Crivella vai aumentar demanda de VLT com retirada dos ônibus da região central do Rio

Publicado em: 6 de fevereiro de 2019

Com mudanças, passageiros dos ônibus serão obrigados a continuar viagem no VLT. Foto: Divulgação

Sobre restrição do transporte individual nas mesmas áreas, a prefeitura não declarou ter planos. Pontos finais serão na Rodoviária Novo Rio e no o entorno da Central do Brasil. Ônibus intermunicipais ainda não serão afetados

ADAMO BAZANI

A gestão Marcelo Crivella vai retirar os ônibus municipais da região central do Rio de Janeiro.

Para concluir a viagem, os passageiros serão obrigados a fazer baldeação e seguir no VLT – Veículo Leve sobre Trilhos. Não haverá cobrança de tarifa com a integração.

A medida de Crivella deve dar um incremento financeiro ao VLT, que deveria estar transportando 265 mil pessoas por dia, mas hoje atende apenas a 60 mil.

Por esta defasagem, a prefeitura é obrigada a complementar a remuneração do Consórcio VLT Carioca, formado pelo Grupo CCR (CIIS – Companhia de Investimentos em Infraestrutura e Serviços 24,9317%), Odebrecht Mobilidade (24,9317%), Invepar (24,9317%) e Riopar Participações (24,9317%), BRt – Benito Roggio Transporte (0,2506%) e RATP do Brasil Operações – Participações e Prestações de Serviços para Transporte (0,0226%).

Segundo a prefeitura, a retirada dos ônibus municipais será gradativa e faz parte da reorganização dos transportes prevista para os próximos dias, com a inauguração do trecho 3 do VLT.

Sobre restrição do transporte individual na região central, a prefeitura não declarou ter planos.

A prefeitura citou na nota que cidades como Paris, Bourdeaux e Amsterdã, onde há predominância do VLT no centro, suspenderam a circulação de ônibus nas áreas centrais.

Ônibus na região central de Amsterdã ao lado de trilhos do VLT. Dois modais compartilham centro, onde há restrições para carros. Foto: Amsterdam Trips (2018)

Na verdade, há sim ônibus urbanos no centro destas cidades que criaram zonas de restrição ao transporte individual, não ao coletivo.

Para as empresas de ônibus, também são previstas vantagens financeiras, já que a demanda deve continuar a mesma, mas com custos menores de operação pelo fato de as linhas serem encurtadas.

A gestão Crivella ainda não precisou a data exata da mudança, que deve ocorrer em breve.

A prefeitura explicou em nota que o passageiro “poderá pegar dois ônibus e o VLT, no período de duas horas e meia, e pagar apenas uma tarifa. Além disso, o passageiro não paga quando faz transferência entre linhas ou nova viagem no mesmo sentido no período de uma hora.”

As primeiras linhas que devem ser encurtadas são as dos ônibus que saem das zonas Norte e Oeste da cidade. As linhas provenientes da zona Sul sofrerão mudança em uma próxima fase, segundo a prefeitura.

Os ônibus intermunicipais seguem sem alterações.

Em nota, a gestão Crivella explica as baldeações que o passageiro terá de fazer.

Quem vem da Zona Norte:

– se vier pela Zona Portuária, o passageiro deve desembarcar na Rodoviária ou na Candelária, embarcando na Linha 1 (Santos Dumont) ou na Linha 2 (Praça XV) do VLT para seguir viagem;

– se vier pelo eixo Av. Francisco Bicalho x Av. Presidente Vargas, deve desembarcar na Central ou na Candelária, embarcando na Linha 2 (Praia Formosa – Praça XV) ou na Linha 3 (Santos Dumont, via Av. Marechal Floriano) do VLT para seguir viagem;

Obs: o itinerário dos ônibus que seguem pelo eixo Tijuca (Praça da Cruz Vermelha e Lapa) não será alterado.

Quem vem da Zona Oeste:

 – se vier pelo eixo Av. Francisco Bicalho x Av. Presidente Vargas, o passageiro deve desembarcar entre a Central e a Candelária, embarcando na Linha 2 (Praia Formosa – Praça XV) ou  na Linha 3 (Santos Dumont, via Av. Marechal Floriano) do VLT para seguir viagem;

A prefeitura promete ganho de tempo: 20% de redução no tempo de deslocamento na área central da cidade, mas não informou se haverá redução no tempo total de viagem de quem vem das regiões mais distantes.

Ainda na nota, a administração municipal destacou algumas regras de utilização do VLT.

– A passagem do VLT custa R$ 3,80, cada pessoa deve ter o próprio cartão RioCard e validá-lo ao embarcar.

– É indicado já carregar passagens de ida e volta antecipadamente, quando necessário.

– Os cartões são recarregáveis e aceitos em ônibus, trens, barcas e metrô.

 – As máquinas de recarga aceitam dinheiro (cédulas e moedas) e cartões de débito (Visa, Mastercard ou Elo)

 – Os terminais não dão troco. Todo o valor carregado é revertido em créditos.

 – A compra e recarga pode ser feita nas paradas e estações, que contam ainda com terminais para consulta de saldo, desbloqueio de cartões e liberação de recarga on-line.

– Em caso de aquisição de um novo cartão, são cobrados R$ 3 como depósito-garantia, reembolsáveis em qualquer loja RioCard.

– A recarga on-line pode ser feita por meio do site Recarga Fácil (recargafacil.riocard.com).

– O sistema permite a transferência entre linhas ou nova viagem no mesmo sentido em até 1 hora após a primeira validação. O cartão deve ser validado sempre que o passageiro embarcar.

– Os veículos do VLT contam com fiscalização de agentes da concessionária em parceria com a Guarda Municipal. A não-validação está sujeita à multa de R$ 170, de acordo com a Lei Municipal 6.065/2016. O valor aumenta para R$ 255 em caso de reincidência (multa mais 50%).

– A gratuidade no VLT Carioca está assegurada de acordo com a legislação. Pessoas com mais de 65 anos devem validar com o RioCard Sênior ou apresentar documento de identidade, caso solicitado. Crianças de até cinco anos (inclusive) não precisam de cartão, como nos demais sistemas de transporte público do Município do Rio.

– Passageiros nas seguintes condições devem obrigatoriamente validar o cartão: Alunos da rede pública de ensinos Fundamental e Médio do Rio de Janeiro (uniformizados) e portadores do cartão de gratuidade para estudante; estudantes de universidades portadores do Passe Livre Universitário; pessoas com deficiência e acompanhantes legalmente autorizados e doentes crônicos e acompanhantes legalmente autorizados.

– O VLT tem integração com ônibus municipais via Bilhete Único Carioca. Ele permite o uso do VLT depois de até duas viagens em linhas municipais no período de 2h30 sem nova cobrança.

– No caso de uso do VLT antes do ônibus, é cobrada a diferença das passagens, de R$ 0,25.

– O VLT também faz parte do Bilhete Único Intermunicipal que permite integração tarifária com trens, barcas e ônibus intermunicipais quando a soma das tarifas for igual ou superior a R$ 8,55. O período para a integração é de 3h.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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