Metrô de São Paulo afirma que até o fim de novembro solucionará impasse da Linha 17-Ouro
Publicado em: 19 de novembro de 2018
Uma das promessas para a Copa do Mundo de 2014, monotrilho que passa em frente ao aeroporto de Congonhas pode atrasar ainda mais
ALEXANDRE PELEGI
O Metrô de São Paulo informou que solucionará o impasse da Linha 17-Ouro até o final de novembro.
A informação é da Revista Ferroviária, que afirma que a estatal vai reavaliar cronogramas e buscar saídas para as obras e a entrega dos trens (monotrilho).
Como noticiado pelo Diário do Transporte há uma semana, a empresa da Malásia, Scomi, responsável pela fabricação dos trens leves que circulam sobre elevados, ameaça deixar o consórcio que deve concluir a construção e fornecimento de material rodante e equipamentos da linha. Relembre: Empresa responsável por fabricar os trens do monotrilho da linha 17 ameaça sair do consórcio
Esta notícia veio agravar ainda mais a situação do projeto, que vem sendo alvo de seguidas disputas judiciais.
O consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas CR Almeida, Andrade Gutierrez, Scomi e MPE é responsável pela implementação da via, portas de plataformas, sistemas de sinalização, material rodante e CCO do trecho que vai das estações Jardim Aeroporto a Morumbi.
A fabricante de trens Scomi assinou contrato com o Metrô de São Paulo em 2013. Pelo contrato, deveria produzir 14 monotrilhos de cinco carros, mas até hoje nenhuma composição foi entregue.
Perguntado sobre o atraso pela reportagem da Reviste Ferroviária, o diretor da Scomi, Halan Moreira, mantém o discurso de que a empresa pretende cumprir o contrato com o Metrô: “A Scomi tem total interesse em cumprir seus compromissos contratuais e está exigindo que o Metrô faça o mesmo”, disse à Revista.
O diretor da Scomi, que não respondeu a outras questões – como o valor já pago pelo Metrô SP, nem sobre o atraso na entrega dos trens –, informou apenas que as caixas dos monotrilhos da Linha 17-Ouro foram produzidas no Rio de Janeiro na fábrica da MPE, e estão guardadas em um depósito em Taubaté.
Em 2013, a Scomi chegou a lançar a pedra fundamental de uma fábrica em Taubaté que nunca saiu do papel. O diretor da Scomi, no entanto, afirma que a planta era para atender a Linha 18 do monotrilho, cujas obras ainda não foram iniciadas.
A secretaria de transportes Metropolitanos de São Paulo afirmou em nota:
“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) e o Metrô informam que têm conhecimento do problema e das dificuldades financeiras do consórcio formado pelas empresas Andrade Gutierrez, CR Almeida, MPE e Scomi.
A STM e o Metrô vêm realizando várias reuniões e até o final de novembro haverá definição sobre a questão levantada”.
Assim que estiver pronta, a Linha 17-Ouro será comandada pela ViaMobilidade, do grupo CCR, que também opera a Linha 5-Lilás.
HISTÓRICO
A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi. O valor orçado em junho de 2010 era de R$ 2,64 bilhões, sem valores futuros referente aos reajustes contratuais, aditivos e novas contratações necessárias para implantação dos empreendimentos.
O custo então passou para R$ 3,17 bilhões – cifra que não inclui as estações previstas no primeiro trecho, com extensão de 7,7 quilômetros.
Em junho de 2018, o valor para conclusão das obras foi projetado em R$ 3.74 bilhões, com previsão para a entrega de oito estações até dezembro de 2019, o que pode ser reformulado com a eventual saída da Scomi.
O monotrilho não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas. Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas.
Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417,5 mil passageiros por dia.
LAVA JATO
As empresas Andrade Gutierrez e CR Almeida foram envolvidas na Operação Lava Jato e atualmente enfrentam dificuldades financeiras. As duas entraram na Justiça para questionar uma dívida de R$ 11 milhões do Metrô.
O consórcio, que chegou a paralisar as obras, teve que retomá-las em agosto, após presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Manoel Queiroz Pereira Calças, determinar a retomada.
Relembre: Justiça determina retomada das obras do monotrilho da linha 17-Ouro
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Quanta incompetência fica demonstrada por essa obra mastodôntica sem conclusão.