Laudo indica que menino de três anos foi atropelado por trem do Metrô de São Paulo após passar por portão destravado

Imagens do Metrô mostram que criança teve fácil acesso aos trilhos. Foto: Divulgação / SSP

Segundo Instituto de Criminalística, com uma leve pressão já é possível acessar o túnel onde ocorreu acidente

JESSICA MARQUES

Um laudo pericial divulgado nesta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019, indica que Luan Silva Oliveira, de 3 anos, foi atropelado por um trem do Metrô de São Paulo após passar por um portão destravado e ter acesso ao túnel por onde passam as composições. O caso ocorreu em dezembro de 2018.

O Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo emitiu o documento a partir de imagens fornecidas pela Companhia do Metropolitano. Segundo o laudo, com uma leve pressão já é possível acessar o local onde ocorreu o acidente. Desta forma, um menino de três anos conseguiu passar pelo bloqueio e chegar aos trilhos.

Um vídeo mostra que Luan acessou o túnel pela parte lateral da via férrea. Confira as imagens obtidas pelo Diário do Transporte ao final desta reportagem.

De acordo com informações do laudo, a área que separava a plataforma do túnel estava com um portão de grade metálico com uma placa indicando que o acesso é proibido, dizendo em seguida “risco à vida”. Contudo, segundo informações da Polícia Técnico-Científica, não havia nenhum sistema de travamento na porta e um leve empurrão poderia abrir o acesso.

O mesmo laudo também confirma a presença de hematoide nos trilhos, o que confirma que Luan foi atropelado por um trem do Metrô, o que causou sua morte no local.

As manchas de sangue foram encontradas a cerca de 260 metros de distância da plataforma, ao longo do túnel. O acidente ocorreu na estação Santa Cruz, que fica na linha 1-Azul do Metrô.

O Diário do Transporte obteve o laudo pericial constando as conclusões da Polícia Técnico-Científica sobre a morte de Luan.

Confira:

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“METRÔ NÃO É SEGURO PARA CRIANÇAS”

O advogado que acompanha as investigações, Ariel de Castro Alves, reforçou o fato de apenas um diminuto portão estar entre o túnel e a plataforma.

“Podemos concluir que o Metrô de São Paulo é um local de risco para crianças”, disse Alves.

OUTRO LADO

A Companhia do Metropolitano foi procurada pela reportagem do Diário do Transporte. Em nota sobre o caso, informou que “a investigação está em curso e as informações solicitadas já foram prestadas pelo Metrô à Autoridade Policial”.

PORTAS DE PLATAFORMA

A estação Santa Cruz da Linha 1-Azul do Metrô, onde Luan desembarcou, não possui portas de plataforma, como as existentes na estação Tamanduateí, por exemplo, da Linha 2-Verde.

As proteções impedem o acesso aos trilhos por pessoas não autorizadas e permite que os passageiros saiam da plataforma em direção à via apenas quando o trem está estacionado e de portas abertas.

Ao Diário do Transporte, o Metrô de São Paulo informou que a licitação das portas de plataforma das Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô de São Paulo está em fase de análise documental. As propostas já foram entregues e passam por avaliação.

De acordo com o presidente da Companhia do Metropolitano, Silvani Alves Pereira, o resultado deve ser homologado e divulgado nos próximos dias. Entretanto, não foi definida uma data específica como prazo para o anúncio das empresas vencedoras.

Segundo Pereira, são 88 portas que foram licitadas para as três linhas sob responsabilidade do Metrô de São Paulo. O presidente afirmou também que existem garantias no edital e regras prevendo multas para a empresa, caso haja atraso ou algum problema nas obras.

Leia mais em: https://diariodotransporte.com.br/2019/02/06/licitacao-de-portas-de-plataforma-do-metro-de-sao-paulo-esta-em-fase-de-analise-documental/

O CASO

O laudo do Instituto de Criminalística, feito com base nas imagens do circuito de câmeras do Metrô de São Paulo, confirma a versão da mãe da criança, Linéia Oliveira Silva, sobre o acidente.

“As imagens mostram que Linéia tentou correr atrás de Luan, mas a porta imediatamente se fechou e o Trem deu a partida no sentido Jabaquara. Ela fez o que estava ao alcance dela e não tem culpa pela tragédia que ocorreu com seu filho. As imagens também confirmam o depoimento de Lineia na Delegacia do Metrô no início do ano”, contou o advogado.

Em depoimento, a mãe do menino relatou que estava no trem com seus filhos, todos crianças, Luan, 3 anos, Isaque, 7 anos e Isabela, 9 anos. No local, também estavam o marido e padrasto das crianças, Edmilson Pereira de Sousa, e seu sogro, Edilson de Sousa, que embarcaram na estação Armênia em direção ao Jabaquara.

A família pegaria um ônibus no Jabaquara para passar o Natal na baixada Santista. As imagens mostram que ela sentou próximo da porta com Luan no colo e Isaque no banco do lado. Os familiares sentaram mais a frente.

“Quando estavam na estação Santa Cruz, seu sogro lhe chamou para que sentassem todos juntos. Ela então se levantou colocando Luan na sua frente e foi quando sua bolsa caiu e ela se abaixou para pegar a bolsa e a mochila, e Luan saiu correndo pela porta”, relatou o advogado.

A mãe teria tentado ir atrás de Luan, mas a porta fechou imediatamente. Na estação seguinte, Praça da Árvore, Linéia teria desembarcado com o marido para buscar ajuda de funcionários do Metrô, enquanto o sogro seguiu com as duas crianças e as bagagens, para aguardar na estação Jabaquara.

“Na estação Praça da Árvore, de imediato, ela não encontrou nenhum funcionário do Metro na Plataforma. Após isso ela subiu em direção às catracas e lá acionou os seguranças do Metrô. Vários funcionários então apareceram e diziam à ela que estavam olhando as imagens das Câmeras para tentar encontrar Luan. Ela e o marido foram então para a estação Santa Cruz, acompanhados de funcionários do Metrô”, contou Alves.

“Aproximadamente duas horas depois ela recebeu notícias desencontradas de funcionários, sendo que alguns diziam que encontraram a criança bem, outros funcionários e seu marido lhe disseram que Luan foi encontrado morto caído no Túnel do Metro. Ela então viu os funcionários passarem com uma maca e o corpo do Luan e caiu ao chão, entrando em estado de choque e foi então levada pelos metroviários ao Hospital São Paulo. Lá foi medicada e comunicada oficialmente da morte de seu filho”, relatou ainda o advogado.

RECONSTITUIÇÃO

O advogado de Linéia, Ariel de Castro Alves, afirma que está buscando esclarecimentos por parte do Metrô de São Paulo com relação ao que ocorreu com Luan.

“Agora nós queremos uma reconstituição para esclarecer melhor porque tanta demora para que o Metrô de São Paulo pudesse comunicar os operadores dos trens. Os fatos ocorreram às 11h, mas só às 11h45 os operadores de trens foram notificados e apenas depois de 12h20 é que nós tivemos a paralisação efetiva dos trens. Tudo isso precisa ser melhor esclarecido, assim como a facilidade de acesso ao túnel”, disse Alves.

Confira o laudo, na íntegra, mostrando a ordem dos fatos antes do atropelamento:

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VÍDEO DO DIA DO ACIDENTE

O Diário do Transporte também teve acesso ao vídeo que mostra a sucessão de fatos no dia do acidente. As imagens retratam o desespero da mãe ao ver o filho passando pela porta do trem do Metrô.

O vídeo também mostra o momento em que Luan entrou no túnel e se posicionou nos trilhos, em frente ao trem.

Confira as imagens:

Jessica Marques para o Diário do Transporte

4 comentários em Laudo indica que menino de três anos foi atropelado por trem do Metrô de São Paulo após passar por portão destravado

  1. Renato Vieira dos Santos // 11 de fevereiro de 2019 às 23:34 // Responder

    Tudo culpa do metro! Assim é muito fácil. Outras responsabilidades não se descute.

  2. Nossa que triste, a questão e, a culpa e de quem?

  3. Daniel T Hassegawa // 12 de fevereiro de 2019 às 10:18 // Responder

    Se uma criança pequena tem acesso fácil aos trilhos, a culpa é sim do metrô.

  4. Não é verdade!! Nem a mãe do menino nem os passageiros presentes no mesmo carro do trem fizeram tudo o podiam. Eles poderiam ter salvo a vida do pequeno garoto somente apertando um dos dez botões soco presentes no carro, ou acionando uma das saídas de emergência e puxando a porta para abrir logo em seguida. Dessa forma, o trem da mãe iria parar e travar ainda próximo à saída da estação Santa Cruz, e a emergência estaria acionada até o resgate do menino. Os usuários do metrô precisam aprender a utilizar os dispositivos de emergência na hora que precisa!!!

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