Funcionário do Metrô de São Paulo coleciona memórias sobre o meio de transporte em objetos de valor histórico

Julião é funcionário há aproximadamente cinco anos, mas já reúne objetos que contam décadas de histórias. Foto: Jessica Marques / Diário do Transporte

Coleção permite traçar linha do tempo desde o início da construção do sistema até recursos atuais

JESSICA MARQUES

Enquanto algumas pessoas optam por colecionar memórias em fotos, vídeos ou momentos marcantes que ficam sendo revividos na mente, Emerson Julião as reúne em objetos de grande valor histórico.

Julião é designer na gerência de operações do Metrô de São Paulo e junta memórias sobre o meio de transporte. Na coleção do funcionário, estão presentes objetos que marcaram momentos desde o início das obras de construção da malha metroviária da capital paulista até bilhetes lançados recentemente.

Colecionar vai muito além de ser um passatempo, pois o designer faz parte da Sociedade Numismática Brasileira, que é uma entidade de colecionadores que vai completar 95 anos em janeiro de 2019.

“Todo ano eu pesquiso algum tema e faço uma palestra lá. Nesse ano, eu falei sobre o projeto gráfico de cédulas e sua relação com a política dos países”, contou Julião.

A paixão por colecionar itens teve início com cédulas de diversos países. Em seguida, com o trabalho no Metrô de São Paulo, objetos relacionados ao transporte público também começaram a fazer parte dos objetos que Julião guarda com tanto carinho.

“Tenho uma coleção com quase mil cédulas do mundo inteiro e o que mais me chama atenção é o projeto gráfico. Como eu já era colecionador de cédulas, moedas e medalhas, os itens metroviários que foram aparecendo meus colegas pegavam, traziam para mim e ao longo dos últimos anos fui montando esse acervo a respeito do Metrô também, com medalhas, mapas e outras curiosidades”, contou o designer.

A Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô foi constituída no dia 24 de abril de 1968 e completou 50 anos neste ano. Julião é funcionário há aproximadamente cinco anos, mas já reúne objetos que contam décadas de histórias.

ITENS QUE CONTAM HISTÓRIAS

Entre os itens que Julião coleciona, está uma medalha de 1968, que é alusiva ao início das obras da Linha Norte-Sul. A data gravada é de oito meses após a inauguração da Companhia e refere-se à construção das instalações do Metrô. A medalha é feita de latão revestido de prata e acrílicos.

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Medalha de 14 de dezembro de 1968. Foto: Jessica Marques

Em sua coleção, Julião também traz um convite de 24 de agosto de 1974 para que a população participasse de um programa de treinamento para o uso do sistema do Metrô de São Paulo.

No convite, havia a inscrição dizendo que o embarque poderia ser feito de forma gratuita, “das 14h às 18h do dia 24 de agosto”.

O programa de treinamento tinha como objetivo tornar o funcionamento do sistema do Metrô de São Paulo conhecido para a população. Os convites eram recolhidos após o treinamento.

Os bilhetes Edmonson também fazem parte da coleção do designer, reunindo as mais variadas cores ao longo das épocas. No início da operação, os bilhetes magnéticos foram lançados inicialmente como convites à população, sem a tarja magnética efetivamente, mas por meio de simulações impressas, para introduzir o novo sistema de bilhetagem.

No final dos anos 1970 até 1990, os bilhetes do Metrô já eram apresentados com as variações de integração com os ônibus e com a ferrovia. Também eram emitidos vale-transporte e bilhetes escolares, que tinham uso restrito programado.

Todos esses itens também integram a coleção de Emerson Julião, assim como calendários antigos, selos, cartas, envelopes e projetos gráficos que marcam a evolução do sistema de transporte.

O TRABALHO NÃO PARA

Além de reunir elementos antigos que ajudam a contar uma história mais distante sobre o Metrô de São Paulo, Julião também reúne objetos que estão relacionados com a contemporaneidade do sistema.

O designer é responsável pelo conceito dos novos bilhetes que estão sendo vendidos nos EVBAs (Equipamento de Venda de Bilhete em Autoatendimento), ainda em fase de implantação no Metrô.

Relembre: Metrô de São Paulo lança máquinas que vendem bilhetes unitários nas estações

“Procurei colocar um conceito novo. Além da função e da forma, um discurso novo da relação do cidadão com a cidade. Os bilhetes trazem as imagens de vários lugares aonde o Metrô vai levá-las: Praça da Sé, Teatro Municipal, Memorial da América Latina, Estádio Municipal Pacaembu, Mercado Municipal, MASP (Museu de Arte de São Paulo) e CCO”, disse.

O designer trabalha com a forma, função e discurso dos projetos, segundo Julião. Além de atuar na criação do design dos bilhetes, o funcionário também é responsável por toda a comunicação visual que vemos no dia a dia nos trens e nas estações, junto à equipe do Departamento de Engenharia.

“Todo dia é um trabalho diferente. Por exemplo, agora é estratégia de final de ano da estação São Bento, mudança de fluxo, placas com direcionamento novo, manutenção da sinalização existente, atualização de mapas. A gente trabalha em uma equipe com designers, técnicos, arquitetos também e com outros departamentos da companhia. A gente cuida da imagem do Metrô para o usuário, focando na manutenção da imagem e na informação”, relatou Julião.

Além de colecionar memórias construídas por funcionários antigos da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Emerson Julião também está sendo responsável por escrever uma parte da história do Metrô.

Confira a coleção completa de Julião e o trabalho de designer que exerce na Companhia:

Edição de vídeo: Jessica Marques

Imagens: Jessica Marques e Alexandre Pelegi

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

 

 

 

 

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Comentários

Comentários

  1. Ana Coelho disse:

    Parabéns Emerson Julião! Orgulho de gente como você!!!

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