Prefeitura vai pedir para CPTM trafegar com trem vazio para testar escoramento do viaduto que cedeu
Publicado em: 17 de novembro de 2018
Equipes correm para deixar a estrutura segura e assim permitir o tráfego da Linha 9 até quarta-feira
ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES
A CPTM (Companhia de Trens Metropolitanos) deve fazer um teste com composições vazias neste domingo, 18 de novembro de 2018, no trecho que está sem serviços na Linha 9 – Esmeralda, entre as estações Pinheiros e Ceasa.
O pedido foi da prefeitura de São Paulo para avaliar se o escoramento que está sendo feito no viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros na madrugada de quinta-feira já oferece segurança quanto às trepidações no local quando passam os trens.
As equipes da Secretaria de Infraestrutura Urbana (SIURB) correm contra o tempo para que a circulação dos trens possa ser liberada antes de quarta-feira, primeiro dia útil depois das emendas dos feriados de Proclamação da República e Consciência Negra.
Nesta sexta-feira, o Diário do Transporte esteve acompanhado a operação dos ônibus do programa emergencial Paese e constatou que os ônibus atendiam aos passageiros, mas havia longas filas e lotação.
Segundo o secretário de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, Vitor Aly, neste sábado, uma equipe com 75 funcionários está trabalhando no escoramento do viaduto da Marginal Pinheiros, na capital paulista. A estrutura cedeu na madrugada desta quinta-feira, 15 de novembro, feriado da Proclamação da República.
“Estamos tomando todas as medidas de segurança. Nossa prioridade é a segurança. Primeiro, a segurança das pessoas que estão trabalhando, segurança da estrutura, segurança da preservação da linha da CPTM. Todas as medidas estão sendo tomadas no sentido do escoramento para abreviar a interrupção da CPTM e para a segurança dos operários“, disse Aly.
O secretário informou que o objetivo é liberar a linha da CPTM o mais rápido possível. No entanto, Aly informou que testes com os trens da CPTM só devem ocorrer depois que o escoramento estiver completo.
“Vamos dar andamento ao macaqueamento [movimentação da estrutura para que ela retorne ao nível ideal] da estrutura, que não é solução de consertar o problema. É só para aliviar a tensão do pilar rompido, de forma que a gente preserve a segurança de quem está trabalhando e a do tabuleiro”, disse.
Ainda de acordo com o secretário, a equipe não teve acesso ainda ao interior da estrutura do viaduto, o que inviabiliza identificar o tamanho do dano causado.
“O prefeito já anunciou um comitê de crise, está estabelecido em função da gravidade do problema que estamos aqui acompanhando”, afirmou.
A avaliação dentro da estrutura só será feita quando a equipe considerar que o viaduto está estável. Entretanto, o secretário afirmou que está “mais aliviado” com o avanço do escoramento.
“O escoramento é uma estrutura passiva e só vai segurar a estrutura na hora em que ela se deformar e encostar nele. Ela está esperando o viaduto encostar, o que está ocorrendo devagar. Essa deformação está dentro do que a gente estava esperando”, disse.
“Tivemos uma variação de temperatura e, como era esperado, a estrutura é projetada para isso, houve uma movimentação. Tivemos um recalque [rebaixamento] do lado direito de três milímetros, representando um centímetro no acumulado desde o início dos trabalhos de escoramento. Do lado esquerdo, registramos 1,2 centímetro acumulado [de rebaixamento]”, completou.
INTERRUPÇÃO
Por conta da trepidação causada à estrutura, a circulação de trens da Linha 9-Esmeralda da CPTM, que passa debaixo do viaduto, foi interrompida entre as estações Pinheiros e Ceasa desde a manhã desta sexta-feira. A companhia aguarda liberação da Defesa Civil para retomar a operação.
As estações Villa Lobos-Jaguaré e Cidade Universitária estão fechadas desde então. Para atender os passageiros, o sistema de ônibus gratuito Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência) foi acionado e faz a integração no trecho interrompido.
Ao todo, 30 ônibus foram disponibilizados pela SPTrans e estão em operação para fazer o deslocamento entre as estações.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Jessica Marques para o Diário do Transporte




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