadas a investimentos em operação, manutenção e expansão da rede.

Relatório da Administração – 2018, publicado neste sábado, 23 de março de 2019, mostra uma queda nos investimentos do ano passado em relação a 2017.

Em 2017, foram disponibilizados R$ 2,88 bilhões em investimentos totais e, em 2018, o valor foi de R$ 2,57 bilhões.

Para este ano de 2019, o Orçamento original proposto pelo Governo do Estado previa recursos menores ainda, R$ 2,05 bilhões, incluindo os subsídios:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/28/proposta-de-reducao-de-recursos-para-o-metro-e-a-cptm-no-orcamento-de-2019-provoca-audiencia-e-debates-na-alesp/

Entre 2017 e 2018, houve queda maior ainda nos investimentos para a expansão da rede.

Enquanto em 2017, os recursos para ampliar a rede de trilhos foram de R$ 2,07 bilhões, em 2018, ainda segundo o relatório, os valores somaram R$, 1,71 bilhão, queda de 17,4%.

Já os investimentos para modernização da rede que já está em operação caíram no ano passado em relação anterior, 18,3%, passando de R$ 263,2 milhões, em 2017, para R$ 215,1 milhões.

No relatório, a Companhia do Metrô de São Paulo atribui parte da queda dos investimentos em 2018 à conclusão da reforma de 98 composições que operam nas linha 1 – Azul e 3 – Vermelha.

Em 2018, os investimentos totalizaram R$ 2.570 milhões, destinados substancialmente à sustentação e operação da rede metroviária atual, a modernização da frota de trens, implantação da Linha 4 – Amarela – trecho Vila Sônia – Luz (Fase II); Linha 5 – Lilás trecho Largo Treze Chácara Klabin e a expansão da malha metroviária futura. Em relação a 2017, o montante foi de R$ 2.883 milhões. Houve redução de 10,9% nos investimentos devido a conclusão da reforma dos 98 trens das linhas 1 – Azul e 3 – Vermelha. Em 2018, foram modernizados os últimos seis trens.

Atualmente, a rede possui 96 km de trilhos, contanto com metrô e monotrilho.

QUEDA DE DEMANDA:

Entre 2017 e 2018, segundo o relatório do Metrô, houve uma pequena queda de número de passageiros transportados pela rede pública.

Em 2017, a Companhia do Metrô transportou R$ 1,095 bilhão de passageiros e, em 2018, R$ 1,092 bilhão.

A transferência de passageiros do metrô operado pelo Estado para o metrô de responsabilidade da iniciativa privada está entre os motivos.

Entretanto, como explica o relatório, inaugurações de estações com conexões entre os trilhos operados pelo Estado e pela iniciativa privada fizeram com queda fosse menor.

“Em 2018, a Companhia do Metrô registrou a entrada de 869 milhões de passageiros em sua rede. Considerando as transferências entre linhas nas estações Sé, Paraíso, Ana Rosa e Vila Prudente, este número atinge 1.092 milhões de passageiros transportados, apresentando uma ligeira queda de 0,3% em relação ao ano anterior, mesmo com a concessão da operação da Linha 5 – Lilás para a ViaMobilidade a partir de 04/08/2018. A recuperação da demanda foi devida, principalmente, ao início das transferências com a Linha 5 – Lilás nas estações Santa Cruz e Chácara Klabin em setembro/2018 e também pela ampliação da operação comercial da Linha 15 – Prata para o trecho Vila Prudente-Vila União em dezembro/2018. Nos dias úteis, a demanda média registrada foi de 3,70 milhões de passageiros transportados, apresentando um aumento de 0,6% em relação ao resultado de 2017.”

TRILHOS CRESCEM, ÔNIBUS SÃO LÍDERES, MAS MENOS GENTE USA TRANSPORTE PÚBLICO:

O relatório ainda revela um dado que pode ser considerado preocupante para a mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo.

Entre 2016 e 2018, houve queda no uso dos meios de transporte público.

Em 2016, de acordo com o documento, foram transportados 6,55 bilhões de passageiros em ônibus, trens e metrô. Em 2017, o número caiu para 6,44 bilhões e, em 2018, foram 6,48 bilhões.

A queda entre 2016 e 2018 foi de 1,07%, que apesar de percentualmente parecer pequena, representa um grande volume de pessoas diante da demanda transportada pelos diferentes modais.

Os números consideram a demanda da Companhia do Metrô de São Paulo (linhas 1, 2 e 3 do metrô e 15-Prata do monotrilho, que até então era pública), ViaQuatro (linha 4 do metrô), ViaMobilidade (linha 5 do metrô), CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, ônibus municipais da capital paulista gerenciados pela SPTrans – São Paulo Transporte, ônibus comuns e seletivos do sistema da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, ônibus e trólebus operados pela Metra no Corredor  São Mateus-Jabaquara  e Diadema-Brroklin, ônibus das linhas Airport Service (aeroportos de Congonhas e Guarulhos) e ônibus municipais de cidades vizinhas da capital paulista.

Houve crescimento no número de passageiros transportados por trilhos entre 2017 e 2018, passando de 33% da demanda para 34,2%, considerando todos os sistemas de trilhos, que somaram em 2018, R$ 2,22 bilhões de passageiros.

Os ônibus lideram com folga o atendimento da demanda na Grande São Paulo, apesar de a demanda ter caído de 67% entre todos os passageiros transportados na região metropolitana para 65,8%

Em 2018, considerando todo o sistema público de ônibus, o que não contabiliza os escolares e de fretamento, os coletivos transportaram R$ 4,26 bilhões de passageiros. Em 2017, foram R$ 4,31 bilhões de usuários.

PASSAGEIRO DO METRÔ É O MESMO DO ÔNIBUS

Uma das maiores formas de entradas de passageiros e de recursos na rede do Metrô de São Paulo se refere aos usuários que também usam ônibus, o que evidencia a necessidade de melhor comunicação, sem rivalidade entre os modais, uma cultura que parece ainda estar presente em alguns profissionais de planejamento no setor público.

Contando as integrações com ônibus pelo Bilhete Único e a demanda com o cartão BOM, dos ônibus metropolitanos, as entradas no Metrô pelos ônibus representam 29,9% dos acessos dos passageiros à rede metroviária (entre Bilhete Único e BOM), como mostra o relatório, superando até mesmo as integrações com a CPTM e as linhas privadas, que somaram 25,2%.

Do volume total da demanda transportada, a utilização do Bilhete Único atingiu, em 2018, a média de 1,709 milhão nos dias úteis, sendo 3,2% inferior ao resultado de 2017, correspondendo a 57,7% do total de entradas na rede distribuídas da seguinte forma: 20,5% das viagens exclusivas de metrô, 24,0% de viagens integradas metrô-ônibus e 13,2% de viagens gratuitas (estudantes, idosos e pessoa com deficiência). Em relação ao cartão BOM, foi registrada, em 2018, a média de 174 mil entradas com sua utilização nos dias úteis, representando 5,9% do total de entradas na rede. Os demais 36,4% são representados pela utilização dos bilhetes Edmonson (11,2%) e pelas transferências não bilhetadas provenientes da CPTM, EMTU, ViaQuatro e ViaMobilidade (25,2%).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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