Governador de SC repassa para futura gestão decisão sobre projeto que integra transporte coletivo da Grande Florianópolis
Publicado em: 22 de novembro de 2018
Pinho Moreira afirma que tema precisa ser mais debatido, e adia proposta que representava avanço para o transporte público de regiões metropolitanas
ALEXANDRE PELEGI
Ficou para o próximo governador de Santa Catarina pilotar na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) o projeto de integração do transporte coletivo na região metropolitana da Grande Florianópolis.
Encaminhada à Alesc por meio de Projeto de Lei Complementar (PLC), a proposta foi retirada pelo atual governador Eduardo Pinho Moreira, sob a alegação de que o assunto não deve ser votado com pressa no final do governo.
Encaminhado à Alesc em agosto, o PLC possibilitava que o governo estadual e os municípios da região firmassem convênios, transferindo para a Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (Suderf) a competência da gestão do sistema de transporte coletivo de forma associada.
A exemplo de outras regiões metropolitanas brasileiras, o passageiro da Grande Florianópolis também sofre com a falta de integração. A proposta de uma rede integrada do transporte, que abrange oito municípios, foi debatida não só com as prefeituras e câmaras de vereadores, como também com as comunidades locais, além de técnicos e especialistas da área, durante vários meses.
O objetivo do projeto é integrar o transporte coletivo nestas cidades com uma única política tarifária, e avançar para um transporte ambientalmente correto.
Na semana passada o Comitê de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis enviou à Alesc um pedido de agilidade na tramitação do PLC, assinado pelos prefeitos dos municípios da Grande Florianópolis.
Subscreveram o documento entidades como a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), o Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-SC) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio).
Mas com a intervenção do governador, retirando o tema da pauta, o assunto ficará sob responsabilidade da futura gestão do Estado, bem como sob avaliação de uma Assembleia que terá nova configuração, após as eleições legislativas deste ano.
AVANÇOS ENTUSIASMAVAM GESTORES PÚBLICOS:
Célio Sztoltz, diretor técnico da Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis, a Suderf, sempre defendeu o projeto, afirmando que sem ele não é possível fazer uma licitação que integre todas as linhas da região.
Logo, com o PLC postergado para 2019, a situação segue da mesma forma: o transporte municipal, responsabilidade de cada município, caminha em paralelo à gestão do transporte intermunicipal, responsabilidade do governo estadual.
Além de retirar o projeto da Assembleia de Santa Catarina, tanto o superintendente da Suderf, Cassio Taniguchi, como Célio Sztoltz, diretor da autarquia, foram exonerados pelo governador por ato publicado no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira, dia 21 de novembro de 2018.
Durante a Transpúblico 2018, no dia 3 de agosto, o Diário do Transporte conversou com Célio Sztoltz sobre o estágio do projeto na época. Vale a pena conferir:
PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO ERA BOM EXEMPLO PARA GRANDE SÃO PAULO:
Em janeiro deste ano, o Diário do Transporte publicou matéria onde destacava os importantes avanços do projeto que se propunha a organizar o transporte metropolitano de forma integrada. Com ônibus intermunicipais e municipais se complementando, a matéria lembrava a diferença do que ocorre na maior parte do país, inclusive entre a capital paulista e a região metropolitana, “onde há duas licitações praticamente em paralelo, mas que não se conversam”. Relembre:
Diferentemente de São Paulo, Grande Florianópolis ao menos tenta transporte metropolitano de verdade
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


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