VLT do Rio de Janeiro corre risco de parar de operar e gestão Crivella diz que prefeito usou o termo “porcaria” para garantia de demanda em contrato

VLT não tem sido sustentável economicamente até agora. Foto: Prefeitura Rio de Janeiro – Clique para Ampliar

Segundo da prefeitura, houve erros da “gestão passada”  nos estudos de viabilidade econômica, que vão causar sangria de R$ 5 bilhões aos cofres públicos

ADAMO BAZANI

O VLT do Rio de Janeiro corre o risco de parar de operar.

A Concessionária VLT Carioca sustenta que a prefeitura do Rio de Janeiro deve em torno de R$ 110 milhões referentes a repasses atrasados.

Segundo o grupo de empresas, a prefeitura deveria pagar 270 parcelas de R$ 9 milhões para compensar os valores investidos nas obras.

Pelo contrato, segundo o consórcio, de R$ 1,2 bilhão que custaram as obras do sistema, R$ 625 milhões foram desembolsados pelas empresas integrantes. Os R$ 9 milhões mensais seriam, ainda de acordo com as companhias, a compensação da prefeitura pelas obras no âmbito da PPP – Parceria Público Privada, mas desde 2018 não são realizados os depósitos.

A concessionária VLT Carioca é um consórcio formado pelas empresas do Grupo CCR (CIIS – Companhia de Investimentos em Infraestrutura e Serviços 24,9317%), Odebrecht Mobilidade (24,9317%), Invepar (24,9317%) e Riopar Participações (24,9317%). A BRt – Benito Roggio Transporte (0,2506%) e a RATP do Brasil Operações – Participações e Prestações de Serviços para Transporte (0,0226%), segundo o site do VLT Carioca.

“Hoje nós já temos uma série de dívidas e não temos como continuar operando por muito tempo, por conta de dívidas já contraídas com fornecedores críticos para a nossa operação”, disse Márcio Hannas, presidente do consórcio que administra o VLT ao RJTV

A prefeitura do Rio de Janeiro tentou explicar as declarações do prefeito Marcelo Crivella na última terça-feira, 19 de março de 2019, a um grupo de servidores municipais em uma agenda na Divisão de Hortos da Fundação Parques e Jardins, na Taquara.

Segundo a nota da noite desta quarta-feira, 20 de março de 2019, ao usar o termo “porcaria” quando citou o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, Marcelo Crivella não se referiu ao meio de transporte, mas à exigência contratual de demanda mínima, que se não for atingida, a prefeitura deve complementar os recursos para a Concessionária VLT Carioca.

Na nota, a gestão Crivella diz que houve erros nos estudos de viabilidade econômica do meio de transporte sobre trilhos e que a demanda de passageiros prevista não é alcançada, o que ao longo do contrato de 25 anos pode ocasionar um prejuízo de R$ 5 bilhões aos cofres públicos.

“Sobre o VLT, o prefeito afirma que não critica o serviço de bondes. Mas a responsabilidade de garantir demanda por parte do Município que é, sim, uma  “porcaria” e consta no contrato assinado entre a gestão passada e o consórcio operador. Isso porque erros nos Estudos de Viabilidade Econômica definiram um público mínimo de usuários da ordem de 260 mil passageiros/dia, mas o público atual não passa dos 80 mil usuários diários. Isso leva a um desequilíbrio econômico anual da ordem de R$ 200 milhões, que pelo contrato assinado deve ser coberto pelo Tesouro Municipal. Como o prazo da concessão é de 25 anos o custo total chega a 5 bilhões a serem sangrados do Tesouro Municipal. Crivella reafirma que esses recursos farão muita falta para cuidar da cidade e nas áreas de saúde e educação” – diz a prefeitura em nota, que ainda acrescentou que o encontro no qual Crivella fez as declarações se tratava de uma agenda oficial.

Para tentar aumentar a demanda do VLT, a gestão Crivella anunciou a proibição da circulação dos ônibus na região central.

O anúncio também recebeu críticas na ocasião, pelo fato de a prefeitura prever a restrição de um meio de transporte coletivo, mas não anunciar nada sobre o transporte individual. Com a medida, o VLT não atrairia uma demanda nova, que deveria vir dos carros, mas “ganharia” os passageiros trazidos de longe pelos ônibus, que seriam obrigados a desembarcar e trocar de modal para continuar a viagem.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/06/crivella-vai-aumentar-demanda-de-vlt-com-retirada-dos-onibus-da-regiao-central-do-rio/

O Diário do Transporte ouviu ontem especialistas em mobilidade urbana que criticaram as declarações de Crivella sobre o VLT.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/03/20/especialistas-reagem-apos-declaracao-de-crivella-sobre-vlt-do-rio/

A gestão Crivella quer buscar alternativas mudando o contrato na PPP, uma delas é elevar o prazo de concessão de 25 anos para 35 anos e, em troca, obrigar a prefeitura garantir demanda de 100 mil passageiros por dia e não 260 mil.

Mesmo assim, o VLT ainda teria um déficit de 20 mil usuários diários pelos números de hoje.

Se não conseguir por negociação com a concessionária ajustar os termos, a gestão Crivella pode levar o caso para a Justiça.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodolfo de Oliveira Souza disse:

    O VLT é o melhor legado deixado pela olimpíada à cidade do Rio de Janeiro. Além disso desperta no cidadão que o utiliza um sentimento de cidadania poucas vezes visto, basta assinalar que poucos deixam de validar seus bilhetes de forma voluntária ao entrar no veículo. Destaco ainda que a cidade do Rio de Janeiro se transformou em modelo bem sucedido de um projeto de VLT no Brasil. O prefeito, mais uma vez, esconde a sua incompetência em palavras sem sentido. Se o sistema de bondes parar de funcionar como iremos nos deslocar pelo centro da cidade? O que precisamos é expandir o sistema.

  2. Ligia Oliveira disse:

    Fico imaginando quanto mais o prefeito Crivella vai falar de besteira. E os cariocas quietinhos, não tomam nenhuma atitude. Vou tornar a dizer aqui a cidade do Rio não é feita para amadores. Pede para sair, fica mais bonito. E o pior, é bem capaz de que se candidatar vai ser reeleito.

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