IAA mostra a força dos ônibus elétricos pelo mundo

Nova geração do Citaro elétrico, da Mercedes-Benz, lançado na Feira da IAA em 2018 (Clique na foto para ampliar)

Na edição de 2018 da maior feira de veículos comerciais, realizada em Hannover, quantidade de modelos movidos à eletricidade foi a maior de toda a história do evento até agora

ADAMO BAZANI

O ônibus elétrico não é mais uma tendência. Este tipo de veículo pode ser considerado uma realidade, mesmo que ainda em expansão, principalmente em países desenvolvidos.

Estandes da IAA, a maior feira de veículos comerciais do mundo, realizada entre os dias 20 e 27 de setembro, em Hannover, na Alemanha, mostraram que cada vez mais fabricantes têm apostado nos ônibus elétricos.

Algumas apresentaram novos modelos e outras entraram definitivamente para o segmento de ônibus não poluentes.

A convite da Mercedes-Benz, o Diário do Transporte esteve no último dia do evento, e constatou que a diversidade de soluções aumentou em relação à edição anterior do IAA, em 2016.

Híbridos, baterias, sistemas de recarga rápida, trólebus modernizados e modelos que associam duas ou mais formas de captação de energia elétrica mostraram que o país que não incentivar de fato o transporte por ônibus menos poluentes vai virar um parque jurássico de ônibus.

A Mercedes-Benz apresentou dois modelos.

Um deles é o e-Citaro, veículo 100% elétrico com baterias que podem ter autonomia de cerca de 250 km e uma tecnologia nos sistemas de aquecimento e ventilação que pode gerar uma economia de energia de 40% em comparação aos similares a diesel.

As baterias são distribuídas no teto e na traseira.

Outro veículo é o urbano Citaro Hybrid, eleito por jornalistas europeus e especialistas da IAA, o ônibus do ano 2019.

O ônibus tem uma pegada ecológica, com sistema híbrido que na verdade reduz os esforços do motor diesel para funções como alimentação de sistemas de ar-condicionado, iluminação, partidas e momentos de maior exigência de desempenho. Em vez de baterias, o ônibus tem supercapacitores, que conseguem a geração de mais energia em menos tempo e ainda deixam o veículo mais leve que se fosse dotado das baterias.

O gerente de Marketing da Mercedes-Benz no Brasil, Edson Brandão, que acompanhou o Diário do Transporte e demais jornalistas e influenciadores digitais na visita, disse que a empresa estima fazer coletivos elétricos para operações brasileiras, mas somente depois da definição de questões ainda discutidas no País, como infraestrutura e sistema de recargas de bateria mais eficientes.

Para Brandão, não basta agora comparar Brasil com Ásia e Europa porque são condições de operação diferentes e, mesmo assim, na Europa, o crescimento da frota de elétricos se dá de forma gradativa.

“Vai ser uma evolução natural. No momento em que a parte de infraestrutura estiver bem madura, assim como as baterias, a gente vai levar o elétrico para o Brasil, mas dentro da condição brasileira, que é bem diferenciada, como temperatura, operação, ar-condicionado.”

Além da Mercedes-Benz, diversas marcas apresentaram ônibus elétricos, com diferentes formas de alimentação, entre elas: Thomas Built Buses (dos EUA, que também pertence ao grupo Daimler e faz ônibus escolares), Heuliez Bus (da França, pertencente à CNH Industrial), Iveco (da Itália, também da CNH Industrial), Volvo (Suécia), BMC (Turquia), Volgabus (Rússia), Solaris (Polônia), BYD (China), CRRC (China), Isuzu (Japão), SOR Libchavy -Sdružení Opravárenství a Rozvoje (República Tcheca), Karsan (Turquia), Temsa (Turquia), MAN (Alemanha), Volkswagen Caminhões e Ônibus (América Latina).

Um ponto interessante é que cada vez mais o design dos ônibus elétricos se aproxima dos modelos a diesel, com as áreas dos bancos de baterias e equipamentos cada vez mais discretas.

Outra questão é que ainda diante da autonomia limitada das baterias, entre 160 km e 300 km, dependendo do porte do veículo e das condições de operação, as indústrias focam nos modelos urbanos, que fazem percursos menores e podem ter pontos de recarga rápidas ao longo do caminho, como em terminais, por exemplo.

Quanto aos rodoviários, até a instalação de pontos de recarga em estradas e o desenvolvimento de baterias com maior capacidade, os modelos para esta aplicação ainda continuarão sendo poucos.

Confira alguns dos modelos de ônibus elétricos urbanos exibidos na IAA 2018:

Nova geração do Citaro elétrico, da Mercedes-Benz, começa a operar comercialmente em 2019. –

Painel do eCitaro, com instrumentos de fácil manipulação para o motorista

Parte das baterias e dos sistemas elétricos e de resfriamento do eCitaro fica na traseira

Interior do e-Citaro. Configuração é semelhante ao modelo diesel, mas ruído interno é bem menor

Híbrido Citaro pode reduzir em 8% a emissão de poluição e o consumo de diesel. Conceito híbrido alivia funções do motor a diesel

Saf-T-Liner C2, da Thomas Built Buses, da Daimler, um dos primeiros elétricos puros do grupo

Trólebus Iveco, com sistema de baterias que permite o tráfego ligado à rede elétrica e independente da fiação aérea

Ônibus de pequeno porte 100% elétrico da turca BMC

Ônibus elétrico articulado da chinesa BYD, com sistema que permite recarga rápida por alimentação pantográfica

Elétrico da chinesa BYD com conceito modular de produção, que pode reduzir custo, tempo de produção e preço final

O San Bus King da chinesa CRRC pode ter autonomia de até 280 km, segundo fabricante, com uma carga completo

O GX 337 E foi um dos destaques da francesa Heuliez

Os modelos elétricos estão esteticamente cada vez mais semelhantes às unidades a diesel, como pode ser visto no modelo da japonesa Isuzu

Micro-ônibus elétrico da turca Karzan, com autonomia de 165 km

A Karsan também apresentou um ônibus médio, com estações de carregamento mais simples e que exigem menos infraestrutura.

A MAN apresentou nova versão do Lions Elétrico

A versão elétrica do N 12, da SOR, da República Tcheca, promete maior aproveitamento de energia

A turca TEMSA destacou o Avenue Electron para transporte menos poluente

A russa Volgabus destacou um dos seus modelos com zero emissão de poluentes durante as operações

Volvo híbrido com recargas rápidas por sistema pantográfico

Volkswagen E-Flex, que pode ter mais uma fonte de alimentação de energia elétrica, com carroceria brasileira Marcopolo

Não estavam na feira, mas vale o registo dos Elétricos da Cobus, com largura de 3 metros, para transporte dos passageiros no aeroporto de Stuttgart. Tração é dianteira

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

O repórter Adamo Bazani viajou a convite da Mercedes-Benz

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    que matéria interessante, sonho no Brasil por culpa dos governos e monopólio das empresas, infelizmente.

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