Alstom planeja fabricar ônibus elétricos em Taubaté

Alstom já produz na Europa o Aptis, veículo elétrico que alia conceitos de um VLT à flexibilidade dos ônibus

Unidade do Vale do Paraíba produz atualmente 166 carros (vagões) para metrô do Chile, mas unidade tem 50% da capacidade ociosa

ALEXANDRE PELEGI

A Alstom, uma das maiores fabricantes ferroviárias da Europa, está planejando fabricar ônibus elétricos naunidade de Taubaté, no Vale do Paraíba em São Paulo.

Os veículos seriam destinados para o mercado externo, o que inclui a América Latina e outros continentes.

Inaugurada em 2015, com 17 mil metros quadrados de área construída e investimento de R$ 50 milhões, a unidade do Vale do Paraíba opera com metade da capacidade produtiva ociosa. Após amargar dois anos sem novas encomendas, a fábrica de Taubaté abriu uma nova linha em 2018 especificamente para a produção de 166 vagões para o metrô de Santiago, no Chile.

Com 120 trabalhadores, a unidade fabril da Alstom em Taubaté foi a primeira na América Latina a construir um veículo VLT, e para produzir também ônibus elétricos ela teria que sofrer alterações em seu processo de montagem.

Pierre-Emmanuel Bercaire, diretor geral da Alstom no Brasil, explica o interesse da empresa: “ônibus elétrico é uma realidade no mundo. Há cidades exigindo que a frota seja elétrica. Há demanda de mercado e pretendemos trazer esse projeto para Taubaté“, disse o executivo em entrevista para o jornal O Vale.

Além de ônibus elétricos, a Alstom tem outros planos para a planta de Taubaté, como a produção do veículo elétrico atualmente produzido na Europa, o Aptis, com design inspirado no VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

APTIS, MISTO DE VLT E ÔNIBUS:

O modelo de ônibus elétrico Aptis, produzido pela fabricante francesa Alstom, em parceria com a subsidiária NTL, mira um novo conceito de mobilidade.

O veículo foi apresentado em Duppigheim (Alsácia, França), em março de 2017.

O Aptis, de acordo com a fabricante francesa, alia conceitos de um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e a flexibilidade dos ônibus. Os dois veículos, no segundo semestre de 2017, entraram em fase de testes em Paris e na região de Ile de France.

As quatro rodas, dispostas junto aos para-choques, são direcionais, o que segundo a Alstom, facilita nas manobras e reduz em 25% a ocupação da área superficial nas curvas.

“Nos pontos de ônibus, isso minimiza o espaço necessário para estacionar, ao mesmo tempo em que oferece ganhos em termos de espaço disponível para outros veículos” – diz a empresa em nota.

A área de envidraçamento permite visibilidade de 360 graus para os passageiros. O veículo é todo de piso baixo e pode receber duas ou três portas amplas, com aberturas para fora e laterais.

Segundo a fabricante, operadores europeus já demonstraram interesse em realizar testes. Relembre: Alstom desenvolve ônibus elétrico com visibilidade de 360 graus

VAGÕES PARA SANTIAGO DO CHILE:

A Alstom de Taubaté opera com um turno de trabalho na produção de um vagão a cada cinco dias. Lourival Rabelo, diretor industrial da unidade, afirma que este tempo de produção deve cair para uma caixa de aço inoxidável (ou vagão) a cada três dias, mantendo-se a produção até 2021.

A previsão é de que o primeiro vagão para o metrô de Santiago do Chile seja entregue em janeiro de 2019, totalmente montado na cidade.

FUSÃO ALSTOM-SIEMENS:

Alstom e a alemã Siemens estão oficializando um novo modelo de atuação conjunta entre as duas companhias no Brasil. Em julho deste ano o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica tornou público o ato de concentração no Brasil entre as duas multinacionais do setor ferroviário para projetos de sinalização e eletrificação das vias. Relembre: CADE publica concentração entre Alstom e Siemens para sinalização ferroviária no Brasil

As duas gigantes, em setembro de 2017, anunciaram na Europa a fusão das atividades, num processo que foi apelidado de “Airbus ferroviário”, em alusão à união para algumas operações da Airbus e a Bombardier.

Na Europa, o objetivo da fusão foi desenvolver trens de alta tecnologia, como os modelos de “trens-bala”, além de sinalização e sistemas em geral.

A Alstom, da França, e Siemens, da Alemanha, temem o avanço de grandes corporações chinesas, como a CRRC.

CARTEL NO BRASIL:

No Brasil, os nomes de Alstom e Siemens estiveram envolvidas em denúncias de formação de cartel, em especial nos sistemas de trens e metrô em São Paulo para obras e manutenções.

Uma das denúncias se refere a um suposto acordo entre Siemens, Alstom, Daimler-Chrysler Rail, ADTranz, Mitsui e CAF, articulado entre 1999 e 2000, no governo de Mário Covas, para fraudar licitações da linha 5 Lilás do Metrô.

Em mais um caso, em junho do ano passado, a justiça aceitou a denúncia no caso do cartel de trens contra a cúpula da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A denúncia envolveu seis licitações de reforma de trens que teriam sido, segundo o Ministério Público, fraudadas, provocando sobrepeço de R$ 400 milhões (valores de março de 2013 ), valor que hoje corrigido se aproxima de R$ 558 milhões.

Segundo o Ministério Público, também há evidências da participação de executivos da Siemens, Alstom, Bombardier, T’Trans, MPE e IESA , mas não foram levantadas provas necessárias para incluir estes executivos na denúnica.

No dia 15 de junho de 2018, em outro processo, as empresas se livraram de mais uma acusação de cartel por prescrição do crime.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) extinguiu a denúncia contra executivos num processo sobre formação de cartel em licitações para obras no Metrô de São Paulo, que englobavam a elaboração do projeto executivo, fornecimento e implantação de sistemas para o trecho Ana Rosa-Ipiranga e sistemas complementares para o trecho Ana Rosa-Vila Madalena da Linha 2-Verde. Além de Alstom, Bombardier, foram citadas as empresas Balfour Beatty e T’Trans.

O ministro relator, Nefi Cordeiro, reconheceu que houve fraude na licitação, mas a denúncia não tipificava o crime de cartel.

As irregularidades ocorreram em 2005, mas a denúncia foi apresentada pelo Ministério Público e recebida pela justiça somente nove anos depois, em 2014.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Alstom planeja fabricar ônibus elétricos em Taubaté

  1. Que venha a nova Mafersa. Acho ótimo para a concorrência com as industrias nacionais

  2. MARCOS NASCIMENTO // 1 de novembro de 2018 às 20:19 // Responder

    Nossa! Essa eu não sabia, até o falecido Mário Covas era ladrão também??? sempre pensei que ele fosse um homem íntegro, isento… .. me enganei e a situação se repetiu no PR e RJ com governadores que supostamente eram “Onestos” (sem o H mesmo!)
    CHORA SP minha profecia de anos atrás infelizmente se cumpriu!!!! Mais 4 loooongos anos de PSDB e NADA vai mudar (nem mesmo a pintura dos onibus metropolitanos que já são quase 15.000 em 69 empresas diferentes e todas com a mesma pintura em azul escuro)

  3. Interessante, mais se for pra vender aqui dentro, SP seria o foco, o problema e o monopólio Caio/Mercedes, e a prefeitura finge não ver, piada.

  4. EU DUVIDO E APOSTO COM QUALQUER UM VER ESSES ONIBUS NOS INTERMUNICIPAIS DO ABC AQUI NAO TEM LEI FISCALIZAÇAO NADA SO SUCATA RODANDO

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