Volkswagen decreta fim dos veículos a combustão a partir de 2026

Em 2017 a Volkswagen lançou o microônibus ID Buzz totalmente elétrico, quando anunciou uma "grande ofensiva elétrica" ​​que começaria em 2020

Montadora já começou a introduzir sua primeira onda de carros elétricos para o ano que vem

ALEXANDRE PELEGI

“VW diz que sua próxima geração de carros a combustão será a última”.

Com esse título bombástico a agência de notícias Bloomberg revela as expectativas de futuro da fabricante alemã Volkswagen.

De acordo com a agência, a Volks promete excluir de sua linha de produção os veículos movidos a motor a combustão. A empresa anunciou que vai produzir carros a gasolina e diesel somente até 2026.

Não é de hoje que a maior montadora do mundo está se preparando para esse salto para o futuro. A Bloomberg lembra que as montadoras tradicionais estão sob uma crescente pressão dos organismos reguladores para reduzir as emissões de CO2 (dióxido de carbono) com vistas a combater a mudança climática. Isso seria um dos motivos da guinada brusca da Volkswagen em caminhar célere em direção aos veículos elétricos.

No Brasil, como publicou o Diário do Transporte, a Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou que deve desenvolver, em parceria com empresários que operam os transportes coletivos, um novo modelo de ônibus elétrico para aplicação urbana. E no dia 20 de agosto deste ano, também como publicado no Diário do Transporte, a Volkswagen anunciou a compra pela Ambev de 1617 caminhões elétricos modelo e-Delivery para o transporte de bebidas. Relembre as duas matérias:

Volkswagen diz que vai desenvolver ônibus elétricos em parceria com empresários do setor

Ambev terá 1600 caminhões elétricos Volkswagen/Eletra até 2023

Assim como a Volks, no entanto, entrar no mercado da eletromobilidade tem sido o mantra de quase todas as grandes montadoras nos países desenvolvidos. Poucas delas, no entanto, têm planos tão ambiciosos quanto a alemã Volkswagen, ressalva a Bloomberg.

A montadora já começou a introduzir sua primeira onda de carros elétricos para o ano que vem, e prepara o lançamento de 12 marcas automotivas para os próximos anos, com a previsão de produzir cerca de 15 milhões de unidades. Até 2030 a meta é mais ambiciosa ainda: a empresa pretende lançar versões total ou parcialmente elétricas em sua linha de mais de 300 carros, vans, caminhões e motocicletas.

A empresa destinou 50 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos de modelos de veículos autônomos elétricos.

Evidente que a empresa não vai desativar totalmente os motores a combustão, mas continuará a modificar sua tecnologia após a introdução da nova plataforma na próxima década. Depois de 2050, pode haver alguns modelos a gasolina e diesel em regiões onde a infraestrutura de carregamento para modelos elétricos seja  insuficiente.

Michael Jost, chefe de estratégia da Volkswagen, disse que problemas com a poluição por diesel nas cidades podem ser resolvidos com motores mais limpos, “mas a ameaça muito maior a longo prazo são as emissões de CO2, que contribuem para o aquecimento global”.

Jost afirmou ainda, em uma conferência em Wolfsburg, Alemanha, na última semana: “Nossos colaboradores estão trabalhando no último sistema operacional para veículos que emitem CO2. Estamos gradualmente reduzindo os motores de combustão até o mínimo possível. A Volkswagen continuará dando suporte aos motores de combustão após a introdução dos novos sistemas na próxima década”.

Para uma empresa que ficou marcada pelo escândalo mundial do “dieselgate”, a saída gradual dos motores a combustão é mais que uma mudança radical. Na verdade, mostra um esforço da empresa que busca se tornar uma espécie de modelo no combate global à poluição automotiva.

O escândalo do dieselgate levou a montadora alemã a admitir ter fraudado os testes de emissões envolvendo 11 milhões de veículos em todo o mundo.

Agora, assumindo “uma responsabilidade clara”, segundo Michael Jost, a fabricante alemã se diz “totalmente comprometida” com as metas delineadas no acordo climático de Paris, que preveem a aceleração do lançamento de veículos que reduzam ou eliminem as emissões nocivas ao ambiente.

As declarações do executivo foram dadas em uma conferência do setor organizada pelo jornal alemão Handelsblatt, segundo a agência Bloomberg.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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