Proposta de redução de recursos para o Metrô e a CPTM no Orçamento de 2019 provoca audiência e debates na Alesp

Publicado em: 28 de novembro de 2018

Embarque em trem da linha 10-Turquesa, na Estação Prefeito Celso Daniel/Santo André. Parada é uma das que necessitam de modernização. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte (Clique para Ampliar)

De acordo com proposta da gestão Alckmin/França, queda de recursos deve ser de 8,8% para a CPTM e de 9,86% o Metrô

ADAMO BAZANI

Enquanto a região metropolitana de São Paulo é carente de mais investimentos em expansão da rede de trilhos e qualificação dos serviços de ônibus, o Governo do Estado de São Paulo, na proposta de Orçamento para o ano de 2019, prevê uma redução de verbas de 8,8% para a CPTM e de 9,86% o Metrô na comparação com os valores projetados para 2018.

Os recursos para o Metrô devem cair de R$ 2,28 bilhões para R$ 2,05 bilhões e, para a CPTM, de R$ 3,7 bilhões para R$ 3,4 bilhões, segundo a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Alesp.

Os valores incluem subsídios, investimentos e custos de manutenção.

A proposta provocou descontentamento em alguns deputados estaduais, que realizaram uma audiência pública para discutir a redução das verbas, na última segunda-feira, 26 de novembro de 2018.

O deputado Carlos Giannazi, que propôs a audiência, classificou a previsão de menos verba como um “descaso” com a população.

“Nós queremos que o orçamento tenha um direcionamento social, e não que seja destinado ao poder econômico”, disse de acordo com nota da Alesp.

Um dos assuntos que foram debatidos na audiência é a retomada da construção da linha 6-Laranja do Metrô, prevista para ligar a Vila Brasilândia, na zona noroeste, à estação São Joaquim, na região central.

O diretor do Sindicato dos Metroviários, Sérgio da Silva, disse na audiência, de acordo com a nota da Alesp, que a linha, festejada como a primeira PPP – Parceria Público Privada plena do setor metroviário do País, precisa ser retomada com urgência e, para isso, os recursos previstos para investimentos no Metrô devem ser ampliados.

“A construção [da Linha 6-Laranja] precisa ser retomada imediatamente, por isso é necessário rever a peça orçamentária: para não deixar a população sem Metrô por mais tempo” – disse de acordo com a nota.

As obras da linha 6-Laranja estão paradas desde setembro de 2016.

Como mostrou o Diário do Transporte, o Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas/CGPPP recomendou no dia 1º de novembro de 2018, o fim do contrato com o Consórcio Move São Paulo formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, que alegou dificuldades na obtenção de financiamento de longo prazo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especialmente após o envolvimento destas empreiteiras nos crimes investigados pela Operação Lava Jato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/16/conselho-de-ppp-do-governo-do-estado-da-aval-para-caducidade-de-contrato-da-linha-06-laranja-do-metro/

A ligação entre a região de Brasilândia, na zona noroeste, e a estação São Joaquim, na região central de São Paulo, deve atender a mais de 630 mil pessoas por dia. Quando assinado em dezembro de 2013, a linha 6-Laranja foi comemorada por ser a primeira PPP – Parceria Público Privada plena do país. O consórcio Move faria a obra e seria também o responsável pela operação da linha por 25 anos. O custo total do empreendimento era de R$ 9,6 bilhões, sendo que deste valor R$ 8,9 bilhões seriam divididos entre governo e consórcio.

Até o momento, foram gastos R$ 1,7 bilhão no empreendimento e o BNDES disponibilizou R$ 1,75 bilhão para retomar a obra.

Outras ações para a rede de trilhos são aguardadas pela população, como a modernização das estações da CPTM.

Como mostrou o Diário do Transporte em 29 de agosto de 2018, a CPTM descumpriu os prazos estipulados pelo MPE (Ministério Público Estadual) para garantir acessibilidade em estações do sistema.

A própria companhia informou à reportagem que ainda falta muito para que todas as estações sejam acessíveis. De 94 estações, 61 já são dotadas de acessibilidade total.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/29/cptm-descumpre-prazos-estipulados-por-mp-para-garantir-acessibilidade-em-estacoes/

Mesmo não sendo metrô, os monotrilhos fazem parte da Companhia do Metrô. Todos os projetos deste tipo de modal estão em atrasos, alguns de quase sete anos em relação às previsões originais.

O monotrilho da linha 18-Bronze, previsto para ligar São Bernardo do Campo à estação Tamanduateí, na capital paulista, por exemplo, sequer saiu do papel.

Para o ano que vem, estão reservados apenas R$ 40 (quarenta reais) para o projeto.

Atualmente, o principal entrave é a dificuldade do Governo do Estado conseguir recursos para as desapropriações necessárias para a construção das estações e das vigas dos elevados por onde vão circular os trens de média capacidade.

Os monotrilhos das linhas 15-Prata (zona leste) e 17-Ouro (zona sul) também apresentam atrasos e dúvidas quanto ao andamento dos projetos.

Em nota à imprensa, segundo a Alesp, a Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) informou que “com melhorias no sistema e aquisição e implantação de novos equipamentos, a necessidade de investimentos é cada vez menor”. Além disso, a redução dos recursos foi relacionada à paralisação das obras em linhas da CPTM e Metrô, como a 6-Laranja.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Pedro disse:

    Cade a propaganda que iriam construir centenas de quilômetros, ja virou promessa que não sera cumprida e o povo não aprende.

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