Empresas de ônibus de São Paulo se reúnem com prefeitura e pedem providências quanto ao “Uber Juntos”

Empresas de ônibus falam em "concorrência desleal" travada por aplicativo compartilhado. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para Ampliar

Opção permite que pessoas desconhecidas compartilhem o mesmo carro com ponto de embarque designado pelo aplicativo no momento da chamada. Viações acreditam que modalidade fica somente com o ônus do transporte

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus de São Paulo estão dispostas a fazer o que for possível para impedir que o “Uber Juntos” circule na cidade.

A modalidade consiste no compartilhamento do mesmo carro por pessoas que não se conhecem, mas que embarcam e desembarcam em pontos determinados pelo aplicativo ao longo do itinerário, elaborado de acordo com as solicitações.

Para as empresas de ônibus, a modalidade não passa de transporte coletivo, igual ao que elas fazem, mas sem as mesmas exigências, como horários, itinerários fixos e transporte de gratuidades.

Como noticiou o Diário do Transporte, primeiro foi uma carta à Secretaria de Mobilidade e Transportes. Agora, a cobrança ocorreu pessoalmente.

Na última segunda-feira, 03, representantes do SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, que reúne as companhias de ônibus do subsistema estrutural, estiveram reunidos com o diretor do DTP – Departamento de Transportes Públicos da prefeitura da capital paulista, Marcos Antonio Landucci, para discutir o “Uber Juntos”.

O subsistema estrutural é operado pelas empresas que possuem os ônibus de maior porte e que ligam as diferentes regiões passando pelo centro da cidade.

Em entrevista ao Diário do Transporte, nesta terça-feira, 04, o presidente da entidade, Francisco Christovam, afirmou que a modalidade “Uber Juntos” trava uma concorrência predatória com as empresas de ônibus pelo fato de transportar passageiros de forma coletiva, mas sem as mesmas obrigações das viações, como gratuidades, pagamento de direitos trabalhistas, custos de manutenção dos veículos (que no caso da Uber, é o próprio motorista que paga) e cumprimento de horários e itinerários, independentemente do número de passageiros.

“É um ‘serviço clandestino’ que está surgindo por aí. Isso que nos preocupa: a concorrência predatória, um sistema totalmente desregulamentado, que venha tirar o passageiro do sistema formal de transporte por ônibus e fazer uma concorrência que não vai trazer benefício para a população de forma nenhuma. Vai reduzir a arrecadação do sistema, a prefeitura vai ter de aportar mais recursos para poder suportar as gratuidades e esses recursos vão fazer falta nos cofres públicos” – disse

Christovam ainda disse que, na opinião das viações, o serviço deve ser complementar ao sistema de ônibus, levando o passageiro da última parada até em casa e vice-e-versa.

Ao ser questionado pelo Diário do Transporte sobre as afirmações de que as empresas de ônibus estão perdendo passageiros para os aplicativos porque não ampliam a qualidade dos serviços prestados, Francisco Christovam diz que em São Paulo, a falta de estrutura para o transporte coletivo impede que o atendimento seja melhor.

“Nós [empresas de ônibus] estamos cada vez mais oferecendo veículos de melhor qualidade, com ar-condicionado, entrada USB, com internet de livre acesso a bordo, suspensão a ar, direção hidráulica. Mas estes veículos circulam num sistema viário que precisa ser melhorado. Se a cidade não melhorar as condições de infraestrutura que é oferecida para estes veículos circularem, e aí não estou falando só das ruas, mas também dos pontos de parada, dos abrigos, dos terminais, da acessibilidade e de todos os outros equipamentos, nós não vamos lograr sucesso. Isso sem falar da necessidade de uma central de controle operacional, de um melhor sistema de comunicação com nossos clientes e até na melhoria da capacitação dos nossos operadores, coisa que a gente [empresas de ônibus] já vem fazendo, porque isso está ao nosso alcance, orientando os motoristas não só sobre direção defensiva e direção econômica, mas como tratar bem o passageiro” – comentou.

Christovam disse que o sindicato ainda não tem uma estimativa de quantos passageiros as empresas da capital paulista teriam perdido para os aplicativos.

Ouça na Íntegra:

SPURBANUSS-UBER-JUNTOS

Na semana passada, a NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne em torno de 500 companhias de ônibus no País, divulgou uma carta aberta na qual falam dos impactos dos aplicativos nos sistemas de transportes públicos e nas receitas das empresas.

Em entrevista ao Diário do Transporte, o presidente da entidade, Otávio Cunha, disse que em algumas cidades, a perda de demanda para todas as modalidades de aplicativos foi de em torno de 5%.

Na visão de Cunha, permitir as modalidades Uber Juntos e Pool + seria o mesmo que decretar o fim do setor de transporte coletivo, que já acumula perda de 25% dos passageiros de 2014 a 2017.

“O Uber Juntos e a outra modalidade lançada pela 99 em Belo Horizonte são serviços que se travestem de transporte público e não são mais transportes individuais de pessoas. Em uma mesma viagem, ele opera em determinado percurso e vai angariando passageiros ao longo do trajeto”. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/29/empresas-de-onibus-dizem-que-ja-perderam-5-dos-passageiros-para-aplicativos/

O OUTRO LADO:

Na tarde desta terça-feira, o Diário do Transporte procurou a empresa Uber para se posicionar sobre o assunto. Não houve resposta. Na tarde de hoje, foi reforçada a solicitação, mas como de outras vezes, sem retorno da empresa Uber.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

7 comentários em Empresas de ônibus de São Paulo se reúnem com prefeitura e pedem providências quanto ao “Uber Juntos”

  1. Engraçado o UBER e os aplicativos afirmam que não são concorrentes do transporte público
    É simples regularizem o UBER e demais aplicativos, mas com as mesmas condições impostas as empresas
    Taxas, impostos, gratuidade, renovação de frota, fiscalização, vistorias, registro de seus funcionários, etc

  2. LUCIANO RODRIGUES CRIANCA // 5 de dezembro de 2018 às 19:19 // Responder

    Pela nova licitação que implica em pegar vários ônibus para chegar em um determinado lugar vale a pena…
    Pra que forçar para pegar vários ônibus?
    Nem corredores tem…

  3. História pra boi dormir, não conheço ninguém que deixa de ir da periferia ao dentro de transporte publico, pra pegar ônibus, ate porque o preço sai altíssimo, piada essas empresa,s querem e se livrar de um possível risco, que nem e real assim.

  4. Podem chorar. Uber e os demais estão ofertando mais serviços ao consumidor e, como sempre, os incompetentes vão chorar para o governo impedir o progresso.

    Notem que esses sindicatos não pedem para o governo reduzir a burocracia e os impostos para que eles possam concorrer com os aplicativos mas sim que o governo também estupre essas empresas. Estão só querendo evitar a concorrência e se lixando para os usuários.

    Eu abandonei o transporte coletivo onde eu ia amassado como uma sardinha e agora só ando de Uber.

  5. Gilberto Macedo dos santos // 6 de dezembro de 2018 às 13:06 // Responder

    Está certo..

    As empresa de ônibus que tem que envestir mas nós transpote público…somos obrigado ausentar boa vontade das empresa de ônibus sair dos ponto de ônibus e ainda aguentar desaforos de certos motorista de ônibus……As vezes eu pego ônibus na região de Tucuruvi…
    Somos obrigado aguentar desaforos de certos fiscais.e motorista de ônibus na região somos obrigado a ficar queto e ninguém toma providência …..cade a fiscalização parece que eles tem medos dos fiscais das linhas de tucuruvi..

    Ônibus intermunicipais que c
    Vão para região de guarulho o povo sofre também é ninguém toma providência que seria a EMTU…

    Cada a fiscalização. …..

  6. As fabricantess de relógios, calculadoras, câmeras fotográficas, despertadores e outras se reinventaram para concorrer com os smartphones.
    Peçam os mesmos direitos que os aplicativos, tudo que o governo obrigar a fazerem de graça peçam subsídios, pois isso não vai parar, vai é acirrar mais a concorrência.

  7. Um serviço diferenciado nos corredores de ônibus, aplicativos próprios com ônibus sob demanda, com cinto de segurança para todos os passageiros, wifi, ar condicionado … seria um tapa na cara dos aplicativos que estão se beneficiando justamente desses locais por terem maior demanda.

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