Empresas de ônibus de Curitiba afirmam que não têm como atender reajuste salarial pedido por motoristas e cobradores

Publicado em: 8 de fevereiro de 2019

Presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, participa de reunião para registro da entrega da pauta da campanha salarial na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego

Em campanha salarial, categoria definiu reajuste de 10% 

ALEXANDRE PELEGI

Os motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana estão em campanha salarial, e um dos pontos da pauta preocupa as empresas de ônibus: 10% de reajuste.

A direção do Setransp – Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana afirmou nesta sexta-feira, dia 8 de fevereiro de 2019, em entrevista à Band News Curitiba, que não tem condições de atender ao pedido.

A manifestação do sindicato patronal foi feita pelo diretor executivo do Setransp, Luiz Alberto Lenz Cesar, que destacou a realidade econômica do país como fator limitante.

Apesar disso, o dirigente ressaltou que estão programadas reuniões com o Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana para buscar um acordo. Ele classificou como um reajuste “razoável” a recomposição da inflação em 2018, de pouco menos de 4%, para evitar um impacto na tarifa de ônibus.

Temos que entender a realidade dos fatos e a realidade do país. É evidente que esse valor solicitado pela classe de trabalhadores é realmente impossível de se atender. Nós temos pela frente uma série de conversações, não está nada decidido”, disse.

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, tem repetido desde dezembro de 2018 que o reajuste da tarifa dos ônibus da capital Curitiba será inevitável. O que está pendente, segundo ele, é apenas o índice a ser aplicado.

O prefeito identificou três fatores que podem contribuir para que o inevitável aumento da tarifa seja maior ou menor: a isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel, concedida pelo governo do Paraná e cancelada pelo Confaz no início de 2019; o projeto do Executivo que permite a extinção dos cobradores do transporte coletivo da capital (a ser votado pela Câmara); e o reajuste que será concedido aos funcionários do sistema. O reajuste faz parte da planilha de custos, que impactam diretamente na tarifa.

O diretor executivo do Setransp afirmou que as empresas aguardam um acordo entre as administrações municipal e estadual para a manutenção do subsídio por parte do Governo do Paraná para garantir que o reajuste seja o mais baixo possível. Afirmando que nenhum transporte coletivo no Brasil funciona sem que haja esse aporte de recursos do poder público, ele afirmou que o subsídio funcionaria como uma “substituição da gratuidade”. “O índice de gratuidade é muito grande e traz desequilíbrio a essa tarifa”, explica.

No dia 22 de janeiro, o prefeito de Curitiba reuniu-se com o governador do Paraná, Ratinho Jr, a quem foi reivindicar a manutenção do subsídio ao transporte coletivo, o que pode possibilitar diminuir o peso do reajuste da tarifa, previsto para fevereiro. Relembre: Governador do Paraná e prefeito de Curitiba não chegam a acordo sobre manutenção do subsídio ao transporte

Ratinho Jr, até o momento, afirmou ser favorável à concessão de uma ajuda ao transporte coletivo a partir da isenção de cobrança do ICMS do diesel, o que depende de reunião do Confaz agendada para março.

TRABALHADORES JÁ ENTREGARAM A PAUTA DE REIVINDICAÇÃO

O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, esteve na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no dia 29 de janeiro em reunião para registro da entrega da pauta da campanha salarial.

Na ocasião, ele esclareceu que a principal reivindicação da categoria é a estabilidade de emprego.

A estabilidade de emprego na categoria foi uma conquista resultante de muita luta. Conquistamos o primeiro acordo na história do Brasil com essa garantia e vamos lutar para renovar esta estabilidade tão importante em tempos de crise econômica, como a que vivemos”, destacou o presidente Anderson Teixeira.

A reunião que contou também com a presença do Setransp, COMEC, URBS e Metrocard, foi a primeira da negociação salarial de 2019.

O Setransp recebeu as reivindicações, mas não se manifestou sobre nenhuma delas, alegando que os donos das empresas precisam analisar a pauta e fazer uma proposta ao sindicato.

Conheça a pauta de reivindicações do Sindimoc: Pauta_de_Reivindicacoes

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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