Ambev terá 1600 caminhões elétricos Volkswagen/Eletra até 2023

Fontes de energia serão limpas, como solar e eólica, prometem Ambev e Volkswagen – Foto Divulgação/Clique para ampliar

Será uma das maiores frotas de veículos comerciais movidos a energia elétrica do mundo para distribuição de bebidas. Plataforma pode ser base para o desenvolvimento de micro-ônibus elétricos

ADAMO BAZANI

A Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou nesta segunda-feira, 20 de agosto de 2018, que a Ambev distribuidora de bebidas vai ter até o ano de 2023, em torno de 1600 caminhões elétricos modelo e-Delivery. O conjunto elétrico é desenvolvido pela Eletra Industrial, empresa que faz equipamentos para ônibus elétricos e trólebus, em São Bernardo do Campo.

O primeiro veículo elétrico de carga da Ambev deve começar a circular neste ano.

Outra novidade é que a energia do e-Delivery será comparada de fontes limpas, como eólica ou solar.

Segundo a Volkswagen, com a compra, a Ambev terá 35% da frota composta de veículos elétricos, o que deve evitar a emissão de mais de 30,4 mil toneladas de carbono na cadeia logística da empresa por ano.

A Volkswagen considera a venda a maior negociação deste tipo da marca em todo o mundo.

Em nota, o diretor de logística e suprimentos da Cervejaria Ambev, Guilherme Gaia, disse que um dos objetivos da compra, além das questões econômicas, é deixar um legado de cultura de tecnologias limpas para tração.

“O nosso sonho é unir as pessoas por um mundo melhor. Por isso, estamos sempre buscando parceiros engajados nas mesmas causas, como a Volkswagen Caminhões e Ônibus, para prover novas tecnologias e processos que tenham um impacto positivo no meio ambiente. Temos certeza que esse projeto contribuirá muito para a construção do legado sustentável que queremos deixar para as próximas gerações”

Já o presidente e CEO da VW Caminhões e Ônibus, fabricante das marcas Volkswagen Caminhões e Ônibus e MAN, Roberto Cortes, disse que pela parceria com a Ambev foi possível ganhar escala para a fabricação de veículos dedicados a este tipo de entrega urbana há 20 anos e, agora, sé a vez dos veículos sem emissões de poluentes atmosféricos e sonoros nas operações.

“Nosso centro mundial de desenvolvimento da Volkswagen Caminhões e Ônibus, localizado no Brasil, investigou e aplicou as melhores soluções mundiais e locais disponíveis para atender às necessidades de nossos clientes em veículos de baixas emissões em países emergentes. Graças à nossa parceria com a Cervejaria Ambev, que já dura mais de vinte anos, fomos os primeiros a desenvolver veículos vocacionais para distribuição de bebidas. E agora, mais uma vez, saímos juntos na frente, ingressando na era elétrica”

As baterias do caminhão podem ter uma autonomia de em torno de 200 quilômetros dependendo da configuração e dos trajetos realizados. O modelo tem também sistemas tecnológicos que ajustam a carga da bateria à demanda energética e aproveitam a energia gerada pelas frenagens – a frenagem regenerativa.

No final de 2017, Roberto Cortes disse ao Diário do Transporte que não está descartada a possibilidade de a marca desenvolver um micro-ônibus elétrico com base na plataforma do e-Delivery.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/12/entrevista-man-deve-desenvolver-micro-onibus-eletrico-para-o-brasil-a-partir-da-plataforma-do-caminhao-e-delivery/

Com o ganho de demanda pelos caminhões, é possível que os custos para a aquisição e operação de micro-ônibus sejam reduzidos.

Proporcionalmente aos ônibus elétricos maiores, os micros têm custos operacionais mais altos por causa da capacidade de transporte reduzida.

Esta é uma das principais dúvidas quanto ao cumprimento das metas de redução de poluição pelos ônibus da capital paulista, previstas em lei.

Há mais oferta de modelos padrons, articulados e biarticulados elétricos, a gás natural, etanol entre outros. O subsistema local utiliza mais ônibus de menor porte, tanto é que no edital de licitação dos transportes de São Paulo, barrado pelo TCM, as exigências de restrição à poluição devem começar depois para o subsistema local.

Atualmente, há apenas um modelo elétrico de pequeno porte disponível no transporte urbano, um miniônibus de piso baixo pela parceria Volare/BYD. Uma unidade já opera comercialmente pela Viação Piracicabana, em Santos, litoral paulista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

Deixe uma resposta